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MOSCOU NÃO ACREDITA EM LÁGRIMAS (1980) - FILM REVIEW

Moscou não acredita em lágrimas é mais um belo filme da Mosfilm que tive o prazer de conhecer através da CPC Umes, que todo mês disponibiliza o cinema soviético para os colecionadores, curiosos e amantes do bom cinema. O tocante nome do filme já prenuncia uma bela história, ganhadora do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1981. Na trama, as jovens Katya, Antonina e Lyudmila chegam a Moscou vindas do interior, em 1958. Elas sonham encontrar um bom trabalho e também um amor para toda a vida. Ao longo de duas décadas, desde a juventude até a maturidade, acompanhamos suas vitórias e seus fracassos, seus amores, desejos e desilusões. As três passarão por situações que testarão suas forças, mantendo, no entanto, sua amizade inabalada. 

O diretor, o ótimo Vladimir Menshov, foi parte integrante de uma triste estatística: dos grandes nomes da arte que perdemos para o  Covid-19, em 5 de julho de 2021, aos 81 anos. Nascido em Baku, no Azerbaijão soviético, em 1939, trabalhou ainda jovem como aprendiz de maquinista em uma fábrica, em uma mina em Vorkuta, como marinheiro em um barco em Baku e também como ator substituto no Teatro de Drama de Astrakhan. Em 1961 entrou no departamento de atuação da Escola de Teatro de Arte de Moscou. 4 anos depois se formou no departamento de atuação da escola. 

Ao se formar, trabalhou dois anos como ator e assistente de direção no Teatro de Drama Regional de Stavropol. Em 1970 se formou no curso de pós-graduação do Instituto Estatal de Cinema (VGIK), no departamento de direção de longas-metragens. Atuou em dezenas de filmes, inclusive em “Cidade Zero” (1988), de Karen Shakhnazarov e também lançado pela CPC. Dirigiu 5 filmes: “Piada prática” (1977), “Moscou não acredita em lágrimas (1979), “Amor e Pombos” (1984), “Shirli Myrli” (1995), e “A Inveja dos Deuses” (2000). 

A obra foi um dos quatro filmes soviéticos a saírem vencedores do o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Os outros são Guerra e Paz (1965), Dersu Uzala (1975) e O Sol Enganador (1994). Diz a lenda que Ronald Reagan assistiu ao filme pelo menos 8 vezes antes de se encontrar com Mikhail Gorbachev pela primeira vez para "conhecer melhor a alma russa".  

O filme foi o segundo de maior bilheteria da União Soviética de todos os tempos. Foi superado apenas por Piratas do século XX (1980), de Boris Durov. Vladimir desempenhou uma pequena participação especial, sendo seu personagem um dos amigos de Gosha no piquenique. Embora o filme tenha ganhado o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, as autoridades soviéticas impediram o diretor Vladimir Menshov de viajar para a cerimônia porque tinham suspeitas sobre sua política, e ele soube de sua vitória por telegrama. A autora e jornalista Masha Gessen relata uma anedota que Menshov telegrafou de volta, 'Moscou não acredita, pare em lágrimas, pare'. 

Ainda que o roteiro tenha sido escrito por Valentin Chernykh (1935-2012) e o diretor Vladimir Menshov, o título deriva de um romance de 1932 de Ilja Ehrenburg (sobre as dificuldades de um artista russo que tem a oportunidade de estudar em Paris, mas que é atacado por um crítico local que denuncia sua obra como degenerada e burguesa), um dos autores mais prolíficos e notáveis ​​da União Soviética, que publicou cerca de cem títulos. Tornou-se conhecido principalmente como romancista e jornalista, em particular, como repórter em três guerras (Primeira Guerra Mundial, Guerra Civil Espanhola e Segunda Guerra Mundial). 

Seus artigos incendiários pedindo vingança contra o inimigo alemão durante a Grande Guerra Patriótica conquistaram muitos seguidores entre os soldados soviéticos da linha de frente, mas também causaram polêmica devido ao sentimento anti-alemão percebido. Curiosamente, em certo momento de 1933, encontrou o diretor Lewis Milestone e compôs o roteiro de um filme baseado em uma de suas histórias. Infelizmente, por diversas razões, o filme não foi realizado. A afinidade dos dois era maior que pode supor: o diretor “americano” Lewis Milestone havia nascido na Rússia e emigrado para os Estados Unidos em 1917 para escapar de ser convocado para o exército russo durante a Primeira Guerra Mundial. 

Mas voltando ao roteirista Valentin Chernykh.  Formado no VGIK (ou The Russian State University of Cinematography - ou seja, Universidade de Cinema), e em 1968 fez cursos para direção de televisão, mas já tinha começado a trabalhar para o cinema em 1963, escrevendo o argumento do documentário "Terra sem Deus". No cinema de ficção, estreou como roteirista em 1973, com o filme "Um homem em seu lugar", de Aleksei Sakharov. Em 1975, junto com o diretor Evgeny Matveev e o escritor Pyotr Proskurin, escreveu o roteiro do filme "Amor terrestre". O filme mais famoso com argumento de Valentin Chernykh é “Moscou não acredita em lágrimas” (1979). Junto com o diretor Evgeny Matveev também realizou o filme "Amar em Russo", em 1995. Ele faleceu em 2012.

Enfim, 

"Moscou não acredita em lágrimas" é um filme longo, para ser digerido, e no final das contas otimista. Tanto que o diretor filmou uma cena em que o jogador de hóquei Gurin, que havia parado de beber e voltou a aparecer bêbado pedindo dinheiro, mas optou em cortá-la do filme. Ele disse “Vamos deixar esperança para os espectadores, que Gurin vai melhorar”.  

Após duas horas e meia de projeção, seria cruel terminar o filme com um choque de realidade. Ou genial, mas ai, nunca saberemos. 



A CPC Umes filmes lançou o filme em DVD. O filme pode ser adquirido no próprio site da empresa, que abastece o mercado com grandes obras soviéticas. É só clicar na imagem acima e ser feliz...

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