GUERRA DOS MUNDOS (2005) - CRÍTICA DESTRUTIVA
Spielberg usa toda a sua habilidade visionária para manipular elementos de cena e deixar tudo muito real. Nesse quesito, Spielberg é único. Claro que sua fase de ouro foi entre o final dos anos 70 e início dos 80, quando nos presenteou com Tubarão, Contatos Imediatos do 3º Grau, Caçadores da Arca Perdida e E.T. — todos na lista dos maiores clássicos do cinema americano. Mas, no geral, sua carreira sempre foi sólida. Houve tropeços, como 1941 e Hook (não lembro de outro tão fraco), mas nunca algo que derrubasse sua reputação.
O novo Guerra dos Mundos não sofre com erros de continuidade nem com atuações ruins. Eu já vi esse filme inúmeras vezes, e desta vez, confesso: ele foi perdoado. É um filme bom, bem feito, tenso, cheio de cenas memoráveis. Fez sucesso de público, a crítica não o destruiu. Tudo certo.
Veja só: os alienígenas estiveram aqui milhares de anos antes do homem, enterraram os Tripods e ficaram pacientemente esperando a humanidade evoluir para, só então, exterminá-la? Mas, ao mesmo tempo, usavam os seres humanos como insumo para cultivar a Terra. Então, por que dizimá-los de imediato no primeiro ataque? A única justificativa plausível seria reduzir a população, mas, nesse caso, faria mais sentido atacar nos anos 60 ou 70. Do jeito que está, não faz o menor sentido.
E pior: os alienígenas morrem contaminados pela atmosfera terrestre. Ora, se o ataque foi planejado durante milênios, não seria natural que eles tivessem andado por aqui antes e, eventualmente, percebido que morreriam nessas condições? Meu Deus do céu!
E tem mais: se as naves estavam enterradas há tanto tempo, como os aliens poderiam prever onde a humanidade desenvolveria suas cidades? Como explicar que uma delas esteja exatamente embaixo de uma rua?
Tudo bem, coincidência. Mas... nenhuma tubulação de água, esgoto ou energia passando por ali? Nenhum trabalhador da construção civil encontrou nada em séculos de obras? E no mundo inteiro? Nenhuma nave jamais descoberta? Ah, vá lá, é pedir demais.
Olha, eu adoro o filme. Já o vi muitas vezes e recomendo, independente dessas falhas. Não sou um daqueles críticos chatos que acham que só os clássicos prestam. Filmes novos também podem ser ótimos. Mas aqui o roteiro tropeça feio: a ideia das naves enterradas é absurda, e a morte dos alienígenas, ainda mais, já que todo o ataque foi arquitetado há eras. Culpa dos roteiristas, que parecem ter tomado chá de cogumelo antes de sentar para escrever.
Meu Deus do céu!
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