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WARNER BROS - A HISTÓRIA

A Warner Bros. Entertainment, também chamada de Warner Bros. Pictures ou simplesmente Warner Bros., é uma das maiores produtoras de cinema e televisão do mundo. Integrante do conglomerado Time Warner, a companhia mantém suas principais sedes em Burbank, na Califórnia, e em Nova York.

O grupo controla diversas divisões e marcas importantes, como Warner Bros. Studios, Warner Bros. Pictures, Warner Bros. Interactive Entertainment, Warner Bros. Television, Warner Bros. Animation, Warner Home Video, Cartoon Network, New Line Cinema, NetherRealm Studios, DC Comics e Hanna-Barbera. Além disso, detém metade da rede The CW Television Network e faz parte da Motion Picture Association of America, que reúne os grandes estúdios de Hollywood.

Os primeiros anos

A história da Warner Bros. começa com quatro irmãos de origem judaica, Harry, Albert, Sam e Jack Warner, que deixaram a Polônia, então parte do Império Russo, para viver no Canadá. Os irmãos mais velhos deram os primeiros passos no ramo exibindo filmes em pequenas cidades da Pensilvânia e Ohio, usando um projetor adquirido em sociedade.

Em 1903, abriram seu primeiro cinema, o Cascade, em New Castle, Pensilvânia. O local, hoje chamado de Cascade Center, abriga lojas, restaurantes e atrações que celebram o legado da família. Um ano depois, fundaram em Pittsburgh a Duquesne Amusement & Supply Company, que viria a dar origem à Warner Bros. Pictures. A empresa cresceu rapidamente, expandindo a distribuição de filmes para mais estados.

Em 1912, Harry Warner contratou o auditor Paul Ashley Chase. Próximo ao início da Primeira Guerra Mundial, os irmãos passaram a produzir seus próprios filmes. Em 1918, abriram o Warner Bros. Studios na Sunset Boulevard, em Hollywood. Sam e Jack cuidavam da produção, enquanto Harry, Albert e o auditor controlavam a parte financeira e a distribuição a partir de Nova York.

Nessa fase, ganharam projeção com o lançamento nacional de Meus Quatro Anos na Alemanha, baseado no livro de James W. Gerard. Em abril de 1923, graças a um empréstimo obtido por Harry Warner, a empresa foi oficialmente registrada como Warner Brothers Pictures Incorporated. O primeiro grande investimento foi a compra dos direitos da peça As Garimpeiras, de Avery Hopwood.

Mas foi um cachorro que consolidou o estúdio em Hollywood. Rin Tin Tin, resgatado por um soldado americano na França, estrelou Onde o Norte Começa e se tornou a principal estrela do estúdio. O sucesso do cão rendeu a Jack Warner o apelido de “Salvador da Hipoteca” e ajudou a impulsionar a carreira do produtor Darryl F. Zanuck, que se tornaria peça-chave no estúdio até 1933.

Outro marco foi a contratação do diretor Ernst Lubitsch, cujo filme O Círculo do Casamento foi o maior sucesso da Warner em 1924 e entrou na lista de melhores do ano do New York Times. Para fortalecer o portfólio, Sam e Jack trouxeram o ator John Barrymore para o papel principal em Beau Brummell, traduzido no Brasil como O Belo Brummell, que também entrou na lista de melhores do ano.

Ao final de 1924, a Warner Bros. já era o estúdio independente mais lucrativo de Hollywood, mas ainda disputava espaço com gigantes como First National, Paramount e Metro-Goldwyn-Mayer. Nessa época, Harry Warner convenceu exibidores independentes a investir em publicidade nos jornais, além de expandir a presença da companhia em cidades como Nova York e Los Angeles. Para isso, contou com o apoio da Goldman Sachs, que concedeu um grande empréstimo. Assim, os irmãos compraram o Vitagraph Studios, que possuía uma rede de distribuição nacional, e também inauguraram a rádio KFWB em Los Angeles.

Som, cor e inovação

A Warner Bros. entrou para a história como pioneira na adoção do som nos filmes. Em 1925, Sam Warner insistiu para que o estúdio apostasse na nova tecnologia, embora Harry fosse contra. Após relutar, Harry autorizou o uso do som, mas restrito a trilhas musicais. A empresa firmou contrato com a Western Electric e criou a Vitaphone, que possibilitou a sincronização de áudio.

Em 1926, o estúdio lançou Don Juan, estrelado por John Barrymore, usando o sistema Vitaphone. Para a estreia em Nova York, Harry comprou o Piccadilly Theater e o rebatizou de Warner Theater. Apesar do sucesso de público, o filme não cobriu todos os custos, e Lubitsch deixou o estúdio rumo à MGM.

A situação financeira ficou crítica quando grandes estúdios rivais impuseram dificuldades comerciais, levando a Warner Bros. à beira da falência. Mesmo assim, em 1927 o estúdio surpreendeu o mercado com O Cantor de Jazz, estrelado por Al Jolson, que trazia falas e canções sincronizadas. O longa marcou o início da era do cinema falado, encerrando o reinado dos filmes mudos.

O sucesso de O Cantor de Jazz trouxe uma nova fase de prosperidade. Apesar da morte de Sam Warner antes da estreia, os irmãos expandiram o negócio, adquirindo a Stanley Corporation, uma importante rede de cinemas, o que garantiu controle sobre a First National. Em 1928, venceram uma disputa com William Fox e compraram o restante da First National, nomeando Darryl Zanuck para comandar a nova divisão.

Em 1929, a Warner Bros. adquiriu o circuito de cinemas Skouras Brothers em St. Louis, nomeando Spyros Skouras como gerente do setor nos Estados Unidos. Com sua gestão, o circuito deu lucro mesmo durante a crise econômica que se instalava.

Nesse período, Harry Warner também investiu em gravadoras e rádios, criando a Warner Bros. Music, dirigida por seu filho Lewis Warner. A empresa produziu adaptações de musicais como Cinquenta Milhões de Franceses e, por meio da First National, consolidou o estúdio como um dos mais lucrativos.

A Warner foi além do som. Em 1929, lançou Luzes de Nova York, primeiro filme totalmente falado. No mesmo ano, apresentou A Arca de Noé e Toca a Música, primeiro filme sonoro totalmente em cores, seguido por Mordedoras da Broadway. O sucesso abriu caminho para uma série de produções coloridas entre 1929 e 1933.

Com o passar dos anos, o público perdeu o interesse por musicais. Ainda assim, o estúdio encontrou uma nova chance em 1933 com Rua 42, que revitalizou o gênero e salvou o estúdio de dificuldades financeiras. O sucesso foi seguido por outros musicais estrelados por Ruby Keeler e Dick Powell, com coreografias de Busby Berkeley.

No entanto, em 1935, o estilo musical enfrentou outro revés após Berkeley ser preso por dirigir embriagado e causar um acidente fatal. O público também começou a se cansar do formato, mas o estúdio se manteve em alta graças a produções de aventuras como Capitão Blood, estrelado por Errol Flynn.

Com ousadia, inovação e apostas arriscadas, a Warner Bros. consolidou-se como um dos nomes mais fortes de Hollywood, ajudando a moldar a indústria cinematográfica moderna.

1931–1935: Antes da censura

Com a queda do interesse por musicais, a Warner Bros., sob comando do produtor Darryl F. Zanuck, voltou sua atenção para roteiros de tom mais social e realista, ganhando fama como o “estúdio dos gângsteres”. O primeiro grande sucesso desse gênero foi Alma no Lodo, que transformou Edward G. Robinson em astro do estúdio. Na sequência, Inimigo Público consolidou James Cagney como nova estrela da casa, incentivando a Warner a investir ainda mais em histórias de crime.

Outro título que se destacou foi O Fugitivo, drama criminal baseado em fatos reais e estrelado por Paul Muni. O filme gerou polêmica ao provocar debates sobre o sistema judicial dos Estados Unidos. Na época, Bette Davis também se tornou estrela do estúdio após aparecer em O Homem que brincava de Deus.

A chegada de Franklin D. Roosevelt à presidência em 1933 e as medidas do New Deal ajudaram a reaquecer a economia, permitindo que a Warner Bros. voltasse a ser lucrativa. No entanto, conflitos internos surgiram: Zanuck deixou o estúdio após desentendimentos com Harry Warner sobre o lançamento de Serpente de Luxo, obra que poderia ferir o recém-criado Código Hays, um conjunto de regras morais para o cinema. Além da censura iminente, a redução de seu salário durante a Grande Depressão foi outro fator que motivou sua saída. Zanuck fundou sua própria companhia logo depois, enquanto Harry Warner decidiu reajustar os salários dos demais funcionários.

No ano seguinte, um incêndio destruiu parte dos estúdios de Burbank, consumindo décadas de material original da Vitagraph, da Warner Bros. e da First National. Em 1935, uma adaptação de Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, fracassou nas bilheterias, agravando as perdas. Nesse mesmo período, Harry Warner e outros executivos foram acusados de violar leis antitruste ao tentar monopolizar cinemas na região de St. Louis. O processo acabou arquivado após a venda temporária dos cinemas.

Caminhos sob a censura

A partir de 1936, a Warner Bros. renovou seu elenco. Contratos de estrelas do cinema mudo não foram renovados, dando espaço para nomes como James Cagney, Joan Blondell, Edward G. Robinson, Warren William e Barbara Stanwyck, que representavam melhor o público da época. Ainda assim, a chegada definitiva do Código Hays, em 1935, forçou o estúdio a abandonar parte de suas narrativas mais cruas. A partir daí, a Warner investiu em dramas históricos, adaptações literárias e filmes de aventura, com astros como Bette Davis, Olivia de Havilland, Paul Muni e Errol Flynn.

Mesmo já consagrada, Bette Davis entrou em conflito com o estúdio em 1936, insatisfeita com os papéis que recebia. Tentou quebrar seu contrato viajando para a Inglaterra, mas perdeu a ação judicial e precisou voltar a Hollywood. Apesar das desavenças com Jack Warner, Albert e Harry Warner eram vistos como patrões mais respeitados pelos funcionários.

No embalo de A Floresta Petrificada, também em 1936, Humphrey Bogart foi contratado, mas recebeu apenas papéis secundários nos anos seguintes. Sob nova liderança de Hal B. Wallis, o estúdio seguiu se adaptando às restrições do código de censura, investindo em produções que evitassem problemas com os censores.

Nesse contexto, Cagney processou Jack Warner em 1935 por quebra de contrato, mas desistiu após um acordo financeiro. Longe do estúdio, Cagney e seu irmão criaram uma produtora independente, mas acabaram voltando à Warner Bros. após dificuldades financeiras. Cagney ainda deixaria o estúdio novamente após discordâncias sobre seu salário, para tentar novos projetos com o irmão.

Outro nome que marcou o período foi o produtor Bryan Foy, conhecido por lucrar com produções de baixo orçamento. Mesmo sendo demitido várias vezes, Foy sempre retornava por sua eficiência em transformar filmes B em lucros.

Em 1936, o estúdio emplacou A História de Louis Pasteur, que deu a Paul Muni o Oscar de Melhor Ator. No ano seguinte, A Vida de Emile Zola garantiu o primeiro Oscar de Melhor Filme para a Warner Bros. Ainda em 1937, a empresa contratou Ronald Reagan, que, após pequenas participações, ganhou destaque ao lado de Errol Flynn em A Estrada de Santa Fé. Com o sucesso, seu contrato foi renovado e seu salário triplicado.

Uma oportunidade desperdiçada foi a recusa de Jack Warner em adquirir os direitos de E o Vento Levou, mesmo após sua filha Doris ter demonstrado interesse pela obra de Margaret Mitchell. Jack considerou a produção cara demais.

Outro ator problemático para o estúdio foi George Raft, contratado em 1939 para reforçar o elenco de filmes de gângster, mas que se recusava a dividir cenas com Bogart. Raft foi liberado de seu contrato, o que abriu espaço para Bogart estrelar Seu Último Refúgio e, em seguida, Relíquia Macabra, dirigido por John Huston, consolidando-se como grande estrela do estúdio.


Animação e o nascimento de ícones

No campo da animação, a Warner Bros. começou sua trajetória no início dos anos 1930, quando Hugh Harman e Rudolf Ising, ex-Disney, produziram curtas para Leon Schlesinger. Os personagens Bosko, Porky Pig, Daffy Duck e Bugs Bunny nasceram nessa fase e ajudaram a tornar o estúdio uma referência mundial em animação.

Em 1933, Harman e Ising se desligaram, levando Bosko para a MGM. Schlesinger fundou então o Warner Bros. Cartoons, que deu origem aos Looney Tunes e Merrie Melodies. Diretores como Tex Avery, Friz Freleng, Bob Clampett e Chuck Jones trouxeram um humor irreverente que encantou o público. Porky Pig surgiu como primeira estrela, seguido de Daffy Duck, em A Caçada do Porquinho, e Bugs Bunny, em A Lebre Selvagem.

Em 1944, a Warner Bros. comprou o estúdio de Schlesinger. Personagens como Bugs Bunny, Daffy Duck, Piu-Piu, Frajola e Porky Pig se tornaram marcas registradas. O curta Piu-Piu e Frajola, de 1947, consolidou a dupla como favorita do público, garantindo presença constante nos cinemas e tornando Bugs Bunny o mascote não oficial da Warner Bros. por décadas.

A Warner Bros. na Segunda Guerra Mundial

Antes mesmo da entrada oficial dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, a Warner Bros. já manifestava uma postura firme contra o regime nazista. Segundo Jack Warner relatou em sua autobiografia, o então chefe de vendas da Warner na Alemanha, Joe Kauffman, teria sido assassinado por nazistas em Berlim em 1936, embora existam dúvidas sobre a veracidade dessa versão.

Harry Warner, à frente do estúdio, começou a produzir filmes com forte tom anti-nazista ainda no final dos anos 1930. A Vida de Emile Zola (1937) abriu caminho para outros títulos de conteúdo semelhante, como Confissões de um Espião Nazista (1939), considerado um dos primeiros filmes de Hollywood a criticar abertamente o regime de Hitler, e O Gavião do Mar (1940), que, ao retratar o rei Filipe II da Espanha como uma metáfora para Hitler, reforçou a postura combativa do estúdio. Na sequência vieram Sargento York e Pode Ser... ou Está Difícil? (1941).

Com a entrada dos EUA na guerra, Harry Warner intensificou o foco em produções de temática militar. Praticamente metade dos funcionários do estúdio se alistou ou foi convocada, incluindo o próprio Jack Warner e seu filho, Jack Jr. Entre os filmes produzidos durante o conflito estão clássicos como CasablancaA Estranha Passageira e A Canção da Vitória (todos de 1942), além de Forja de Heróis e Missão em Moscou (ambos de 1943). Este último, aliás, se tornaria alvo de polêmicas durante o auge do macartismo, acusado de fazer propaganda pró-soviética.

As pré-estreias de A Canção da Vitória em Los Angeles, Nova York e Londres arrecadaram cerca de 15,6 milhões de dólares em war bonds, títulos de dívida emitidos para financiar o esforço de guerra, em benefício dos governos americano e britânico. Apesar disso, por volta de 1943, o público começava a demonstrar cansaço em relação a filmes de guerra, o que não impediu a Warner de insistir no gênero, mesmo acumulando prejuízos.

A contribuição do estúdio para o esforço de guerra foi expressiva: cerca de 20 milhões de dólares em war bonds foram adquiridos, a Cruz Vermelha coletou mais de 5 mil litros de sangue dos funcionários e 763 empregados serviram nas Forças Armadas, incluindo Milton Sperling, genro de Harry Warner, e Jack Warner Jr.

O sucesso de Casablanca trouxe à Warner o Oscar de Melhor Filme e consolidou Humphrey Bogart como um dos grandes astros da época. Ainda assim, o relacionamento entre Bogart e Jack Warner se desgastou rapidamente. O produtor Hal B. Wallis, responsável por Casablanca, também deixou o estúdio após desentendimentos.

Em 1941, o estúdio eliminou sua divisão de filmes B e, sem demora, Bryan Foy, que era responsável por esse braço, migrou para a 20th Century Fox. No mesmo período, Olivia de Havilland iniciou uma batalha judicial contra o estúdio que mudaria as regras do jogo em Hollywood.

De Havilland, insatisfeita com papéis repetitivos e com as frequentes suspensões contratuais, processou a Warner Bros. quando descobriu que a prática de estender contratos além de sete anos era ilegal. Ela venceu o caso em 1945, num marco conhecido como Decisão De Havilland, que libertou atores de contratos abusivos. A vitória solidificou sua reputação como defensora dos direitos dos artistas. Logo depois, Harry Warner abandonou a política de suspensão de contratos.

Na mesma época, Joan Crawford chegou à Warner após deixar a MGM. Seu primeiro grande sucesso, Alma em Suplício (Mildred Pierce, 1945), lhe garantiu o Oscar de Melhor Atriz e consolidou a nova fase do estúdio.

Pós-guerra: mudanças e disputas

O fim da guerra trouxe lucros recordes para a Warner Bros., que se modernizou e investiu em nomes como Bette Davis, Olivia de Havilland, Joan Crawford, Humphrey Bogart, Lauren Bacall e Doris Day. Em 1946, a folha de pagamento chegava a 600 mil dólares por semana, com lucro líquido de 19,4 milhões de dólares.

Apesar do bom momento, o estúdio enfrentou crises internas. A recusa de Jack Warner em adotar pisos salariais levou a uma greve de 30 dias. Em resposta, a Warner colaborou em investigações do Congresso acusando alguns empregados de ligações comunistas, em meio às tensões do macarthismo e às polêmicas em torno de Missão em Moscou.

No final de 1947, o lucro bateu recorde, mas despencou 50% no ano seguinte. No mesmo período, Bette Davis rompeu com o estúdio após divergências com Jack Warner durante as filmagens de A Filha de Satanás.

Paralelamente, a Warner Bros. tornou-se ré no processo antitruste Estados Unidos vs. Paramount Pictures, acusado de prática de monopólio. Em 1948, a Suprema Corte obrigou os grandes estúdios a separar suas operações de produção e exibição, obrigando a Warner a abrir mão de suas redes de cinemas. O lucro daquele ano caiu para 10 milhões de dólares.

A partir daí, a Warner reorganizou sua produção em unidades semi-independentes, como a United States Pictures, liderada por Milton Sperling. Mas o grande desafio da década seguinte seria enfrentar o crescimento da televisão. Para reagir, Jack Warner apostou em novas tecnologias, como o 3D em Museu de Cera (1953), e no “Warnercolor”, a marca do estúdio para o Eastmancolor, com Ouro da Discórdia (1952).

O 3D, no entanto, quase levou à extinção do estúdio de animação. Após Lumber Jack-Rabbit, um curta do Pernalonga em 3D, Jack Warner chegou a fechar o departamento, mas voltou atrás meses depois, evitando maiores prejuízos graças ao acervo inédito de animações.

Com o declínio do 3D, a Warner investiu no CinemaScope, com títulos como Um Fio de Esperança. Ainda assim, por volta de 1956, o estúdio acumulava resultados modestos. Em fevereiro daquele ano, Jack Warner vendeu os direitos de todos os filmes produzidos antes de 1950 para a Associated Artists Productions, que depois se fundiu à United Artists Television.

Em maio de 1956, os irmãos Warner anunciaram a venda da companhia. Jack, porém, arquitetou um golpe silencioso: organizou um grupo liderado pelo banqueiro Serge Semenenko para recomprar 90% das ações. Depois que Harry e Albert venderam suas participações, Jack, secretamente, comprou de volta sua parte, assumiu o controle e se nomeou presidente do estúdio. Quando os irmãos descobriram, já era tarde. Jack Warner, agora sozinho no comando, prometia focar na qualidade de roteiros, talentos e produções, redefinindo o futuro da Warner Bros.

A Warner Bros. e a televisão: da resistência ao pioneirismo

Logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1949, a Warner Bros. identificou o potencial, e a ameaça, da televisão para o cinema. Harry Warner tentou direcionar o estúdio para a produção televisiva, mas a Comissão Federal de Comunicações (FCC) não concedeu as licenças necessárias. Sem apoio, Harry abandonou a ideia de investir na TV naquele momento.

Seu irmão Jack Warner teve uma primeira experiência frustrante: contratou Milton Berle, ícone da TV americana, para estrelar O Mundo de um Palhaço durante o auge de sua popularidade. O filme fracassou, confirmando o temor de Jack de que o público não pagaria para ver nos cinemas um rosto que já assistia de graça em casa. O insucesso consolidou a resistência de Jack à televisão, ele proibiu até filmagens de bastidores de produções futuras.

Em 1954, no entanto, o estúdio finalmente deu o passo definitivo para o universo televisivo com a criação da Warner Bros. Television, sob direção de William T. Orr, genro de Jack Warner. O carro-chefe inicial foi Warner Bros. Presents, exibido semanalmente na ABC. O programa misturava séries como Em Cada Coração um PecadoCasablanca e Cheyenne com propagandas de lançamentos do estúdio. O formato, porém, não vingou.

Em seguida, a Warner encontrou seu caminho na TV apostando nos faroestes. Séries como MaverickBronco e Colt .45 tornaram-se sucessos de audiência e ajudaram a compensar prejuízos no cinema. Animado, Jack Warner expandiu a divisão para outras séries marcantes, como 77 Sunset Strip (1958–64), Hawaiian Eye (1959–63), Bourbon Street Beat (1960) e Surfside Six (1960–62).


Conflitos contratuais e nova geração de estrelas

O sucesso televisivo trouxe à tona antigas dores de cabeça do estúdio: disputas trabalhistas. James Cagney e Bette Davis já haviam enfrentado Jack Warner nos tribunais; agora foi a vez de astros da TV como Clint Walker e James Garner questionarem contratos abusivos, e vencerem. Irritado com a independência das estrelas da TV, Jack se ressentia do novo modelo, mas não pôde evitar mudanças. Em 1963, por decisão judicial, a Warner Bros. teve que abandonar contratos de exclusividade com atores de séries, empregando-os apenas em produções específicas.

Ainda assim, várias estrelas da TV migraram para filmes do estúdio, reforçando seu catálogo cinematográfico. Na virada dos anos 1960, a Warner Bros. prosperou adaptando peças de teatro de sucesso, como Tara Maldita (1956), Este Sargento é de Morte (1958) e Em Busca de um Sonho (1962).


Fase de vendas, fusões e expansão

Após sobreviver a um grave acidente de carro em 1958, Jack Warner manteve-se figura pública constante nos jornais. Nos primeiros anos da década de 1960, o estúdio operava com lucros modestos, cerca de 7 milhões de dólares por ano. Ainda assim, em 1962, pagou 5,5 milhões pelos direitos de Minha Bela Dama. Em meados dos anos 60, com a produção de filmes em declínio, poucos estúdios ainda investiam em longas-metragens.

Um dos sucessos do período foi A Corrida do Século, cuja trilha sonora impulsionou a Warner Bros. Records como subsidiária lucrativa. Em 1966, o estúdio voltou aos holofotes com Quem Tem Medo de Virginia Woolf?. No mesmo ano, Jack Warner, então com idade avançada, vendeu o controle do estúdio à Seven Arts Productions por 32 milhões de dólares. A companhia foi rebatizada Warner Bros.-Seven Arts, mas Jack seguiu como presidente até 1967, quando se afastou após o fracasso de Camelot.

Em 1967, Bonnie & Clyde – Uma Rajada de Balas revitalizou o estúdio. Dois anos depois, os controladores canadenses da Seven Arts venderam a empresa à Kinney National Company por 64 milhões de dólares. Jack Warner, indignado, aposentou-se. Sob a nova administração, a Warner reforçou parcerias com astros como Paul Newman, Robert Redford, Barbra Streisand e Clint Eastwood, nomes que levaram o estúdio com força pelos anos 70 e 80. A aposta em franquias como Superman e Batman, via DC Comics, consolidou o sucesso. A Kinney diversificou o grupo, adquirindo a Atari em 1976 e parques Six Flags.

De 1971 a 1987, a Warner dividiu sua distribuição internacional com a Columbia Pictures e, em alguns mercados, também distribuía títulos de terceiros, como EMI Films e Cannon Films. A parceria acabou em 1988, dando lugar a um contrato com a Walt Disney Pictures, que durou até 1993.

Em 1972, buscando cortar custos, Warner e Columbia criaram o The Burbank Studios, compartilhando os estúdios em Burbank. A união durou até 1990, quando a Columbia se transferiu para o antigo complexo da MGM, em Culver City.

Em 1989, a Warner surpreendeu ao se fundir com a Time Inc., formando um conglomerado que reforçou o braço editorial, mas foi impulsionado principalmente pelas divisões de filmes e música.

A expansão nos anos 1990 e a era do streaming

Em 1995, a Warner lançou a The WB Network em parceria com a Tribune Company, mirando o público adolescente. Séries como Buffy, a Caça-VampirosSmallville e Dawson's Creek ajudaram a consolidar o canal. Charmed tornou-se o drama estrelado por mulheres mais longevo da época, com oito temporadas, enquanto 7th Heaven bateu recorde entre séries de drama familiar, com onze. Em 2006, a WB e a UPN (da CBS) se fundiram, formando a The CW Television Network.

No cinema, a aposta na franquia Harry Potter a partir de 2001 levou o estúdio a recordes de bilheteria. A saga foi concluída em duas partes, em 2010 e 2011.

Durante as décadas, a Warner Bros. fortaleceu seu catálogo por meio de parcerias e co-produções com nomes como Amblin Entertainment, Legendary Pictures, Village Roadshow Pictures, Heyday Films, Malpaso Productions, entre outros.

Em 2008, a Warner ajudou a selar o destino do HD DVD ao optar exclusivamente pelo Blu-ray Disc, movimento que levou a Toshiba a interromper a produção do formato rival. Em junho daquele ano, a Warner celebrou 90 anos de fundação e, em 2009, tornou-se o primeiro estúdio a faturar mais de 2 bilhões de dólares no mercado norte-americano em um único ano.

A era WarnerMedia e as novas frentes

Em 2018, a Time Warner, controladora da Warner Bros. foi adquirida pela AT&T, tornando-se WarnerMedia. Em 2019, a estrutura foi reorganizada: Cartoon Network, Adult Swim, Boomerang e Turner Classic Movies passaram a operar diretamente sob o guarda-chuva da Warner Bros.

Em novembro de 2019, a empresa revelou uma atualização de seu icônico escudo, modernizando o logotipo para um uso multiplataforma. O novo design estreou em 2020 com Tenet, de Christopher Nolan.

Com o avanço do streaming, a Warner e a HBO Max lançaram o selo Warner Max em 2020, voltado para filmes de orçamento médio produzidos diretamente para a plataforma.


A (LONGA) HISTÓRIA VISUAL DOS SÍMBOLOS












































































































































































































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