BAILARINA (2025) - FILM REVIEW
🔷Bailarina (2025)
Erro 404. Filme não encontrado. Isso define minha frustração em não poder assistir ao filmaço com a bela e talentosa Ana de Armas no cinema. Rota corrigida, filme visto em casa e a decepção por não ver na telona foi enorme. E logo no começo, com as cartas na mesa, percebi que o filme tinha vida própria e, se perguntassem minha opinião sobre a participação de John Wick, para ajudar na associação, eu diria que era completa e absurdamente desnecessário.
E o que torna tudo mais bizarro é que, de uma participação gratuita no início (que parece um curta-metragem sobre a vida da personagem), John Wick retorna grandioso no ato final, para uma sequência essencial, e ele consegue a proeza de não roubar a cena.
Len Wiseman
Confesso que descobri, somente na hora de assistir, que Bailerina foi dirigido por Len Wiseman. Como diretor, é um ótimo cozinheiro. Ele é autoral e sabe como fazer um filme de ação genérico que engana mais do que satisfaz. Basta olhar para Anjos da Noite (2003), Anjos da Noite: A Evolução (2006), Duro de Matar 4.0 (2007) e O Vingador do Futuro (2012).
O diretor é verdadeiro: "não é ruim, mas também não é bom". É igual a um suco azul que eu tomava na faculdade. Eu não entendia, mas tomava. E mesmo a cor sendo um mistério, tomava de novo, sem reclamar. E, curiosamente, Len Wiseman adora uma paleta de cores azulada...
A trajetória de Bailarina, spin-off do universo John Wick, foi marcada por mudanças enormes desde sua concepção. Em outubro de 2019, Len Wiseman foi confirmado como diretor, enquanto nomes como Lady Gaga e Chloë Grace Moretz circularam como possíveis protagonistas. No entanto, foi apenas em abril de 2022 que Ana de Armas foi oficialmente anunciada como a estrela do filme, após entrar em negociações no final de 2021.
As filmagens, inicialmente previstas para o verão de 2022, começaram apenas em novembro daquele ano e seguiram até fevereiro de 2023, quando o projeto entrou em pós-produção. Já em março, a produtora Erica Lee revelou que a equipe planejava uma continuação. Em abril, os compositores Marco Beltrami e Anna Drubich assumiram a trilha sonora da versão original, com lançamento previsto para o verão de 2024. Em setembro, Len Wiseman revelou ter finalizado seu corte do diretor.
Porém, em outubro de 2023, começaram a circular rumores de que o filme apresentava problemas estruturais. Em fevereiro de 2024, a Lionsgate anunciou o adiamento da estreia de junho de 2024 para junho de 2025. O motivo oficial seria a inclusão de novas sequências de ação, dirigidas por Wiseman com apoio do produtor Chad Stahelski. Pouco depois, Ian McShane revelou que as refilmagens seriam mais extensas do que o previsto, em razão da recepção negativa ao primeiro corte. Segundo o ator, o objetivo era "proteger a franquia" e melhorar o resultado.
Novos personagens, interpretados por David Castañeda e Sharon Duncan-Brewster, foram introduzidos durante esse processo. Norman Reedus também participou das refilmagens, revelando, em junho de 2024, que precisou interromper outro projeto no Japão para gravar novas cenas em Budapeste. Reedus estava entre temporadas de filmagens de The Walking Dead: Daryl Dixon, então ele teve que manter o penteado característico do personagem homônimo.
Relatos mais preocupantes surgiram em julho, quando vazaram informações de uma exibição-teste que classificou a versão original como “catastrófica” e “confusa”. O filme foi criticado por imitar os filmes de John Wick sem a mesma coesão, além de apresentar direção inconsistente.
Em setembro, com o lançamento do primeiro trailer oficial, a trilha sonora passou por uma reformulação: Tyler Bates e Joel J. Richard, responsáveis pelas músicas dos filmes anteriores da franquia, foram contratados para substituir a composição original de Beltrami e Drubich.
A turbulência aumentou em outubro de 2024, quando o site The Wrap confirmou que Chad Stahelski assumiu a direção das refilmagens sem a participação de Len Wiseman, contrariando declarações anteriores. As refilmagens, realizadas em Praga, duraram cerca de três meses e causaram atrasos em outros projetos do estúdio, como o reboot de Highlander, estrelado por Henry Cavill.
Por conta desses atrasos, Cavill aceitou outro papel, em Voltron, da Amazon MGM. A Lionsgate negou os problemas, alegando que Wiseman se afastou temporariamente por questões de saúde, mas retornou brevemente às refilmagens, que, segundo o estúdio, duraram apenas um mês, informação contestada por reportagens e declarações de membros do elenco.
Apesar da instabilidade, uma nova exibição-teste do corte revisado de Bailarina, em outubro, indicou uma melhora significativa na recepção do público. Mesmo assim, em entrevista à revista Empire em novembro de 2024, Len Wiseman minimizou as refilmagens, classificando-as como “fotografia adicional” para incluir cenas previamente cortadas por questões orçamentárias. Ele evitou comentar os relatos de que Stahelski teria dirigido a maior parte do novo corte e substituído sua trilha sonora original.
Em janeiro de 2025, Ana de Armas e Ian McShane revelaram ao Collider que uma intensa cena de luta entre seus personagens no hotel Continental foi completamente removida do filme. McShane expressou frustração pela exclusão da sequência, sugerindo que a decisão ocorreu durante a reformulação conduzida após a má recepção da versão original.
Uma fonte próxima disse: "É claro que Chad teve que limpar a bagunça de outra pessoa." Lembrem-se, este filme é basicamente 'John Wick 3.5'. Esta história se passa antes de 'John Wick 4' e não podia haver falhas em nada relacionado a 'Wick'".
"Lux In Tenebris"
Na trama, Eve Macarro nasceu do improvável casal formado por dois assassinos: Javier, membro da Ruska Roma, e sua esposa, uma cultista cuja identidade permanece desconhecida. Ainda na juventude, Eve foi afastada do culto por decisão do próprio pai, o que acabou desencadeando a morte trágica de sua mãe.
Anos depois, o Culto tenta recuperar Eve à força. Em um ataque brutal, invadem sua casa, matam seus seguranças e deixam Javier gravemente ferido. Antes de morrer, ele consegue garantir a fuga da filha. Eve é então acolhida por Winston Scott, gerente do hotel Continental de Nova York, que a encaminha à Ruska Roma. Lá, ela conhece a Diretora da organização e decide ingressar em seus círculos.
Nos 12 anos seguintes, Eve é treinada rigorosamente tanto como bailarina quanto como assassina e guarda-costas, sob a supervisão da Diretora e de seu instrutor Nogi. Enquanto nutre suas habilidades, ela busca os assassinos do pai.
O filme que não era.
O roteiro original de Ballerina, escrito por Shay Hatten em 2017, foi inicialmente concebido como um projeto independente, com uma abordagem irônica e carregada de humor negro. O tom era propositalmente exagerado, com elementos quase autoconscientes, incluindo uma contagem de corpos exibida na tela após cada cena de ação da protagonista, originalmente chamada Rooney Brown (renomeada Eve Macarro na versão final). A história também era marcada por violência gráfica intensa e nudez gratuita da personagem principal.
Entre 2019 e 2022, no entanto, o roteiro passou por uma série de reescritas para se alinhar ao universo de John Wick, após a decisão de transformar Bailarina em um spin-off oficial da franquia. Inicialmente, Hatten colaborou com o diretor Len Wiseman em uma nova versão do texto, seguida de uma reescrita adicional com Michael Finch. Posteriormente, a protagonista Ana de Armas trouxe a roteirista Emerald Fennell, vencedora do Oscar por Bela Vingança (Promising Young Woman), para contribuir com uma nova reformulação.
Segundo a página oficial do Writers Guild of America, outras duas roteiristas, Rebecca Angelo e Lauren Schuker Blum, também trabalharam no projeto. Apesar da contribuição de seis roteiristas ao longo dos anos, apenas Shay Hatten recebeu o crédito final no filme.
O balé.
No final das contas, se observarmos a condução do filme, Bailarina é muito mais Chad do que Wiseman. O grande trunfo dos filmes de John Wick é a execução das cenas de ação, pois a história é mera desculpa. E enquanto Chad dirige, Keanu faz suas próprias cenas, os detalhes técnicos como fotografia, cenografia, paleta de cores, iluminação, são impecáveis e saltam aos olhos.
Bailarina segue a mesma linha. John Wick era, basicamente, um bom filme de ação, com uma bilheteira bem razoável (86 milhões contra 20 de orçamento). O que era para ser um filme solo se tornou um mundo em constante expansão (por enquanto, 4 filmes, um spin-off, uma série e um quinto filme anunciado).
John Wick 4 se tornou um épico de ação de quase 3 horas, e inacreditáveis 447 milhões em caixa. Bailarina fez apenas 137 milhões, com um orçamento de 90. Foi aquém do que merecia, mas nem eu mesmo encontrei o filme nos cinemas para assistir. Acredito que a censura de 18 anos ajudou muito neste contexto...
E só não enterrou a ideia de uma continuação porque o filme é ótimo. Len Wiseman até que tentou atrapalhar, mas Chad recolocou o spin-off nos trilhos.