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GREYSTOKE - A LENDA DE TARZAN, O REI DA SELVA (1984) - FILM REVIEW

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Até hoje, Greystoke é a versão definitiva de Tarzan no cinema. E olha que são inúmeras. Desde os primórdios do cinema até recentemente, o personagem figura no imaginário cinematográfico. Eu, particularmente, conheci o filme na primeira vez que passou na TV, no SBT, com aquele saudoso anúncio que marcou época (precisamente em 19/04/1989).

Do elenco espetacular aos macacos perfeitos concebidos por Rick Baker (de Um Lobisomem Americano em Londres), o filme conta a história partindo de um navio que naufraga perto da selva africana com aristocratas ingleses. Entre os sobreviventes, um casal. A mulher estava grávida e tem seu filho em uma casa nas árvores. Algum tempo depois, a mãe morre e o pai é assassinado por um macaco. Na sequência, uma macaca que havia perdido um filhote (mostrado na primeira cena), pega a criança e começa a criá-la.

O bebê cresce como se fosse um símio, mas após 20 anos, ele é descoberto e volta a civilização, onde é herdeiro de uma grande fortuna. Mas a adaptação com esta nova realidade é estranha demais para ele.

O personagem foi criado por Edgar Rice Burroughs, que nasceu no ano de 1875 em Chicago, nos EUA. Foi o criador de Tarzan e de John Carter. Ele também foi jornalista antes de se tornar escritor. Ao morrer, em 1950, Burroughs foi enterrado numa pequena cidade do estado da Califórnia chamada Tarzana.

Tarzan é um personagem de ficção criado pelo escritor na revista pulp All-Story Magazine em 1912 e publicado em formato livro em 1914. O personagem apareceu em mais vinte e quatro livros e em diversos contos avulsos. Tarzan é filho de aristocratas ingleses que desembarcam em uma selva africana após um motim. Com a morte de seus pais, Tarzan é criado por macaco na África. Seu verdadeiro nome é John Clayton III, o Lorde Greystoke. Por ter sobrevivido na selva desde sua infância, Tarzan mostra habilidades físicas superiores às de atletas do “mundo civilizado, além de poder se comunicar com os animais”.

A primeira vez que vimos Tarzan nos cinemas foi em 1918. E não deixa de ser curioso como uma história com tantas adaptações, tenha seu melhor filme em 1984. 

O mundo dá voltas...

Lord Esker foi originalmente planejado para ter uns vinte anos, e Hugh Grant foi uma das escolhas para o papel. Mais tarde, o diretor Hugh Hudson decidiu que o personagem deveria ser de meia-idade, e James Fox foi escalado.

Stellan Skarsgård foi considerado para interpretar Tarzan. Seu filho Alexander estrelou como personagem-título em A Lenda de Tarzan (2016). Já Maryam d'Abo foi considerada para o papel de Jane Porter. Quando ela se encontrou com o diretor Hugh Hudson, ela sentiu que ele já havia pensado em outra pessoa. No final, o papel foi para Andie MacDowell. Mas Hudson e d'Abo se encontraram novamente em um jantar em 1999, envolveram-se e se casaram em 2003 (estando juntos até hoje).

O diretor foi do céu ao inferno, entre um filme e outro. Seu “Carruagens de Fogo” venceu o Oscar de melhor filme, roteiro, figurino e trilha, além de concorrer por edição, direção e ator coadjuvante. Quatro anos depois, veio "A Revolução", considerado uma das maiores bombas do cinema. Custou 30 milhões (caro para os padrões da época) e rendeu pouco mais de 300 mil. Foi um fracasso para detonar uma carreira (que de certa forma aconteceu). Sorte que entre os dois filmes, ele fez Greystoke.

A novela Robert Towne

Em meados de 1974, o produtor Stanley Jaffe anunciou que a Warner Bros comprou os direitos do personagem Tarzan. Sua intenção era fazer um filme nos moldes do padrão inglês, com a sofisticação aliada ao realismo dos personagens (incluindo um biotipo franzino de Tarzan). Robert Towne (de Chinatown) assinou contrato para roteirizar. Programado para o ano seguinte, o trabalho de Towne o motivou a dirigir (que aconteceu com As Parceiras, lançado em 1982 e posteriormente, em mais 3 ocasiões).

O roteiro, muito descritivo, fazia mais sentido na cabeça de Towne e isto lhe deu uma visão de que algo tão bom, não poderia ser dado a alguém que não compreenderia suas ideias. Isto até faria sentido se ele tivesse dirigido 4 grandes filmes, mas isto não aconteceu. Entre uma situação e outra, 2 anos depois do programado, Towne foi alçado ao posto de diretor. Anthea Sylbertm, a produtora da Warner responsável pelo projeto. 

Mas com mais atrasos, Towne resolveu fazer antes "As Parceiras", a fim de trabalhar as nuances da direção. Porém, foi um filme problemático, com dificuldades com o elenco que ainda participaram da greve do sindicato estourando o orçamento por conta de atrasos. Ele acabou entrando em conflito com o produtor David Geffen e a Warner, o que o levou a vender sua participação na Greystoke. Ou seja, o que era para ser um teste, virou um problema maior do que ele poderia imaginar.

Mas entre um filme a ser salvo e outro a ser realizado, Towne preferiu pegar a grana e investir no término de "As Parceiras". E para complicar ainda mais a vida de Robert, após o lançamento do seu filme, ele foi um fracasso. Anos depois, ele afirmou que fez a pior escolha de sua vida.

A entrada de Hugh Hudson foi uma aposta segura após o sucesso de "Carruagens de Fogo". O roteiro foi inteiramente revisado e modificado. Inclusive, Towne fez testes envolvendo macacos reais, mas Hudson achou que era muito difícil e decidiu usar humanos em fantasias de macaco. E como podemos observar, as cenas iniciais são inspiradas em 2001, de Kubrick.

E mesmo sendo um grande filme, existe um ponto bem estranho para os mais observadores. Os diálogos de Andie MacDowell, que interpretou Jane, foram dublados em pós-produção por Glenn Close. De acordo com Hudson, isso se devia ao sotaque sulista dos Estados Unidos de MacDowell, que ele não queria para o filme, e que ela não era (na época) uma atriz treinada para atuar neste sentido.  

Mas mesmo sendo uma dublagem exemplar, fica estranha em suas cenas, deixando sempre sensação de que a atriz está sendo mesmo dublada. 

Ralph Richardson, que interpretou O 6º Conde de Greystoke, morreu logo após o término das filmagens e recebeu uma indicação póstuma ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante. O filme foi dedicado à sua memória. Curiosamente, Haing S. Ngor de 'Os Gritos do Silêncio'', que também concorreu na mesma categoria, foi assassinado poucos anos depois.

Entre mortos, feridos e feridas, até Vangelis, que faria a trilha, teve um bloqueio criativo, cedendo o lugar para John Scott. No final das contas, o filme saiu uns 70% do que o diretor idealizou. Imagine se fosse 100?

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