RESIDENT EVIL 3: A EXTINÇÃO (2007) - FILM REVIEW
🔷 Resident Evil 3 - A Extinção (2007)
O T-Vírus experimental, criado pela Umbrella Corporation, foi liberado no mundo, transformando a população em zumbis que se alimentam de carne humana. Com as cidades sem segurança alguma, Carlos Olivera (Oded Fehr) e L.J. (Mike Epps), juntamente com as sobreviventes K-Mart (Spencer Locke) e Betty (Ashanti), reúnem um grupo e fogem pelo deserto, em um comboio blindado.
Eles procuram outras pessoas que não estejam infectadas, mas apenas encontram outros mortos-vivos. O grupo é acompanhado pelo Dr. Isaacs (Iain Glen), que está num complexo laboratorial subterrâneo da Umbrella Corporation, escondido sob uma torre de rádio abandonada em Nevada. Isaacs acompanha também Alice (Milla Jovovich), que, após ser capturada pela Umbrella, foi submetida a um teste biogenético que alterou sua configuração genética.
Agora transformando-se constantemente e sob o risco de ser traída pelo seu próprio corpo, Alice segue o comboio e tenta conduzi-los ao seu destino: o Alasca, onde acreditam que estarão livres dos zumbis.
Nova direção
Não há sentido algum fazer uma nova continuação na mesma linha dos dois primeiros, que pecaram esteticamente. A franquia precisava se arriscar e buscar novos rumos. E escalar o diretor de O Corte da Navalha (1984), Highlander (1986) e O Sombra (1994), foi uma aposta certeira de que o objetivo seria redefinido.
Porém, Resident Evil 3 começa, de novo, novamente, na cena inicial, com a personagem Alice nua, na banheira. Não há qualquer ação sequencial relacionada ao final do anterior. O filme perde preciosos minutos se repetindo, como se buscasse recontar algo, recomeçar. E de fato, era a intenção.
A principal insistência do diretor Russell Mulcahy com este filme e seu grande diferencial em relação aos seus antecessores foi que ele não fosse filmado à noite, mas sob um sol escaldante. Numa época pré-The Walking Dead (ele começou em 2010). Há uma nítida preocupação em mostrar os zumbis da melhor forma possível. E a direção de Russel eleva o patamar da franquia em muitos aspectos.
O filme busca um tom Mad Max (nada mais natural, já que o diretor é australiano), mesmo que, quando as cenas envolvem os cientistas, o tom azulado retorne, garantindo um rito de passagem visual da história. Curioso que as piores cenas do filme envolvem justamente Ian Glen e a trupe infeliz de cientistas, que é uma herança do filme anterior.
Mesmo que, em uma das cenas, domesticação do zumbi seja uma referência ao Dia dos Mortos (1985), de George A. Romero, quando "Bub" fez praticamente a mesma coisa com um telefone antigo. Aliás, os corvos pousados em linhas de energia e atacando em grande número são uma homenagem ao filme Os Pássaros (1963), de Alfred Hitchcock.
O nome da mutação na qual o Dr. Isaacs se transforma durante a sequência final nunca é mencionado no filme. A criatura, no entanto, é retirada diretamente dos videogames e é chamada de Tyrant. O nome completo do vírus mortal é Tyrant virus. T-virus é apenas uma abreviação.
Ao contrário da crença popular errônea, a cronologia do filme é definida. Embora os trailers e o site oficial revelem que a história se passa cinco anos após o incidente de Raccoon City, o espectador não precisa depender de material promocional. O período de tempo que passou desde o início da infecção global é, na verdade, referenciado no próprio filme.
Quando o comboio entra em uma Las Vegas decrépita, eles observam que ela está coberta por areia do deserto. As falas de Alice chamam a atenção para o fato de que por 5 anos não sobrou ninguém para limpar a cidade.
O roteiro original implicava que a razão para o surto global é que ratos espalham a infecção. Aparentemente, o fato de esses roedores viverem principalmente no subsolo os ajudou a sobreviver. Embora essa subtrama tenha sido descartada, ainda há uma cena de ratos morando nos esgotos de Tóquio na cena final do filme.
O Dr. Isaacs passa o tempo todo matando clones da Alice e fazendo experiências com o antivírus. No final, ele é morto pelos clones e contaminado pelo antivírus. Parabéns, muito ruim.
O duro trabalho de criticar
Só o fato de eu ter conversado com o diretor, já garante para mim um olhar mais "carinhoso" com o longa. Para um filme cuja proposta é ir para lugar nenhum, ele consegue grandes movimentos. A direção de arte e cenários é belíssima para uma produção como esta, cujo retorno era incerto.
O elenco, ainda que seja praticamente o mesmo, a simples saída da atriz robô antipática que faz a Jill (Sienna Guillory) e a entrada de Ali Larter como Claire, garantem a empatia do público.
O que faz pouco, ou nenhum sentido, é colocar Alice como uma mistura de Neo (dentro da Matrix) com um Jedi, capaz de dizimar milhares de corvos com a força da mente, levitar objetos até dormindo... mas na hora de ajudar as pessoas, fica lutando e dando tiros como se precisasse.
Mesmo com seus evidentes pecados, Resident Evil 3 é o melhor até aqui. Mais pelos defeitos dos antecessores do que por suas virtudes (que, como eu disse, existem). Se você busca camadas de desenvolvimento dos personagens e não encontra, é um erro mais seu do que do filme.
Criar expectativas em uma segunda continuação de Resident Evil não é algo, minimamente, inteligente. Apenas relaxe e curta a evolução dos filmes. Ou morra tentando...


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