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PLANETA DOS MACACOS: A GUERRA (2017) - FILM REVIEW

🔷 Planeta dos Macacos: A guerra (2017)


Interprentar um sentimento é por vezes, um desafio. Não sei explicar o que eu senti ao ver Planeta dos Macacos - A Guerra, nos cinemas. Num primeiro momento, foi o melhor Planeta dos Macacos que assisti, mas há um amor irracional pelo clássico, que o faz superar por ser o... clássico, talvez. Afinal, seria possível conceber este filme atual, sem a popularidade dos primeiros filmes?

Tecnicamente brilhante, as emoções sentidas neste filme vão a níveis pouco vistos.  Aliás,  2017 foi um ano em que o cinema nos fez acreditar que estava longe de morrer, como muito sugerido. Vieram obras como Blade Runner 2049, A Forma da Água,  Assassinato no Expresso do Oriente, Dunkirk,  Star Wars: Os Últimos Jedi, Mãe!, Artista do Desastre, Trama Fantasma, e claro, Planeta dos Macacos: A Guerra.

Mas voltando...

O filme anterior, abre e fecha com o olhar de César. Este, ainda que inicie com uma soberba sequência de guerra, o líder agora tem um olhar melancólico, carregando em seus ombros o resultado das ações de Koba e tudo pontuado com uma trilha emocionante, a ponto de sentirmos a dor dos personagem (enquanto trabalhava em Deixe-me Entrar (2010), Matt Reeves descobriu que o compositor Michael Giacchino também era um grande fã de Planeta dos Macacos. Foi a primeira pessoa chamada por Reeves quando foi contratado para dirigir Planeta dos Macacos: O Confronto).

A intenção de César, desde o início, era paz, mas as ações do homem, resultaram em personagens como Koba e gerando consequências em cima de consequências, onde a guerra era iminente. 

Como Moisés, tentando levar seu povo à terra prometida, porém Ramsés II insiste em perseguí-lo. Aqui, o perseguidor é o homem, representado pelo Coronel Kurtz, de Apocalipse Now (1979), mas na versão de Woody Harrelson, e não menos insana.

Ele promove um massacre, no primeiro encontro dos dois. César perde o que ele mais almejava proteger: sua família. E somente Cornelius escapa. César entende que não há como evitar o conflito, então, ele parte ao encalço do Coronel para quem s:abe assim, fazer com que seu povo sobreviva longe do conflito. 

Evolução, revolução ou desilusão?

Matt Reeves destacou que os macacos de Planeta dos Macacos: A Origem (2011) e Planeta dos Macacos: O Confronto (2014) não usam roupas. A sociedade dos macacos vista em O Planeta dos Macacos (1968) usa roupas, e Bad Ape também deve ser o início de uma progressão nessa direção. Para sobreviver em um inverno rigoroso, ele usa casacos pesados ​​que encontrou. Isso se deve principalmente ao fato de ele ser careca, assim como Rocket. No entanto, embora Rocket provavelmente tenha alopecia, Bad Ape parece ter perdido o cabelo devido à idade.

Ao sonhar com Koba, entendemos que César está em outro patamar. Não apenas em uma cruzada de vingança. Ele percebe que o homem sempre vai perseguí-lo, e talvez sua morte, traga a paz que ele sonhou para seu povo. Ao mesmo tempo, em sua jornada, as suas ações pesam seus ombros. 

O diretor falou algo pertinente sobre isso: "Cesar é empurrado para circunstâncias com as quais ele nunca quis lidar e que esperava poder evitar. E agora ele está bem no meio disso. As coisas que aconteceram naquela história o testam de maneiras enormes, de maneiras pelas quais seu relacionamento com Koba o assombra profundamente. No primeiro filme, era muito sobre sua ascensão de origens humildes a um revolucionário... O segundo filme foi sobre ter que enfrentar o desafio de ser um grande líder nos momentos mais difíceis, esta será a história que consolidará seu status como uma figura seminal na história dos macacos e meio que levará a um status quase bíblico. Ele se tornará uma figura mítica de macaco como Moisés."

O filme contém muitas alusões à Bíblia, especificamente ao Êxodo. Os humanos escravizam os macacos para trabalharem na construção civil e são maltratados, devido à falta de comida e água adequadas. Mais tarde, os macacos escapam e atravessam o deserto para um novo lar, longe dos humanos, onde podem viver em paz. Tal como Moisés, César luta para controlar os seus impulsos mais sombrios e nunca chega à Terra Prometida. James Rolfe disse em sua crítica que: “É como se você pegasse Jesus Cristo, o transformasse em um macaco e depois o colocasse em um campo de concentração nazista”.


A certa altura, César, o macaco salvador, é crucificado em forma de X, conhecido como cruz de Santo André, e recebe uma bebida de uma forma desrespeitosa que lembra a crucificação de Jesus. César também liberta os macacos da escravidão, guiando-os pelo deserto até uma nova “terra prometida”, mas morre antes de entrar nela. Matt Reeves reconheceu que o personagem é parcialmente baseado em Moisés de Charlton Heston de Os Dez Mandamentos (1956), antes de Heston interpretar George Taylor no original O Planeta dos Macacos (1968).

Kurtz e a praga militarista

De acordo com Matt Reeves, foi ideia de Woody Harrelson começar a dirigir-se a César listando os rivais militares do passado, "Wellington e Napoleão, Grant e Lee, Custer e Touro Sentado", ao mesmo tempo que observava que, como macaco, César não sabia do que ele estava falando.

Se olharmos tudo que foi feito até hoje relativo aos macacos, e traçarmos um paralelo com a realidade, é perceptível que é comum a patente de um militar ser inversamente proporcional à sua capacidade intelectual. E digo novamente, é comum, o que não cacteriza uma generalização, afinal, quem não for, ficará ofendido lendo isto. Ou que for, pode se ofender pela justificativa acima.

O coronel do filme faz uma variação de um campo de concentração (que como sabemos, os prisioneiros era inocentes e apenas cometeram o "pecado" de nascerem Judeus na época em que o militarismo, política e devoção se uniram diante de uma figura: Hitler).

O filme também buscou inspirações mais amplas em filmes como A Ponte do Rio Kwai (1957) e Fugindo do Inferno (1963). Reeves comparou a relação de Cesar e o Coronel à dinâmica entre o comandante britânico de Alec Guinness e o campo de prisioneiros de Sessue Hayakawa. 

Em um momento, escritos nas paredes do túnel abaixo do acampamento do Coronel estão as palavras Ape-ocalypse Now, referenciando Apocalypse Now (1979), outro filme sobre um coronel renegado do Exército sendo caçado por seus próprios militares.

Planeta impecável

Os primatologistas que assistiram ao filme disseram que o comportamento dos macacos era surpreendentemente realista. A atuação de Karin Konoval como Maurice, o orangotango, foi especialmente notável.

Quando Maurice fala para a criança humana com seu novo nome “Nova... No-va”, o diálogo é a própria voz de Charlton Heston falando as mesmas palavras para Linda Harrison em O Planeta dos Macacos (1968). A voz foi alterada eletronicamente, mas ainda é claramente reconhecível.

Fim da humanidade e início do planeta, efetivamente, dominado por macacos

Matt Reeves disse que a introdução de Bad Ape pretendia começar a ampliar o mundo ficcional para futuras sequências, estabelecendo que outros macacos em todo o mundo, além da colônia de César, foram mentalmente elevados pela gripe símia. Ele acrescentou: "Bad Ape é realmente... fundamental para esta história, mas na verdade ele é uma semente plantada que diz que... isso é uma ampliação do mundo. Não são apenas os macacos de César''. 

Existem outros macacos em outros lugares, e esses macacos não tiveram o benefício da liderança de César, então, quem sabe como eles são, e certamente não teriam necessariamente o nível de empatia e integridade que ele tentou incutir em sua família de macacos, então os conflitos futuros podem não ser apenas entre humanos e macacos."

Guerra... santa?

Em uma sequência, onde há uma longa conversa do coronel César (quase um monólogo), percebemos um detalhe capital: enquanto César está quase totalmente humanizado, o coronel, em seu discurso, perdeu justamente o que ele dizia lutar: pelo ser humano. Ele não era mais um homem, da mesma forma que Koba não era mais um macaco. 

Noutro momento, um macaco coloca uma flor em Nova, para momentos depois, ele ser morto protegendo César. Ela retribui, nos últimos instantes, colocando a flor no macaco. Tocante, fechando um ciclo de uma harmonia que poderia ter sido. 

Emoção final em meio a praga militarista

A cena final foi originalmente com os olhos de César fechando pela última vez, em vez de um corte. Depois de discutir a cena com Andy Serkis, Matt Reeves e Serkis decidiram que o público precisava ver César realmente morrer, com Maurice acariciando sua perna para confortá-lo enquanto ele morria. 

Além disso, o discurso final de Maurice foi originalmente escrito em linguagem de sinais. Durante as filmagens, Reeves decidiu que acrescentaria ressonância emocional à cena se Maurice falasse as palavras, já que seria a primeira vez na trilogia que seu personagem falaria.

Matt Reeves revelou que a filmagem da cena final de César, onde ele se despede de Maurice antes de morrer, foi extremamente emocionante para todos os envolvidos, e que durante as filmagens, "quase todos no set" estavam chorando compulsivamente com a atuação profundamente comovente de Andy Serkis e Karin Konoval. 

Ligando planetas

O final contém referências ao cânone dos cinco primeiros filmes. Antes de César morrer, Maurice, um orangotango, promete que contará a história de César ao seu filho sobrevivente. Nos primeiros cinco filmes, o legado de César após sua morte é preservado por um orangotango conhecido como “O Legislador”, interpretado por John Huston em A Batalha do Planeta dos Macacos (1973). 

Depois disso, os orangotangos se tornam políticos eruditos e líderes religiosos da sociedade dos macacos, reverenciando a memória do Legislador em estátuas depois que César foi esquecido. O enredo de O Planeta dos Macacos (1968) gira em torno de orangotangos ensinando aos macacos uma falsa história do mundo e apagando o conhecimento de que a humanidade já foi a espécie dominante da Terra. (No entanto, isso pressupõe que Planeta  dos Macacos (1968), e Batalha estejam na mesma continuidade. 

Há também uma interpretação popular de que a viagem no tempo da Fuga do Planeta dos Macacos (1971) e os eventos de A Conquista do Planeta dos Macacos (1972) alteraram o linha do tempo, para que os acontecimentos de Planeta dos Macacos (1968) e De Volta ao Planeta dos Macacos (1970) não aconteçam no futuro de Batalha). E finalmente, os macacos se estabelecem em uma área deserta próxima a um grande lago, similar a passagens do filme de 68.

Ironicamente, o que acabou destruindo a humanidade não foram os macacos, mas uma combinação do vírus que o piloto de avião levou no final do primeiro filme, junto com a guerra de duas facções humanas que se exterminaram com base em ideologias conflitantes para a sobrevivência da raça humana. Mesmo à beira da extinção, os humanos usam todo o poder de fogo restante para matar uns aos outros.

Mereciam mesmo a extinção.

Aliás, merecem.

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