PIRANHA (2010) - FILM REVIEW
🔷Piranha (2010)
Verdade seja dita: clássico, só é clássico, porque há uma associação direta com a ideia do filme "antigo". Mas, muitas vezes, um filme, velho, é só um filme velho mesmo. Porém, há um mantra seguido, irracional e incondicionalmente, pela maioria do público: remakes são desnecessários porque o clássico é melhor.
Bom, parece que o diretor Alexandre Aja, diretor, produtor e roteirista francês, veio para quebrar esta crença. Ele fez de Piranha, o melhor do gênero já feito e, obviamente, melhor que o clássico de Dante. Aja dirigiu o remake de Quadrilha de Sádicos (de Wes Craven), intitulado aqui como Viagem Maldita, e o filme é, de longe, melhor que o "clássico". E, para não ficar de fora da citação, ainda que não seja remake, Predadores Assassinos é o melhor filme envolvendo crocodilos já feito.
Aja iniciou sua carreira no final dos anos 1990, fazendo curtas-metragens e dirigindo videoclipes. Em 2003, ganhou reconhecimento internacional com seu filme de estreia, “Alta Tensão”, um thriller de terror brutal e cheio de suspense, aclamado pela crítica e que solidificou a reputação de Aja como um diretor talentoso no gênero.
Ao longo de sua carreira, Alexandre Aja demonstrou habilidade para criar tensão, utilizar técnicas visuais inventivas e proporcionar experiências viscerais ao público. E é o que Piranha tem de melhor.
No filme, um acidente geológico nas profundezas despertou uma espécie de piranha extinta há milhões de anos. Agora, tudo indica que um cardume poderá invadir o lago de uma pacata cidade comandada pela Xerife Julie (Elisabeth Shue). O problema é que o local está lotado devido ao feriado e existe o perigo de um ataque iminente.
"Piranha" assume o que é, não tem a menor pretensão de ser além, e tudo que faz, faz bem feito. Ele realizou um espetáculo sangrento, divertido e que ainda fez muito sucesso. O diretor planejou que Joe Dante (diretor do original Piranha) e James Cameron (diretor de Piranhas 2: Assassinas Voadoras) interpretassem capitães de barco que dão aulas de segurança aos adolescentes. Dante queria, mas Cameron estava "muito ocupado" pensando em Avatar 2, que ele lançaria em 2022 (!!!).
A cena inicial é uma completa surpresa. Nela, vemos Matt (Richard Dreyfuss), o personagem do clássico Tubarão (1975), e não apenas está vestido como seu personagem de 1975, mas ainda canta "Show Me the Way to Go home", como fez a bordo do "Orca".
A marca da cerveja que ele está bebendo, "Amity", é o nome da cidade onde o filme de Spielberg acontece e, em uma homenagem à famosa frase do Chefe Brody sobre a necessidade de um "barco maior", pode ser vista.
O filme foi rodado em 2D e convertido para 3D usando o processo de conversão Reali-D, desenvolvido pela empresa Inner-D. Ao contrário de outros filmes convertidos em 3D, este filme sempre foi planejado para ser 3D. E este é o diferencial para ele funcionar tão bem.
Durante a cena das duas mulheres nuas nadando debaixo d’água, a música utilizada é o “Dueto de Flores” da ópera “Lakmé” de Léo Delibes. A tradução para o inglês da letra em francês inclui os versos: "Venha, vamos descer juntos / Vamos deslizar suavemente; Com seu fluxo encantador / Vamos seguir a corrente que foge... Ah! "Vamos descer juntos!" O que demonstra que nada foi aleatório.
A cena é uma homenagem à Fome de Viver (1983) de Tony Scott, que utilizou a mesma música para uma cena semelhante com Catherine Deneuve e Susan Sarandon.
Steven R. McQueen é filho de Chad McQueen, de Karatê Kid - A Hora da Verdade (1984). Elizabeth Shue também participou de Karate Kid (1984). O lendário ator, Steve McQueen, é pai de Chad e avô de Steven. Além disso, o pai do produtor executivo Alix Taylor, Jud Taylor, esteve em Fugindo do Inferno (1963) com Steve McQueen. Já Elisabeth Shue e Christopher Lloyd atuaram em De Volta para o Futuro 2 (1989), De Volta para o Futuro 3 (1990) e Cash: Em Busca do Dólar (1993).
Jerry O'Connell e Richard Dreyfuss já haviam aparecido em Conta Comigo (1986) (embora não compartilhem cenas em nenhum desses filmes).
Adam Scott interpreta um personagem chamado Novak, uma referência a Orca: A Baleia Assassina (1977), em que um dos personagens tem o mesmo nome. Os dois personagens até são mortos em ambos os filmes, exceto que Novak é morto no início do filme pela orca, enquanto Novak, neste filme, é morto bem no final.
Veredito
Piranha custou 24 milhões e rendeu 83. Ele foi tudo que os anteriores não foram: sucesso de público e de crítica. Tinha todo sangue e nudez que não puderam mostrar em filmes anteriores. Foi muito melhor dirigido, mais bem produzido, editado, roteirizado, além de tecnicamente, quase impecável, principalmente se avaliarmos as trajetórias das piranhas no cinema, que foram, com perdão do trocadilho, bem vagabundas.
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