STAR WARS: EPISÓDIO I - A AMEAÇA FANTASMA (1999) - FALHA REVIEW
Ameaça visível.
O filme inicia com aquele famoso letreiro com informações sobre a trama. Mas será que ninguém imaginou que palavras como congresso, rotas comerciais, federação, tributos não formariam uma ideia interessante sobre a história que se seguiria? Parece um assunto chato, normalmente visto em debates políticos.
Isto sem contar na decisão de contar a história de Anakin desde criança, esbarrando na diferença de idade entre ele e Padme, além de fatores como a sombra do maior vilão do cinema, que nos confunde ao vermos uma criança. Ainda bem que ninguém fez o mesmo com Hitler ou Coringa... (ou fez?)
Pior Jedi da história.
Qui-Gon Jinn é o pior Jedi de que se tem notícia. O peso de suas decisões erradas é catastrófico. Mas o seu cartão de visitas no filme é risível. Em sua primeira cena, ele e seu aprendiz, Obi-Wan Kenobi chegam a uma missão e eles claramente terão algum tipo de problema. Obi-Wan diz: "Estou com um mau pressentimento sobre isso".
E o gênio da humanidade, Qui-Gon Jinn, diz: "Não estou sentindo nada". Tenho acessos de risos com a expressão de Liam Neeson e suas explicações.
Um minuto depois, Obi-Wan indaga Qui-Gon sobre como o vice-rei irá tratar as demandas do chanceler. O gênio responde: "Esta gente da federação é covarde, as negociações serão breves". Não preciso dizer que ele erra novamente e isto vira alvo de piada.
Detalhe: os dois vão disfarçados de cosplay de Jedi e até um droide percebe que são Jedi...
Jar Jar Binks, o pior personagem do filme.
O irritante Jar Jar Binks aparece já aos 11 minutos e topa com quem? Qui-Gon Jinn. E ele não deixa por menos, soltando uma de suas pérolas para JJ com a finalidade de convencê-lo a dar uma informação: "Ouviu isso? Este é o barulho de mil coisas horríveis vindo para cá.
George Lucas criou Jar Jar para vender merchan, algo que ele já havia feito com os Ewoks. Bom, a criatividade de Lucas é inquestionável, mas com JJ ele falhou miseravelmente. O personagem foi tão mal visto que perdeu tempo de cena nos filmes seguintes. Mas o trauma ficou...
Batcinto de utilidades
Quando reparamos por alguns segundos as vestimentas dos Jedi, percebemos que eles não carregam mais que um monte de panos e um sabre de luz. Mas quando o Jedi se encontra precisando de algum gadget, lá está ele disponível. Aqui, quando vão entrar na água, tiram do bolso (?) um respirador.
Santa utilidade, Batman, diria Robin...
Qui-Gon verte pérolas em cena. Como "há sempre um peixe maior". A cena do mar é um deleite. Qui-Gon é a versão "Turn down for what" antes dela existir. E já aos vinte minutos, começa a se formar a batalha com cenário do Windows. A cena é artificial até a medula, "mérito" de Lucas que ficou com preguiça de procurar locações e achou que o seu software dava conta de renderizar tudo perfeitamente.
Aliás, Lucas dá um show de más escolhas, como os nomes de alguns personagens, como capitão Panaka e a rainha Amidala, isto sem falar no Conde Dooku, que será introduzido mais adiante. Do o Ku é pura maldade com Christopher Lee. Isto sem contar a trama que envolve negociações e rotas comerciais, algo complexo para o público que achará graça em Jar Jar Binks.
Já ia me esquecendo do aprendiz Sith, o mal em pessoa, chamado Darth Maul (ri alto aqui enquanto escrevo).
E o que dizer de Qui-Gon e Obi-Wan derrotando os droides com "cara de brisa"? Uma forma infantil de demonstrar que os Jedis são superiores.
Ninguém respeita Qui-Gon, nem o Panaka. Em um momento, Qui diz à rainha: "Estamos indo a um planeta distante chamado Tatooine, num sistema totalmente fora do alcance da Federação". Aí o Panaka responde: "Eu não concordo com o Jedi nisso".
Coitado, zero moral.
Minutos depois, Obi diz a ele: "O hiper propulsor quebrou, mestre". Ele responde: "Isto dificulta tudo". Tudo pontuado pela pior dublagem do século, que atrela um regionalismo característico da série Yellowstone (ou pior ainda, da série Here Comes Honey Boo Boo) com o "mim", uma expressão anti-indígena e discriminatória, mas é atribuída a eles.
E em Tatooine, o pior acontece: Jake Lloyd. O ator, que não nasceu para atuar, não aprendeu depois e nem continuou a carreira, já começa com diálogo com sua futura amada, Amidala. Ela pergunta se ele é um escravo. Ele responde: "Eu sou uma pessoa". Aqui aprendemos que escravo não é gente... Vou até fazer uma pausa para o café, pegar um fôlego, porque tudo piora a partir de agora...
Na cena seguinte, vemos Qui-Gon passando vergonha de novo. Ele tenta usar seus poderes Jedi em uma criatura, que retruca: "O que você pensa que é? Um Jedi?"
Até Chris Hemsworth é mais Anakin que os atores escolhidos nestes Star Wars, afinal ele foi treinado por Liam Neeson (em MIB Internacional), trabalhou para Samuel L. Jackson (na Marvel) e namorou Natalie Portman (também na Marvel). Piadas à parte, eu quero dizer que qualquer tem mais afinidade com o personagem. Menos, claro, Jake Lloyd e Hayden Christensen.
Enquanto isso, o Jar Jar é inconveniente em cada frame que está presente. E quem bancou ele? Qui-Gon. E quem mais para fazer um exame de sangue (??) em Anakin (sim, no cinto de utilidades, ele tinha uma seringa jedi) para descobrir que o número de midiclorians (globos vermelhos jedis?) era muito alto.
Aqui fica um adendo: será que poderia ter uma vacina que impediria Darth Vader de existir? Ou mesmo os Jedis? E aqui também percebemos como Qui-Gon é insensível à força, já que ele, e só ele, poderia deixar Anakin viver sua vida de escravo. Mas ele persistiu. E depois Qui-Gon explica que os midclorians funcionam como simbiontes.
Ou seja, a força vem de um Venon que fica falando na cabeça do jedi o que ele quer (Qui-Gon diz quase isso ao garoto, fora, claro, o nome Venon).
Caça-fantasmas.
No filme de Ivan Reitman, há uma cena em que Peter Venkman "brinca" de adivinhar a imagem de algumas cartas. George Lucas deve ter adorado a cena, e resolveu incluí-la como um teste para ver se Anakin é um Jedi.
Patético.
Outro ponto que gera muitas discussões é o fato de que, na trilogia original, Obi-Wan não parece conhecer R2-D2 e C3-PO. Mas nesta nova trilogia eles vivem altas aventuras. Poderia ser a memória de Kenobi vacilando? Logico. Mas os droides lembrariam e se manifestariam de alguma forma.
E mais outra narrativa pobre é Shmi Skywalker ter engravidado... do Espírito Santo? E Anakin é o escolhido? Tipo, Jesus? Fala sério, Lucas…
Até mesmo as batalhas de sabres de luz não servem para nada, pois os Jedi cortam os droides de batalha como se fossem feitos de papel. E só mesmo a épica batalha entre os dois Jedis e Darth Maul para salvar o filme neste sentido.
E como eu disse mais acima, Qui-Gon não cansa de passar vergonha. Quando ele tem o primeiro combate do Darth Maul ele simplesmente... foge. E no segundo, enfrenta Maul porque Obi o acompanha. E detalhe: Qui-Gon morre na luta, se tornando o Jedi mais "aspone" da galáxia.
Basicamente, ele entra em cena para falar um monte de besteiras, dar importância a Jar Jar Binks, insistir que Anakin seria um salvador e ainda morrer no processo. Parabéns, muito ruim para ele, que até sua morte foi inglória, já que todo jedi desaparece ao ser morto, mas ele e sua burrice indigna só ficaram mortos mesmo...
A produção fez feio até onde todos imaginavam que ele iria dominar: no Oscar. Indicado a 3 nas categorias técnicas, perdeu todos para quem foi realmente criativo: Matrix.
O filme tem méritos? Logico. A música Duel of the Fates, de John Williams, é um triunfo. Considerando uma saga musicalmente estabelecida, realizar um novo e brilhante tema, não é para qualquer compositor. O vilão Darth Maul é um acerto, mas fica pouco em cena e morre de maneira tão breve, que nem temos um gostinho de quero mais. E a única frase aparentemente relevante que ele diz, não faz sentido algum: "Finalmente teremos vingança".
Vingança por quê? Fico me perguntando...
A corrida dos Pods, que foi inspirada em Ben Hur, na corrida das bigas, é bela, ainda que os efeitos estejam datados em alguns momentos. O que é pouco para um filme tão esperado, que ficou décadas em hibernação. Ou congelada em carbonita...
Li que Star Wars: A Ameaça Fantasma não entende realmente o que significa ser um filme de Star Wars. Concordo, mas olhando os três filmes, quem não entende é justamente o criador deste universo.
Parece não fazer sentido, mas faz, na verdade. Lucas criou o maior parque de diversões da história do cinema. Mérito completamente seu. Mas ele não soube o que fazer com cada atração contida nele. George devia esta trilogia prequel aos fãs, mas entregou ela sem entusiasmo.
Pensando bem, tudo poderia ser pior. Imagine se o vilão se chamasse Fodi e se apresentasse como vilão de James Bond?
"Meu nome é Fodi. Sith Fodi"


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