O QUE É O BODY HORROR
O QUE É O BODY HORROR
Body horror é um subgênero do horror facilmente definido como uma sinergia entre o gore e o cinema de David Cronenberg. Nele é explorado o medo e a repulsa associados ao corpo humano, passando por transformações ou mutilações grotescas e muitas vezes perturbadoras. Imediatamente, vem a mente "A Mosca" (1986) e o mais recente "Tusk" (2014).
A deterioração física, deformação ou alteração do corpo de maneiras que desafiam nossas noções de normalidade são o foco do body horror, com objetivo de provocar fortes sentimentos de desconforto. Estas transformações corporais podem envolver a distorção de membros, crescimento descontrolado de tecidos, fusão de partes do corpo ou a presença de apêndices anormais. Elas são geralmente exibidas de forma detalhada e gráfica, intensificando a sensação de horror.
Ou, o foco pode ser a desintegração e degeneração do corpo humano (e me veio a mente uma cena específica de Robocop, lançado em 1987), envolvendo a decomposição acelerada, deterioração dos órgãos internos, perda de tecidos ou a exposição de estruturas normalmente ocultas do corpo (como os filmes de mortos-vivos, mas citaria especificamente O Despertar dos Mortos, de 1978). Esses elementos são frequentemente usados para transmitir a fragilidade e a mortalidade do corpo humano.
Ainda que seja menos comum, mas o body horror costuma abordar a fusão entre seres humanos e máquinas, como implantes cibernéticos, modificações biotecnológicas ou a transformação completa de um ser humano em uma entidade mecânica. Essa fusão cria uma sensação de estranheza e perda da identidade humana, sendo a ideia central de qualquer body horror.
A perda de identidade e controle do próprio corpo é obrigatório no body horror, ainda que a abordagem e foco podem levar a caminhos diferentes, criando uma sensação de impotência e vulnerabilidade, intensificando o horror.
O body horror pode ser uma ferramenta para metáforas e críticas sociais, abordando temas como doenças incuráveis, preocupações ambientais, abuso de poder na medicina ou a desumanização da sociedade, provocando reflexões em meio ao caos corporal.
ORIGENS
Toda origem é, em linhas gerais, subjetiva, pois toda ideia, mesmo original, parte de outra ideia ou influências. Com o body horror não foi diferente, tendo suas raízes em obras literárias clássicas como o conto "The Metamorphosis" (A Metamorfose) de Franz Kafka, publicado em 1915, frequentemente considerado um precursor do body horror. Nele, o personagem principal acorda transformado em um inseto repulsivo.
Outra influência importante é o livro "Frankenstein" de Mary Shelley, de 1818, que explora a criação e a deformidade corporal. Embora o body horror seja mais frequentemente associado ao cinema, ele também se estende a outras formas de mídia, como a literatura, os quadrinhos, os games e as artes visuais. Em cada uma dessas formas, o gênero pode explorar suas características exclusivas e criar experiências perturbadoras.
O subgênero compartilha elementos estilísticos e temáticos com o surrealismo. Ambos exploram o subconsciente, o estranho e o perturbador por meio de imagens vívidas e simbólicas. O body horror muitas vezes desafia a lógica e a realidade, levando o espectador ou leitor a um mundo de distorção e pesadelo.
A terminologia body horror foi usada pela primeira vez por Phillip Brophy em 1983, no artigo “Horrality: The Textuality of the Contemporary Horror Film”, para descrever o subgênero que florescia focado na “destruição corporal” e no “medo do próprio corpo”. Não à toa, foi a época que o estranho mundo dos Davids repercutia mundialmente: David Cronenberg e David Lynch.
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10 FILMES ESSENCIAIS
Ao lado de David Cronenberg, David Lynch é um pioneiro do subgênero body horror. E realmente, o filme de estreia de Lynch, Eraserhead, levou o body horror a extremos ainda mais bizarros do que os primeiros filmes de Cronenberg. Eraserhead é a história surreal de um homem, Henry Spencer (Jack “John” Nance), empurrado para a paternidade quando sua namorada Mary X (Charlotte Stewart) dá à luz um bebê que mais parece um embrião de cobra do que um humano.
Dirigido por John Carpenter, esse filme se passa em uma estação de pesquisa na Antártica, onde uma criatura alienígena capaz de imitar perfeitamente outras formas de vida aterroriza os membros da equipe. A obra é conhecida por suas transformações grotescas e efeitos práticos impressionantes.
"Videodrome" é uma obra surreal que aborda a fusão entre tecnologia e o corpo humano. Ele segue a história de um executivo de televisão que se envolve com um programa de TV obscuro e começa a experimentar transformações físicas e psicológicas perturbadoras.
Outro filme de David Cronenberg, esse filme é um clássico do body horror. Ele retrata a transformação gradual de um cientista em uma criatura híbrida entre humano e mosca, explorando temas como a perda da identidade e a deterioração física.
Do Além é um filme de terror dirigido por Stuart Gordon e baseado no conto de mesmo nome escrito por H.P. Lovecraft. É considerado um exemplo notável do gênero body horror. A trama envolve um experimento científico que busca explorar uma dimensão alternativa. No entanto, esse experimento desencadeia uma série de eventos sobrenaturais e perturbadores.
Escrito e dirigido por Clive Barker, "Hellraiser" apresenta uma trama complexa envolvendo um cubo místico, prazeres extremos e uma figura aterrorizante conhecida como Pinhead. O filme explora a fusão entre o prazer e o sofrimento, apresentando visuais chocantes e transformações corporais perturbadoras.
Esse filme japonês, dirigido por Shinya Tsukamoto, é uma experiência cinematográfica surreal e alucinante. Ele retrata a transformação gradual de um homem em uma criatura de metal, mesclando elementos de body horror com estética cyberpunk.
Dirigido por David Cronenberg (quem mais?), o filme é baseado no romance de William S. Burroughs chamado Naked Lunch. Embora não seja estritamente um filme de body horror, contém elementos desse gênero e combina o corpo grotesco com surrealismo e ficção científica.
O filme é um exemplo notável de body horror que combina elementos de ficção científica e comédia de terror. A trama gira em torno de uma pequena cidade invadida por uma forma de vida alienígena parasitária. Essas criaturas tomam controle dos corpos dos habitantes locais, resultando em transformações grotescas e perturbadoras.
Em Tusk, seguimos um podcaster popular que de repente é capturado por um marinheiro aposentado perturbado. Seu captor começa a transformar cirurgicamente seu corpo em uma morsa grotesca. O cientista força seu prisioneiro a pensar e se comportar como uma morsa ao tempo que conta sua vida. Enquanto a vítima consegue ser resgatada, sua vida será bem diferente.

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