AMITYVILLE: A CIDADE DO HORROR (1979) - FILM REVIEW
Lutz, Jansen, Amityville: Era uma vez um filme
O cinema é, de maneira esmagadora, parcial. Ficcional. Até mesmo um documentário direciona você para um foco. Então, perder tempo com análise de probabilidade do que é fake no relato da família Lutz é, como acabei de dizer, perda de tempo. Há muitos pontos cegos em seu depoimento, que deu origem ao famoso livro de Jay Anson.
George Lutz era um vendedor. Ótimo, inclusive. E aparentemente, viu a possibilidade de capitalizar em cima do sucesso da casa. Mudou para ela, ficou menos de 30 dias e devolveu. Mas sua história lhe rendeu fama e dinheiro. E não digo isso como cético, até porque, isso não muda o fato de que, através dele, tivemos pelo menos dois grandes filmes de horror (Amityville 1 e II).
Neste momento, o que nos interessa é falar do primeiro filme. "A Cidade do Horror" inicia com os assassinatos ocorridos em 13 de novembro de 1974. Em Amityville, um pai, uma mãe e os filhos foram assassinados sem motivo aparente, por um dos filhos do casal. Um ano depois, a casa é comprada pela família Lutz, que gradativamente descobre que o novo lar é possuído por um espírito demoníaco.
Produção independente
Vários policiais e enfermeiros que trabalhavam em ambulâncias foram contratados como figurantes do filme. Inclusive o próprio George aparece em cena, logo no início, fechando a parte de trás do carro funerário.
Como o filme foi feito com um orçamento relativamente modesto, James Brolin recebeu menos dinheiro adiantado, mas com a promessa de 10% das vendas brutas após seu lançamento. Depois que o filme se tornou um blockbuster inesperado (na época estava entre os dez primeiros de todos os tempos), ele finalmente recebeu cerca de 17 milhões. Uma fortuna.
Curioso que James Brolin estava hesitante em aceitar o convite para estrelar A Cidade do Horror, já que o roteiro ainda não estava pronto. O ator recebeu o livro de Jay Anson para ter uma ideia da história. E segundo ele, às 19 horas começou a ler. Às duas da manhã, não conseguia parar e ele relatou que sem perceber, o que lia o deixou apavorado. Detalhe: o ator era bastante cético com histórias desta natureza.
Ele havia pendurado um par de calças no quarto mais cedo e em uma parte realmente “tensa” do livro, as calças caíram de onde estavam penduradas. Brolin pulou da cadeira, quase batendo a cabeça no teto. Foi então que Brolin disse: “Há algo nesta história”. Então, ele aceitou o papel.
Embora James Brolin tenha se tornado amigo de George Lutz e seus filhos, ele duvidava muito da história deles. Assim como Brolin, a estrela Margot Kidder deixou registrado que também não acreditava na história de Amityville.
O irmão de James Brolin, Brian Bruderlin, foi, na verdade, usado para a imagem do homem barbudo visto aparecendo na 'sala vermelha' do porão (que deveria ser Ronald DeFeo). O estúdio queria alguém que tivesse uma grande semelhança com Brolin e descobriu que ele tinha um irmão que tivesse uma forte semelhança com a estrela. Ele colocou uma barba postiça para o papel.
Rod Steiger, um dos maiores atores de todos os tempos, teve o rosto todo lambuzado de mel para atrair as moscas para ele. E o incômodo resultado pode ser testemunhado em cena. O diretor de fotografia Fred J. Koenekamp admitiu ter dificuldade em filmar as cenas com as moscas, pois ele tinha pavor de insetos.
Ele disse que sempre que filmava uma cena com um close-up de uma mosca, ele desviava o olhar ou fechava os olhos. Ele também perdeu quase 13 quilos porque se recusou a comer, dizendo que as moscas o faziam perder o apetite.
Margot Kidder foi escalada com base em sua atuação em Superman: O Filme (1978), filme para o qual seu co-astro James Brolin fez o teste para o papel-título. Christopher Reeve, que interpretou Superman, foi considerado para o papel de Brolin neste filme. Enquanto lava a louça, ouve-se a personagem de Margot Kidder cantarolando o tema de amor de Superman: O Filme (1978), no qual ela estrelou como Lois Lane.
Durante anos circularam rumores de que o filme seria filmado na própria casa em Amityville, NY, mas a equipe de produção estava com muito medo de filmar dentro da casa. A realidade é que a cidade de Amityville negou à American International Pictures permissão para filmar qualquer cena em Amityville, na tentativa de se distanciar de qualquer publicidade.
Portanto, a AIP encontrou uma casa colonial holandesa de dois andares em Toms River, NJ, para filmar os exteriores. Uma fachada no terceiro andar foi adicionada, juntamente com as janelas em forma de lua crescente em ambos os lados da casa. Quase todas as cenas internas foram filmadas nos estúdios MGM em Culver City, CA.
Algumas cenas internas foram filmadas dentro da casa de Toms River, incluindo a cena em que George retorna da casa de barcos no meio da noite e depois caminha até a varanda para acender um cigarro. Nessa cena, você pode ver que não há papel de parede nem porta na sala, enquanto no estúdio, a sala tem papel de parede e uma porta perto da estante.
Há um detalhe bem curioso em relação ao ator Murray Hamilton Este filme se passa na pequena cidade de Amityville. Murray Hamilton trabalhou em Tubarão (1975), que se passa na cidade de Amity, outra cidade pequena. E em ambos os filmes, ele faz um personagem negacionista. Em um, o prefeito que nega a gravidade do ataque do tubarão, colocando em risco a vida de todos que frequentam a praia. Em Amityville, ele é o padre que não crê no relato que a casa é assombrada e que a família precisa de ajuda.
For God's sake, get out!
O filme não tem vergonha alguma de mostrar o horror em sua forma pura. Desde o início, não há qualquer probabilidade da trama induzir à dúvida. A casa era habitada pelo mal e já nas primeiras cenas, vemos o padre sendo expulso dela, objetos se mexendo, líquidos estranhos saídos de encanamentos, pesadelos recorrentes entre 03.00 e 03:15 da madrugada (hora dos assassinatos), e até uma súbita mudança comportamental em George.
A amiga "imaginária" de Amy, Jodie, considerada a filha mais nova da família falecida e mais tarde revelada como o porco demoníaco visto na janela, é uma personagem fictícia. Ronald DeFeo tinha uma irmã mais nova na vida real, Allison DeFeo, que tinha 13 anos na época de sua morte. Jodie foi retirada do mesmo romance que inspirou este filme, que teve que mudar o nome da família por motivos legais.
A família Lutz passou a viver uma vida relativamente normal, livre de atividades paranormais, após escapar de casa, mas sua paz durou pouco. George e Kathy Lutz se divorciaram no final dos anos 1980. George morreu de doença cardíaca em 8 de maio de 2006, no condado de Clark, Nevada, e Kathy morreu de enfisema em 17 de agosto de 2004, em Scottsdale, Arizona. Os três filhos – Daniel, Christopher e Missy – são adultos e permanecem fora dos olhos do público. Seus nomes foram alterados para o filme. Já DeFeo morreu em 12 de março de 2021, aos 69 anos de idade, no Albany Medical Center.
Devido a toda a fama indesejada que o livro e o filme trouxeram à casa real em Amityville, proprietários substituíram as janelas de "mau-olhado" por janelas normais em formato de retângulo e a casa passou a não ser tão notada.
Acho que nem mesmo pelo diabo...
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