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SHEENA - A RAINHA DAS SELVAS (1984) - FILM REVIEW

🔷Sheena - A Rainha das Selvas (1984)

Há filmes que se tornam tão significativos para nós, que os assistir, de tempos em tempos, é como uma recarga para dias difíceis. E alguns, especialmente dos anos 80, tem este poder sobre mim. Sheena - A Rainha das Selvas, é um destes casos. No filme, uma tribo Zambouli cria uma jovem órfã branca, acreditando que a criança foi enviada dos céus como parte de uma profecia. A menina cresce e aprende a se comunicar com os animais, se tornando Sheena, a rainha da selva.

Ela é uma personagem feminina forte e independente, que enfrenta desafios e perigos com coragem. Sua representação expressa de empoderamento feminino e da quebra de estereótipos de gênero, considerado relevante no contexto da igualdade de gênero.

Sheena vive na selva africana e é retratada como uma figura que representa o "bom selvagem" em contraste com a civilização. Essa dicotomia entre o mundo natural e o mundo civilizado evoca discussões filosóficas sobre o primitivismo, que questionam a natureza da sociedade humana e se uma vida mais próxima à natureza é preferível.

Ela possui a habilidade de se comunicar e se relacionar com os animais de forma íntima. Essa conexão especial pode se relacionar à nossa própria responsabilidade em relação a eles. Essa ênfase na interconexão e na importância do equilíbrio ecológico traz reflexões sobre a ética ambiental e a necessidade de viver em harmonia com a natureza.

Dando vida à menina das selvas

"Sheena - A Rainha da Selva" é originalmente uma história em quadrinhos escrita por Will Eisner e S.M. Eiger e publicada em 1938. Eles não são citados nos créditos do filme. Nele, Sheena é conhecida por sua beleza e sua ligação especial com os animais, sendo capaz de se comunicar e controlar diversas espécies. Ela é retratada como uma mulher corajosa e independente, e suas histórias geralmente envolvem lutas contra ameaças à selva e aos animais que nela habitam.

O produtor Paul Aratow vendeu o projeto do filme para a Universal em 1975. A ideia era usá-lo para projetar Raquel Welch. Problemas com o roteiro comprometeram o início da produção do filme. O projeto passou pela United Artists e Orion Pictures antes de chegar à Columbia e ser finalmente produzido em 1982.

Bo Derek e Harrison Ford foram convidados a protagonizar o filme. Jodie Foster recusou o papel de Sheena para dedicar-se aos estudos na Universidade de Yale. Ela formou-se em literatura em 1985.

As filmagens foram feitas no Quênia, ao longo de sete meses. Animais selvagens rondavam o set diariamente. Por conta disso, guardas armados foram contratados para proteger o elenco e a equipe.

A atriz Elizabeth da Toro, que interpretou a Xamã, era uma princesa de Uganda na vida real. Ela também se formou em Direito em Cambridge, foi modelo (a primeira mulher preta a aparecer na revista Vogue) e foi nomeada por Idi Amin para ser Ministra das Relações Exteriores de Uganda.

John Guillermin havia dirigido dois filmes do Tarzan: "A Maior Aventura de Tarzan" (1959) e "Tarzan Vai à Índia" (1962). Ele também já conhecia bem a África por conta de "Os Rifles de Batasi" (1964), "Shaft na África" (1973) e Morte Sobre o Nilo (1978). Tanya Roberts vinha de uma personagem bastante parecido com Sheena: Kiri, de "O Príncipe Guerreiro" (1982).

O diretor disse sobre o local de filmagem: "Este país (Quênia) é duro, mas magnífico. As pessoas são orgulhosas, mas prestativas. O governo queniano fez de tudo para nos ajudar e, claro, a vida selvagem é o maior restante herança viva ainda deixada nesta terra".

Refletindo sobre a produção, o produtor executivo Yoram Ben-Ami comentou sobre a difícil filmagem: "Para ser totalmente honesto, é como lutar por algo e vencer. O filme parece ótimo, o cenário é lindo, a atuação é linda e as locações parecem incríveis".

Um dos elementos-chave nas filmagens de “Sheena” foi o uso de animais. O veterano treinador de animais, Hubert Wells, foi responsável por garantir que os animais tivessem um desempenho conforme as necessidades do roteiro, além de garantir a segurança do elenco e da equipe que trabalhava com esses animais.

Vários animais treinados foram levados de Hollywood para o Quênia e era importante garantir que esses animais domesticados não fossem prejudicados por aqueles que vagavam selvagens pelo set. Segundo o treinador, tratador e coordenador de animais, "Voamos sobre um elefante, um rinoceronte, cinco leões, quatro leopardos, quatro chimpanzés, cinco cavalos e dezesseis pássaros''. 

Levar uma equipe de produção inteira, composta por diversas nacionalidades, para um local tão vasto e inacessível como a África não foi uma conquista pequena. O produtor executivo Yoram Ben-Ami comentou: "Em Hollywood, se você precisa de um ator, adereço ou equipamento, tudo o que você faz é dar um telefonema. No Quênia, às vezes demorava dois dias para conseguir um telefone".

Algo que ajudou a aliviar os problemas de filmar em um local tão vasto foi o uso de três equipes de filmagem. Todos trabalharam simultaneamente, com o diretor John Guillermin e o produtor executivo Yoram Ben-Ami movendo-se de um local para outro para coordenar o que equivalia a três fases diferentes de produção acontecendo ao mesmo tempo.

Foi provavelmente o maior carregamento de animais de volta à África para um filme, e apenas obter todas as licenças necessárias para trazê-los para dentro e para fora do país era uma tarefa sobre-humana.

A logística foi ainda mais complicada pelo problema de comunicação entre o elenco e a equipe composta por pessoas de vários países diferentes. Havia pelo menos vinte e oito línguas diferentes no set em um determinado momento, com pessoas de quatorze países diferentes e grupos de nativos africanos, cada um com seu dialeto distinto.

Três atrizes interpretaram Sheena no filme. Kathryn Gant a interpretou quando criança, Kirsty Lindsay quando adolescente e Tanya Roberts quando adulta. Nas cenas que Sheena parece montar uma zebra, na verdade, é um cavalo usando “maquiagem” que lembra uma zebra.

Zebras não são animais adestrados, embora tentaram treinar duas, mas sem sucesso. A solução foi pintar os cavalos como se fossem zebras, uma artista plástica local chamada Davina ficou encarregada de tingir os cavalos. Por ser loira e jovem, ela acabou sendo dublê da atriz principal em uma cena de banho de cachoeira e também em uma das cenas de cavalgada (Sheena adolescente). Ao fim das filmagens, Davina comprou um dos cavalos e o usou em alguns ensaios fotográficos.

Além do filme lançado em 1984, Sheena também foi adaptada para outras produções de filmes e séries de televisão: "Sheena" (1955-1956), uma série de televisão em preto e branco que foi a primeira adaptação para a televisão. A série foi estrelada por Irish McCalla no papel principal e teve uma temporada com 26 episódios.

Outra série de televisão, lançada entre 2000 e 2002, foi outra adaptação de Sheena para os tempos modernos. Gena Lee Nolin interpretou Sheena, uma guerreira da selva que protege a vida selvagem. A série teve duas temporadas e um total de 35 episódios.

Uma nova tentativa de adaptação de Sheena para a televisão foi feita em 2016. Essa série foi desenvolvida pela Millennium Films e exibida no canal NBC. Contudo, foi cancelada após a exibição de apenas um episódio.

Apesar das críticas iniciais negativas, o clássico de 1984 se tornou cult e tem sido reavaliado ao longo do tempo. Muitos apreciam agora o charme camp e a estética exuberante da produção, além da presença cativante de Tanya Roberts como Sheena. É um filme belíssimo, bem-intencionado, com cenas de nudez incomuns e acima de tudo: não é todo dia que vemos um cavalo pintado de zebra...

Fato tão divertido quanto um filme que vi uma vez, Musaranhos Assassinos, onde, para imitar ratos gigantes, colocaram tapetes em cima de cachorros. E naturalmente, acharam que ninguém perceberia...

Sheena é considerada uma versão feminina de Tarzan. Acho uma ideia curiosa, já que há uma centena de versões do Tarzan, e não lembro de quase nenhuma. Já Sheena, para mim, sempre foi um filme inesquecível.  

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