GRITO DE HORROR (1981) - FILM REVIEW
Uivando
Texto: M.V.Pacheco
Revisão: Thais A.F. Melo
É comum no cinema, filmes com temas semelhantes, saírem no mesmo ano, ainda que tenham abordagens diferentes. Basta lembrarmos de casos como Armageddon e Impacto Profundo, Inferno de Dante e Volcano, Formiguinha Z e Vida de Inseto, Missão: Marte e Planeta Vermelho, além de, claro, Um Lobisomem Americano em Londres e Grito de Horror.
Na trama, Karen White (Dee Wallace) é uma repórter de televisão perseguida por um assassino em série chamado Eddie Quist. Ela se esconde em uma cidade do interior, mas a tranquilidade do local guarda um segredo assustador e sangrento.
Rick Baker estava originalmente designado para dar vida aos efeitos especiais deste filme, mas saiu para fazer Um Lobisomem Americano em Londres (1981), deixando o trabalho nas mãos do assistente Rob Bottin. Tanto este filme quanto o filme de John Landis receberam elogios por seu trabalho de maquiagem.
O filme foi dirigido por Joe Dante, conhecido por seu trabalho em filmes de terror e ficção científica, como "Gremlins" e "Piranha". Além de Dee Wallace, o elenco também inclui Patrick Macnee, Dennis Dugan e Christopher Stone.
A ambientação do filme é uma mistura de suspense, horror e humor ácido, característicos do estilo de Joe Dante. A trama se desenrola em um ambiente isolado, onde a sensação de paranoia e desconfiança prevalece. A combinação de cenas assustadoras, momentos de tensão e diálogos sarcásticos contribuem para criar uma atmosfera única.
Além dos elementos de terror, "Grito de Horror" também aborda temas mais profundos, como a dualidade humana e a repressão dos instintos mais primitivos. Os lobisomens no filme são retratados como uma metáfora para os desejos reprimidos e as pulsões animalescas que residem dentro de cada pessoa.
Assim como "Um Lobisomem Americano em Londres", "Grito de Horror" se tornou um clássico cult e influenciou outros filmes de lobisomem e do gênero de horror em geral. Sua abordagem mais sombria e realista dos lobisomens ajudou a revitalizar o interesse pelo tema e a estabelecer novos padrões para as transformações de monstros no cinema.
O filme foi baseado no romance de Gary Brandner, que foi o primeiro livro de uma trilogia. Embora o enredo tenha sido adaptado para a tela, o livro também é bastante apreciado pelos fãs do gênero de horror. A adaptação cinematográfica captura a essência sombria e assustadora do livro, mas também adiciona elementos visuais e narrativos únicos.
Os efeitos especiais desempenham um papel crucial no filme. As cenas de transformação de lobisomem são particularmente notáveis, com maquiagem e próteses impressionantes criadas por Rob Bottin, que também trabalhou em filmes como "O Enigma de Outro Mundo" (1982) e "RoboCop" (1987). As transformações são visceralmente realistas e contribuem para o impacto visual e assustador do filme.
Além dos elementos de horror e suspense, "Grito de Horror" contém comentários sociais e políticos sutis. O filme satiriza a indústria da televisão e a busca por sensacionalismo e audiência a qualquer custo. A personagem de Dee Wallace, Karen White, é uma jornalista em busca de uma história, mas acaba se envolvendo em algo muito mais obscuro do que imaginava. Essa crítica social adiciona camadas temáticas ao filme, além de seu aspecto de terror puro.
A trilha sonora de "Grito de Horror", composta por Pino Donaggio, contribui para a atmosfera tensa e arrepiante do filme. As composições musicais se alternam entre momentos sutis e melancólicos e picos de intensidade, acentuando as cenas de suspense e terror.
Trilogia literária
A trilogia de livros de "Grito de Horror" escrita por Gary Brandner é composta pelos seguintes títulos:
"The Howling" (1977) - O primeiro livro, que serviu de base para o filme, segue a história de Karen White, uma jornalista atacada por um serial killer. Ela e seu marido buscam refúgio em um retiro isolado chamado "The Colony", apenas para descobrir que os residentes são lobisomens. O livro explora a luta de Karen para sobreviver e enfrentar a verdade sobre as criaturas que a cercam.
"The Howling II" (1979) - No segundo livro da trilogia, Karen White já faleceu, mas sua irmã, Grace, recebe uma mensagem de um estranho que alega que Karen não está morta e que ela se tornou uma lobisomem. Determinada a descobrir a verdade, Grace embarca em uma jornada perigosa para investigar a existência de uma seita de lobisomens e resgatar sua irmã. O livro explora a mitologia dos lobisomens e a batalha entre o bem e o mal.
"The Howling III: Echoes" (1985) - No terceiro livro, a trama se afasta dos eventos anteriores e se passa na Austrália. A história apresenta uma variedade de personagens e situações relacionadas a lobisomens, incluindo uma atriz em ascensão que descobre ser uma lobisomem, um professor de ciências que estuda a genética dos lobisomens e uma tribo de aborígenes com um segredo ancestral. O livro explora diferentes aspectos da mitologia dos lobisomens e suas conexões com a história e a cultura australiana.
Cada livro da trilogia de "Grito de Horror" expande o universo dos lobisomens criado por Gary Brandner, explorando novos personagens, locais e mitologias relacionadas a essas criaturas. Cada livro pode ser lido de forma independente, mas juntos eles oferecem uma visão mais abrangente e rica desse mundo de horror.
Perrengue e curiosidades curiosas
A transformação final teve que ser feita em close-up porque o filme já havia ultrapassado o orçamento, e teve que ser filmado no escritório de Joe Dante porque eles não tinham mais dinheiro para os sets.
O legista conta a história de um "caso" chamado Stuart Walker. Stuart Walker foi o diretor de O Lobisomem de Londres (1935), o primeiro filme de lobisomem de Hollywood da era sonora.
O diretor Joe Dante foi muito crítico em relação ao livro em que este filme se baseia, ele deu muitas entrevistas falando sobre como o livro não era muito bom e como eles o melhoraram neste filme. Um dia, no Hollywood Scriptwriting Institute para uma palestra, Dante começou a falar e a falar mal do livro.
Um homem levantou a mão da plateia e disse: “Então vocês não gostam do livro, hein?” e Dante respondeu: "Bem, não, na verdade, não", ao que o homem na plateia respondeu: "Porque eu escrevi aquele livro", o homem na plateia não era outro senão Gary Brandner, o autor. Foi constrangedor.
Ao lado de Adrienne Barbeau, Jamie Lee Curtis e Kimberly Beck, Dee Wallace foi uma das rainhas do grito da época. Wallace estrelou três filmes clássicos de terror do final dos anos 1970 - início dos anos 1980; Cujo (1983), Grito de Horror (1981) e Quadrilha de Sádicos (1977).
A participação especial de Roger Corman (do lado de fora, de costas para a cabine telefônica, enquanto o personagem de Dee Wallace está lá dentro) é uma homenagem à participação especial semelhante de William Castle em "O Bebê de Rosemary", enquanto Rosemary (Mia Farrow) também está no telefone público.
Juntamente com Um Lobisomem Americano em Londres (1981), o filme foi o estopim de um ciclo de lobisomens no cinema, que inclui Lobos (1981), O Garoto do Futuro (1985), Grito de Horror 2 (1985), O Garoto do Futuro 2 (1987), A Companhia dos Lobos (1984), Grito de Horror 3 (1987), A Hora do Lobisomem (1985).
A animação stop-motion do filme foi inteiramente feita por David W. Allen (1944-1999). Allen trabalhou principalmente como animador de comerciais de televisão até meados da década de 1970. Ele então fez efeitos de stop-motion para vários filmes de ficção científica e terror e, eventualmente, criou sua própria produtora.
Raio-x
Não vejo sentido em propor um "x1" entre os filmes Grito de horror e Um Lobisomem Americano em Londres, afinal, são abordagens diferentes trazendo experiências diferentes. Mas como foram lançados no mesmo ano, fica inevitável compará-los.
Neste sentido, Grito de Horror perde em tudo. Do lobisomem bípede à abordagem mais psicológica, passando por uma cena de transformação não tão incrível e uma história que parece confusa, ainda que seja apenas complexa.
Porém, não há necessidade de depreciar um em detrimento do outro. Ambos podem ser cultuados, mesmo que um deles seja sempre o favorito.

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