RETROCEDER NUNCA, RENDER-SE JAMAIS (1986) - FILM REVIEW
A importância de um ídolo.
Em tempos de figuras disfuncionais como os influenciadores digitais, nós esquecemos como é fundamental ter um ídolo. Quando eu jogava bola, assistia jogos do Romário, Bebeto, Maradona, e me inspiravam a ter melhores momentos durante as partidas. E sempre aconteciam.
Os ídolos desempenham um papel importante, principalmente em 4 pontos: Inspiração e Motivação, podendo ser um exemplo de superação, dedicação e sucesso, incentivando alguém a seguir seus sonhos; Referência de Valores, já que podem ser um espelho de valores que desejam cultivar, como honestidade, disciplina e coragem; Conexão Emocional, pois eles criam um senso de pertencimento, especialmente em comunidades de fãs que compartilham interesses e paixões; e por fim, aprendizado e desenvolvimento, seja na música, no esporte, na arte ou em qualquer outra área, admirar alguém pode levar ao desejo de aprimorar habilidades e conhecimentos.
Em Retroceder Nunca, Render-se Jamais (um dos títulos mais incríveis de serem usados por uma pessoa como eu, persistente), Jason Stillwell (Kurt McKinney) é um fã de Bruce Lee e jovem aprendiz de artes marciais. Após seu pai negar participar de uma gangue de criminosos (e ser machucado por isso), eles se mudam de cidade, onde Jason encontrará mais problemas. Mas Jason encontra ajuda no espírito de Bruce Lee e com ele, uma chance de redenção para seu pai.
80 raiz
O filme é um típico filme adolescente dos anos 80, o que pode surpreender negativamente os fãs de Jean Claude Van Damme, aqui em um dos papéis iniciais da sua carreira, como o vilão Ivan. O realizador Corey Yuen (que foi co-diretor em Jogo da morte 2, com Bruce Lee) fez alguns filmes populares de Jet Li. Curioso que, numa rápida olhada em sua filmografia, eu pensava que ele tinha dirigido vários filmes populares da época, mas na realidade, foi só este.
As cenas com o espírito de Bruce Lee foram filmadas com Tae-jeong Kim e Kurt McKinney falando línguas diferentes. A voz de Kim foi dublada para o inglês mais tarde. Os atores liam cartões de sugestão atrás das câmeras e não sabiam o que estavam dizendo um ao outro. Kim foi dublê de Bruce Lee em Jogo da Morte (1978) e Jogo da Morte 2 (1980).
Kurt McKinney soube das audições por meio de um aviso no extinto jornal Drama-Logue. Quando chegou ao estúdio, o personagem principal era o único papel restante. Ele foi escalado imediatamente após sua audição. Curiosamente, ele foi aceito no Departamento de Polícia de Los Angeles no mesmo dia em que foi escalado para o papel. Ele recusou uma oportunidade de se tornar um policial para seguir a carreira de ator.
Jason chama o fantasma de Bruce Lee de "Lee Dai Goh", "Big Brother Lee" em cantonês. Em uma cena roteirizada, mas não filmada, RJ acidentalmente tropeça em Scott no refeitório da escola, fazendo com que Scott derrame sua comida. Isso explicaria por que Scott odiava RJ.
Aliás, JW Fails (RJ) estava tão determinado a ser escalado que mentiu para os cineastas sobre ser capaz de dançar break e andar de skate. Mas, no final, seus passos de dança e cenas de skate foram realizados por um dublê.
Kurt McKinney não queria fazer a façanha do "pé em uma corda enrolada". Corey Yuen insistiu e foi bem-sucedido no final. Repare que nos primeiros chutes, que ele erra e cai, não há dublês na cena.
Muitos membros do elenco de apoio eram verdadeiros artistas marciais, incluindo Ron Pohnel, Dale Jacoby, Peter Cunningham, Tae-jeong Kim, Farid Panahi, Mark Zacharatos e Ty Martinez. Muitos estavam fazendo sua estreia no cinema. Strandberg mais tarde abriu uma escola para treinar atores e artistas marciais para lutar na tela.
Bug Damme
Este foi o segundo papel creditado de Jean-Claude Van Damme em um filme teatral. Seu primeiro foi em Monaco Forever (1984).
Van Damme nocauteou Peter Cunningham duas vezes com um chute giratório enquanto filmavam a cena de luta. Na primeira vez, Van Damme saiu do personagem e perguntou a Cunningham se ele estava bem, e o diretor Corey Yuen gritou com Van Damme.
Na primeira sequência de combate, Jean-Claude pulou do ombro de outro vilão para executar um chute voador. Era para atingir o peito superior de Timothy D. Baker, mas Van Damme repetidamente atingiu Baker no rosto, joelho e garganta.
Baker mais tarde apareceu como uma testemunha de caráter contra Van Damme em um processo movido por Jackson 'Rock' Pinckney, alegando que os chutes mal-executados foram em grande parte devido ao descuido da parte de Van Damme, e que eles continuaram mesmo depois que Corey Yuen disse a Van Damme para ser mais cuidadoso.
Início de carreira não é fácil. E Van Damme foi percebendo por situações assim. Na cena em que cai do ringue, ele realmente caiu de costas e sentiu muita dor. Na época das filmagens, o carro do ator estava em mau estado. No final dos dias de produção, Van Damme frequentemente pedia aos membros do elenco para empurrar o veículo para ajudar a dar partida no motor.
Parabéns, muito ruim. Mas afinal, retroceder nunca, render-se jamais, não é?
Delay: dando vida ao filme.
Após passar um ano em Taiwan no início da década de 1980, o roteirista Keith W. Strandberg despertou seu interesse em atuar em filmes de artes marciais. De volta aos Estados Unidos, tornou-se diretor de turnê na China, o que lhe permitiu continuar visitando Hong Kong para estabelecer contatos com produtores e roteiristas.
Após receber diversas recusas de estúdios, incluindo a Shaw Brothers, Strandberg leu sobre a Seasonal Film Corporation e entrou em contato com seu chefe, Ng See-yuen. Ng demonstrou interesse em produzir um filme americano e questionou se Strandberg tinha experiência com roteiros; ele afirmou que sim, apesar de não ter.
Um ano depois, Ng procurou Strandberg nos Estados Unidos e o convidou para escrever um roteiro. O resultado foi o primeiro esboço do que viria a ser Retroceder nunca, render-se jamais. Durante as filmagens, Strandberg permaneceu no set, dedicando horas todas as noites para revisar e aprimorar o roteiro conforme a produção avançava.
O filme foi filmado em 1984, mas foi lançado em 2 de maio de 1986. Originalmente, a Thorn EMI Screen Entertainment distribuiria este filme, House, Jake Speed, Godzilla 1985, mas no mesmo dia em que foi lançado nos EUA, a Cannon comprou a Thorn EMI Screen Entertainment e a Cannon abandonou o acordo herdado da Thorn EMI para distribuir os filmes da New World Pictures no Reino Unido, juntamente com uma série de outros acordos, levando esses filmes posteriores a irem para a Entertainment, o que levou a Entertainment in Video a lançar o selo New World Video no Reino Unido.
80 raiz
Como eu disse acima, o filme é anos 80 raiz, e a propaganda da Coca-Cola rende um momento impagável. Na sequência da primeira aula de Bruce Lee a Jason, ele compara o seu conhecimento a um copo de Coca-Cola cheio, enquanto que o de Jason, um copo d'água. O filme, literalmente, induz você inconscientemente a pensar que a Coca é mais importante que a água.
E se pensarmos que os ídolos influenciam, o filme está apenas fazendo seu papel.
A mensagem do filme, sobre a força de influência de um ídolo, transcende, mostrando como os ídolos são importantes peças motivacionais, mas acima de tudo, são humanos, gente como a gente. Quando olhamos o quanto Van Damme influenciou na época a garotada ávida em aprender lutas e, em contrapartida, sua trajetória posterior, envolvendo vícios com drogas, percebemos como um ídolo deve ser idolatrado apenas em parte, pois nem sempre suas vidas são exemplos genuínos a serem seguidos.
Mas afinal, quem é?

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