ROB BURMAN - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS
Rob Burman, nascido em 14 de outubro de 1962, é um renomado artista de efeitos de maquiagem, conhecido por seu trabalho em vários filmes e programas de TV. Ele trabalhou em projetos como Star Trek: Deep Space Nine, Babylon 5 e Arquivo X, entre outros. Burman vem de uma família com uma longa história na indústria cinematográfica, com seu pai Ellis Burman Jr. e seu avô, Ellis Burman Sr., também sendo proeminentes artistas de maquiagem.
Ele ajudou a criar efeitos de maquiagem de filmes como O Ataque dos Vermes Malditos (1990), O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991), Batman o Retorno (1992) e claro, O Enigma de Outro Mundo (1982).
1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS e DVD que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.
R.B.: Como artista de terceira geração na indústria, manteve minha família alimentada e vestida desde "O Lobisomem", de 1941, em que meu avô fez a bengala usada para matá-lo no final. Trabalho desde aproximadamente 1979.
M.V.: Uau! Que incrível. É interessante que justamente a bengala foi escolhida como adereço mostrado no pôster do remake. Quem era seu avô?
R.B.: Ellis Burman. Ele tem um ótimo trabalho no meio-oeste americano.
M.V.: Que incrível. Ele fez também A Alma de Frankenstein (1942) e Sherlock Holmes e a Mulher Aranha (1943) que adoro.
2) Quem foram seus primeiros mentores e inspirações?
R.B.: Quanto às influências externas, Frazetta, Vallejo, Froud. Livros que meu pai tinha em sua loja. Patologia Forense também. Mas meu pai foi minha principal influência desde o início. Meu pai teve John Chambers como mentor, então isto me influenciou bastante.
Não iniciei meu trabalho como fã de cinema. Fui freelancer e só aí me descobri na profissão. Aprendi mais sobre o passado e como as coisas eram feitas depois de estar no jogo.
3) Fazer cinema envolve muitas variáveis. Esforço, investimento, paixão, talento... E a sinergia destes elementos faz o resultado. Qual trabalho em sua carreira considera o melhor?
R.B.: Os destaques seriam os filmes que mais gosto do resultado final. Os Caça-Fantasmas, O Enigma de Outro Mundo, Goonies, A Mosca, O Garoto do Futuro, Power Rangers… e todos por vários motivos diferentes.
M.V.: Há algum que se arrependeu? Ou mesmo faria diferente...
R.B.: Eu gostaria de nunca ter me envolvido com Adrenalina (2006). Não foi uma boa experiência para mim. Eu não fui nem creditado. Alguns outros pequenos trabalhos que fiz em comerciais onde realmente não tinha tempo, mas fiz isso como um favor, e eles foram fracos. Essas coisas nunca são divertidas.
4) Trabalhou em "O Enigma de Outro Mundo", de John Carpenter, "Os Caça-Fantasmas", de Ivan Reitman, "A Mosca", de David Cronenberg, e "O Exterminador do Futuro 2", de James Cameron. Que contribuições você fez para essas produções?
R.B.: Para cada um desses projetos, fui principalmente o técnico de espuma de látex. Tudo o que fiz no filme T2 foi ajudar o departamento de espuma de látex por uma semana, resolvendo alguns problemas que eles estavam enfrentando. Nos outros, eu era o chefe de departamento. Tudo que era de borracha ou poliuretano, eu fazia.
Na "Mosca" eu também fui criador e fabricante de moldes, construindo coisas como as peles que separavam a criatura da transformação final.
5) "O Enigma de Outro Mundo" se tornou uma referência em muitos filmes de alienígena e terror, até mesmo na atualidade. Sempre vejo referências ao filme em outras produções. Você tinha ideia naquela época de que se tornaria um cult movie? Ou que o filme e as criaturas se tornariam presenças tão vivas no imaginário popular?
R.B.: Eu sabia que seria estranho. Como nada parecido havia sido feito antes, ninguém sabia como seria. Se funcionasse, definitivamente seria único. De fato foi, mas estas coisas são imprevisíveis. Há momentos em que bons trabalhos não são tão reconhecidos, então, só fazemos nosso melhor.
Mas "O Enigma de Outro Mundo" é provavelmente o auge dos efeitos de ação "ao vivo" no cinema.
M.V.: Algo que sempre gostei no filme é de como ele não tem medo de mostrar suas criaturas. Sinto a todo tempo que elas têm personalidade e tanta presença quanto os personagens humanos. O medo em "O Enigma de Outro Mundo" também ocorre pela visualização das ameaças e, para mim, esse é um dos pontos que mais gosto do filme. Foi uma escolha consciente tornar os monstros tão presentes? Ou foi acontecendo?
R.B.: (Rob) Bottin foi um verdadeiro inventor e pensava em todos eles como personagens individuais, mais do que apenas como eventos do filme. Foi consciente? Eu realmente não sei. Acho que o talento é assim. Fazemos as coisas e o resultado pode ser maior que a soma dos esforços.
M.V.: Ainda sobre monstros de outros planetas... Como era sua visão sobre alienígenas antes do filme? Ela mudou depois de trabalhar nele?
R.B.: Sempre pensei que, percebendo o infindável tamanho do universo, quase tudo é alienígena. Então não, minha visão com o filme não mudou tanto, mas adicionou outra variante às possibilidades.
6) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e, às vezes, engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Se lembra de alguma história que tenha acontecido durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar? Em especial, "Enigma do outro mundo", de que sou fã.
R.B.: Certa noite, quando eles estavam filmando a cena em que a cabeça de Norris se estende para fora da mesa, eles fizeram uma primeira tomada e bombeamos gosma e outras coisas enquanto o equipamento era operado. Na segunda tomada, como estavam filmando em meio às chamas, eles acenderam uma barra de fogo bem na frente, mas embaixo, da câmera.
Quando eles acenderam, uma coisa estranha aconteceu. Toda a “gosma” era à base de solvente e a sala estava cheia de fumaça. Assim que a barra foi acesa, tudo virou uma bola de fogo… e não tinha nenhum responsável pela segurança e prevenção contra incêndio no local, nada. Nós conseguimos apagar bem rápido, mas o efeito precisava ser corrigido para filmarmos no dia seguinte, ou tudo poderia explodir de novo.
7) Para finalizar, deixe uma frase ou pensamento envolvendo o cinema que representa você.
R.B.: “Não preste atenção naquele homem atrás da cortina”. Mágico de Oz.
M.V.: Muito obrigado, amigo, foi uma honra.
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