AKIRA KUROSAWA - 10 FILMES ESSENCIAIS
Akira Kurosawa (1910–1998) foi um dos cineastas mais influentes da história do cinema e um verdadeiro elo entre o Japão e o Ocidente. Iniciou sua carreira nos anos 1940 e construiu uma filmografia marcada por rigor formal, profundidade humanista e um domínio absoluto da linguagem cinematográfica. Seus filmes exploram temas como honra, poder, moralidade, caos social e a fragilidade do ser humano, frequentemente ambientados em períodos históricos turbulentos do Japão feudal, mas sempre com ressonância universal.
Com uma mise-en-scène precisa, uso expressivo do movimento, da chuva, do vento e da composição em profundidade, Kurosawa redefiniu o cinema de ação, o épico histórico e o drama psicológico. Obras como Rashomon, Os Sete Samurais e Yojimbo influenciaram diretamente cineastas como George Lucas, Sergio Leone, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola, além de gerar incontáveis refilmagens e releituras no cinema ocidental. Mais do que um mestre técnico, Kurosawa foi um pensador visual, alguém que acreditava no cinema como forma de reflexão ética e expressão artística total.
Boa sessão:
Japão, século XVI. Hidetora (Tatsuya Nakadai), o poderoso chefe do clã dos Ichimonjis, decide dividir seus bens entre os três filhos: Taro Takatora (Akira Terao), Jiro Masatora (Jinpachi Nezu) e Saburu Naotora (Daisuke Ryu). Com o primeiro fica a chefia do feudo, as terras e a cavalaria. Os outros dois ficam com alguns castelos, terras e o dever de ajudar e obedecer Taro. Saburu, prevendo as desgraças que viriam, se mostra contrário à decisão paterna. Expulso do feudo e acaba sendo acolhido por Nobuhiro Fujimaki (Hitoshi Ueki), de quem se torna genro. Hidetora vai ao seu antigo castelo, que agora é de Taro, e não é bem recebido. O mesmo acontece ao visitar Jiro e, isolado em seu ex-império, Hidetora se aproxima da insanidade.
No Japão do século XIX, Sanjuro (Toshirô Mifune), um samurai errante, entra em uma pequena cidade rural. Ao descobrir pelo estalajadeiro que a cidade é dividida em duas gangues, Sanjuro coloca os dois lados em confronto, mas quando Unosuke (Tatsuya Nakadai), filho de um dos bandidos, chega à cidade com um revólver, os esforços de Sanjuro ficam difíceis e ele sai da cidade. Porém, ao descobrir que Unosuke sequestrou o estalajadeiro, o samurai retorna a cidade para confrontá-lo.
A história conta a saga de dois camponeses, Tahei e Matashichi (Minoru Chiaki e Kamatari Fujiwara) que fogem da destruição causada por uma batalha. No caminho, eles encontram o general Rokurota Makabe (Toshirō Mifune) que está escoltando a princesa de uma família nobre e suas riquezas para um lugar seguro. Os camponeses passam a acompanhar o general e a princesa, pensando em roubar o ouro. Numa pousada, eles compram de um traficante de escravos a filha de um fazendeiro (Toshiko Higuchi). O grupo então segue seu caminho em território inimigo, buscando um lugar onde a princesa e o general possam reconstruir um exército para retomar suas terras perdidas.
Japão. Yoshiteru Miki (Akira Kubo) e Taketori Washizu (Toshirô Mifune) são os comandantes do primeiro e do segundo castelo de um reino local, cuja sede fica no Castelo das Teias de Aranha. Após defenderem seu senhor em batalha, eles estão retornando para casa quando encontram um espírito que prediz o futuro de ambos. Ele diz que Washizu em breve assumirá o trono que o filho de Miki, Yoshaki (Minoru Chiaki), o sucederá. Ao retornar para casa, Washizu comenta a predição com a esposa, lady Asaji (Isuzu Yamada). Ela acredita no que o espírito disse e incentiva o marido a agir quando o atual rei chega em seu castelo, para passar a noite.
No século XVI, durante a era Sengoku, quando os poderosos samurais de outrora estavam com os dias contados, pois eram agora desprezados pelos seus aristocráticos senhores (samurais sem mestre eram chamados de "ronin"). Kambei (Takashi Shimura), um guerreiro veterano sem dinheiro, chega em uma aldeia indefesa saqueada repetidamente por ladrões assassinos. Os moradores do vilarejo pedem sua ajuda, fazendo com que Kambei recrute seis outros ronins, que concordam em ensinar os habitantes como devem se defender em troca de comida. Os aldeões dão boas-vindas aos guerreiros e algumas relações começam. Katsushiro (Ko Kimura) se apaixona por uma das mulheres locais, embora os outros ronins mantenham distância dos camponeses. O último dos guerreiros que chega é Kikuchio (Toshiro Mifune), que finge estar qualificado, mas na realidade é o filho de um camponês que almeja aceitação.
Kanji Watanabe (Takashi Shimura) é um veterano burocrata que há décadas trabalha diariamente fazendo nada na Prefeitura. Ao descobrir que está com câncer no estômago, ele decide dar um sentido à sua até então desperdiçada vida. Ele encontra companhias na noite e durante o dia, mas se realiza apenas quando realmente faz a diferença em seu trabalho.
Com O Idiota, Kurosawa utiliza um texto de Dostoiévski. Na história, Kameda viaja para Hokkaido, onde se envolve com duas mulheres, Taeko e Ayako. Taeko passa a amar Kameda, mas esta é amada por Akama. Quando Akama percebe que nunca terá Taeko, seus pensamentos viram-se para o assassinato, e uma grande tragédia se monta.
O filme descreve um estupro e assassinato através dos relatos amplamente divergentes de quatro testemunhas, incluindo o próprio criminoso e, por meio de um médium (Fumiko Honma), a própria vítima. A história se desvela em flashbacks conforme os quatro personagens — o próprio bandido (Toshiro Mifune), o samurai assassinado Kanazawa-no-Takehiro (Masayuki Mori), sua esposa Masago (Machiko Kyō) e o lenhador sem nome (Takashi Shimura) — recontam os eventos de uma tarde em um bosque. Mas é também um flashback em um flashback, porque os relatos das testemunhas são recontados por um lenhador e um sacerdote (Minoru Chiaki) para um grosseiro plebeu (Kichijiro Ueda) enquanto eles esperam por uma tempestade em uma portaria arruinada.
Murukami, um jovem investigador de homicídios, é roubado em um ônibus e perde sua pistola. Ele começa uma busca insana atrás de sua preciosa arma, sem sucesso, até receber a ajuda de um sábio e mais experiente detetive chamado Sato. Só que as razões para tudo ficam mais sensíveis e dramáticas quando Murukami descobre que o ladrão só entrara para esse perigoso mundo do crime pelo desespero da necessidade humana. Clássico noir do mestre Akira Kurosawa, que redefiniu o padrão de filmes policiais japoneses.
Um doutor alcoólatra no Japão pós-guerra trata o jovem Matsunaga após uma batalha armada com um sindicato rival. O doutor dá ao jovem gângster o diagnóstico de tuberculose, e o convence a começar um tratamento. Os dois aproveitam uma constrangedora amizade até que o patrão inicial do gângster é liberto da prisão e sai em busca dos antigos membros da gangue para reunir seu grupo novamente.
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