PAULO REIS - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS
Paulo Rego Reis nasceu no Rio de Janeiro em 1952. Filho de um oficial do exército e de uma secretária, viveu parte da adolescência nos Estados Unidos, onde estreou nos palcos aos 12 anos. De volta ao Brasil, ingressou no Teatro Tablado em 1972, estudando com Maria Clara Machado e atuando em diversas montagens.
Em 1977, fundou o grupo Unidos da Ribalta, que se destacou por levar teatro a comunidades cariocas. Entre 1979 e 1984, dirigiu o grupo Pessoal do Despertar, revelando nomes como Miguel Falabella, Zezé Polessa e Maria Padilha. Foi reconhecido com o Troféu Mambembe por suas montagens inovadoras de clássicos como O despertar da primavera e A tempestade.
Atuou internacionalmente como assistente na Royal Shakespeare Company, e foi diretor artístico do Teatro Villa-Lobos. A partir de 1984, começou a trabalhar também na televisão, inicialmente como assistente de direção e depois como co-diretor de séries e minisséries.
Vamos às 7 perguntas capitais:
1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS e DVD que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.
P.R.: Sou apaixonado por cinema desde que comecei, levado pela minha mãe, ainda aos três anos de idade, a ver os desenhos de Tom & Jerry nas matinês dominicais do antigo cinema Metro na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, e nunca mais parei de assistir a filmes. Na adolescência morei nos Estados Unidos, e lá curtia dois ou três por semana, muitos deles geniais, que acabaram virando clássicos.
Já o pior que vi, nem lembro o nome, foi aqui mesmo, nos primórdios da TV a cabo: um personagem ia matando os demais, até que só sobrava ele próprio, mas como ainda restava muito tempo de exibição a cumprir, a produção emendou um segundo filme no primeiro, só que com cenários, trama e personagens diferentes, a ponto de ninguém conseguir entender coisa alguma. Também vivi a onda das locadoras, maratonando fins de semana inteiros diante do videocassete. E hoje em dia temos as séries, para quem é viciado em histórias audiovisuais, como quase todo mundo...
2) "Nossas vidas são definidas por oportunidades, mesmo as que perdemos", diria Benjamin Button. Pensando nesta reflexão, quais caminhos te levaram a ser ator?
P.R.: Não sei ao certo: aos cinco anos de idade, estreei no palco do Teatro Municipal do Rio de Janeiro como um lagarto verde-amarelo em um balé escolar; depois, no Colégio de Aplicação da Lagoa, no que hoje seria o sexto ano do ensino fundamental, o teatro foi a matéria opcional que escolhi.
Nos Estados Unidos, aos treze anos de idade, tive uma professora inglesa que dirigiu uma montagem de Hamlet com sua turma de jovens alunos, onde me coube apenas o fantasma do pai, por causa do meu domínio ainda precário de inglês, mas no ano seguinte fiz o papel do Chefe dos Ladrões em uma montagem de Ali Babá; já de volta ao Brasil, pensei em um dia vir a ser diretor de cinema, mas me aconselharam a primeiro fazer o curso do Tablado com Maria Clara Machado, e dizem que você pode até sair do Tablado, mas o Tablado nunca sai de você...
3) O seu trabalho tem uma longevidade notável. Diria até invejável por muitos. Atuou no marcante ciclo de novelas nos anos 80/90 como Tieta, Kananga do Japão, Rainha da Sucata, Vale Tudo, Vamp. Já nos anos 2000, fez sucessos como Senhora do Destino, Insensato Coração, Cobras & Lagartos, Kubanacan. E recentemente, algumas séries que adorei como Arcanjo Renegado, A Divisão e Lúcia McCartney. Como foi atravessar décadas tão diferentes, em que o mundo mudou radicalmente, e continuar trabalhando em papéis marcantes?
P.R.: Foi, e ainda é, maravilhoso. Tenho cinquenta anos de carreira e só vou parar quando for obrigado. Claro que os papéis vão escasseando com a idade, porque a ficção espelha a vida, mas isso torna ainda mais precioso cada personagem que aparece a esta altura. Nós, seres humanos, somos muito adaptáveis. Hoje sou ator, diretor e autor. Na verdade, eu não trabalho para viver, eu vivo para trabalhar...
4) Fazer cinema envolve muitas variáveis. Esforço, investimento, paixão, talento... E a sinergia destes elementos faz o resultado. Qual trabalho em sua carreira considera o melhor?
P.R.: É mais fácil responder qual marcou mais, ou quais marcaram mais: Olavo de Vale Tudo, Rattan da Princesa Xuxa & Os Trapalhões, e Eldade dos Dez Mandamentos.
M.V.: Em contrapartida, algum arrependimento? Ou mesmo, algum trabalho que faria diferente?
P.R.: Já um que com certeza eu hoje faria de outra forma seria o Ernani de Amor Sem Igual, porque não me preparei adequadamente para o trabalho, e no nosso ofício - como em quase todos os outros - o grau de preparação é meio caminho andado para o sucesso ou o fracasso...
5) Algumas profissões rendem histórias interessantes e curiosas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Se lembra de alguma história divertida que tenha acontecido durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar?
P.R.: Como meu rosto e minha voz são marcantes, mas não meu nome, muita gente me conhece apenas como aquele ator, a ponto de, durante certa época, eu ter pensado em passar a assinar Hakele Hathor... De vez em quando também sou confundido com meu querido e admirável colega Roberto Pirilo, e já dei muitos autógrafos em nome dele, para não contrariar qualquer fã...
6) Com relação às suas preferências cinematográficas, há uma lista dos filmes de sua vida? Um Top 10 ou mesmo, o filme mais importante?
P.R.: O Boulevard do Crime (1945), Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964), A Bela da Tarde (1967), 2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), O Poderoso Chefão (1972), Blade Runner (1982), Central do Brasil (1998), Shakespeare Apaixonado (1998), Cidade de Deus (2002) e Coringa (2019).
7) Para finalizar, deixe uma frase ou pensamento envolvendo o cinema que representa você.
P.R.: Uma frase: "Cinema é sonho..."
Um pensamento: "Ver um filme é assistir a uma história tribal narrada em torno de uma fogueira eletrônica..."
M.V.: Muito obrigado amigo.

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