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VINCENTE DISANTI - RESPONDE ÀS 7 PERGUNTAS CAPITAIS

 

Cineasta natural de South Coast, Massachusetts, Vincente DiSanti formou-se em Produção e Edição de Filmes pela Worcester State University. Iniciou a carreira em animação, colaborando em longas como Free Birds, Rock Dog e Duck, Duck Goose. Em 2016, fundou a produtora Womp Stomp Films, destacando-se no cinema independente com Never Hike Alone e suas sequências, além de projetos como Jason Rising e Dylan's New Nightmare. Com experiência em produções como The Rookie e American Horror Stories, também atua como 1º assistente de direção e mentor de cineastas na Nova Inglaterra, sempre focado em contar histórias que criem conexão com o público.

E hoje, com vocês, Vincente DiSanti.

Boa sessão:


1) É comum lembrarmos com carinho do início da nossa relação com o cinema. Os filmes ruins que nos marcaram, os cinemas frequentados (que hoje, provavelmente, estão fechados), as extintas locadoras de VHS e DVD que faziam parte do nosso cotidiano. Você é um apaixonado por cinema? Conte um pouco de como é sua relação com a 7ª arte.

V. D.: Como muitas pessoas, fui atraído pelo cinema e pela televisão desde muito jovem. Eu era uma criança inquieta, com uma imaginação enorme, e os filmes me ofereciam um lugar para canalizar essa energia, um mundo onde eu podia escapar e me imaginar ao lado dos personagens na tela, vivendo suas aventuras. Existe algo incrivelmente poderoso na forma como um filme pode te fazer sentir, especialmente quando você é jovem e tudo te atinge com uma força emocional enorme.

Conforme fui crescendo, minha curiosidade sobre o que acontecia por trás das câmeras começou a aumentar. Eu me pegava pensando: “Como eles conseguem fazer isso acontecer?” Essa pergunta despertou em mim um amor ainda mais profundo pelo cinema e, eventualmente, me levou a seguir um caminho profissional nessa área. 

Ver um filme nascer de uma ideia simples, talvez um rabisco em um caderno ou uma frase escrita em um guardanapo, e se transformar em algo que conecta pessoas ao redor do mundo é uma experiência incrível. Isso só é possível graças à paixão e dedicação de muitas pessoas trabalhando juntas para dar vida a uma história.

2) "Nossas vidas são definidas por oportunidades, mesmo as que perdemos", diria Benjamin Button. O caminho até o eventual sucesso não é fácil, principalmente na concorrida indústria cinematográfica. Conte como foi seu início de carreira.

V. D.: Trabalho na indústria cinematográfica há mais de 17 anos. Durante esse tempo, já exerci várias funções: comecei como assistente de produção, depois trabalhei na gestão de filmes de animação e também passei um tempo nos sets como assistente de direção. Cada experiência me ensinou algo diferente sobre a arte e o processo colaborativo de fazer cinema.

Eventualmente, reuni todo esse conhecimento para criar minha própria produtora, a Womp Stomp Films, como uma forma de contar os tipos de histórias pelas quais sou apaixonado e fazer os filmes que eu gostaria de ver.

Desde que fundei a Womp Stomp Films em 2016, passei os últimos nove anos equilibrando minha carreira na indústria com a produção e direção de filmes independentes, principalmente voltados para fãs de terror e gênero. Tem sido um desafio recompensador manter esse equilíbrio, permitindo que eu cresça criativamente enquanto continuo desenvolvendo projetos significativos tanto dentro quanto fora do sistema tradicional de estúdios.

3) Com relação às suas preferências cinematográficas, há uma lista dos filmes de sua vida? Um Top 10 ou mesmo o filme mais importante?

V. D.: Tenho um amor profundo por filmes de gênero, especialmente terror, ficção científica e ação. Então, qualquer coisa relacionada a Sexta-Feira 13, Godzilla, Predador ou Batman, seja boa ou ruim, geralmente acaba na minha lista de filmes assistidos.

Cresci assistindo clássicos como A Volta dos Mortos-Vivos, A Pequena Loja dos Horrores, Tubarão, Creepshow, O Massacre da Serra Elétrica, A Hora do Pesadelo, Palhaços Assassinos e Prelúdio Para Matar. 

Também gosto muito de filmes de ação e suspense mais realistas, como Rambo: Programado Para Matar, Duro de Matar, Fogo Contra Fogo, Ruína Azul, Rebel Ridge, Operação Invasão e Upgrade. E, claro, existem aqueles filmes atemporais dos quais nunca me canso, como Rocky, O Resgate do Soldado Ryan, O Pagamento Final, Forrest Gump, Um Sonho de Liberdade, O Planeta dos Macacos e Três Homens em Conflito.

4) Algumas profissões rendem histórias interessantes, curiosas e, às vezes, engraçadas. E certamente, quem trabalha com cinema, tem suas pérolas. Se lembra de alguma história que tenha acontecido durante a execução de algum trabalho seu e que possa compartilhar?

V. D.: Jamais vou esquecer da produção de "Never Hike in the Snow". Fizemos a preparação na Floresta Nacional de San Bernardino, no inverno de 2019, e planejamos todo o filme em torno da ideia de colocar Jason Voorhees em um cenário com neve, algo que nunca tinha sido feito antes.

Mas, quando chegou a hora de filmar, um ano depois, a região estava enfrentando uma seca e não havia praticamente neve alguma. Depois de meses de preparação, parecia que nosso conceito central ia simplesmente desmoronar.

Então, poucos dias antes da filmagem, recebemos a notícia de uma possível tempestade. E, de fato, às 4 da manhã do nosso primeiro dia, começou a nevar. Acordei os atores principais e uma pequena equipe, e corremos para capturar as cenas antes do nascer do sol. Às 8 da manhã, a neve já tinha derretido, mas conseguimos gravar boa parte da sequência de abertura nessas primeiras horas.

O que veio depois foi um fim de semana completamente insano, correndo atrás de tempestades de neve pela floresta. Filmamos em três nevascas diferentes, de dia e de noite, capturando cenas em condições que foram tão brutais quanto belas. Foi a única neve que aquela área viu durante todo o inverno.

Olhando para trás, ainda parece um milagre. Fazer filmes muitas vezes é isso: planejar tudo e, ao mesmo tempo, estar preparado para abraçar o caos. Nesse caso, deu mais certo do que poderíamos imaginar.

5) Como fã da franquia Sexta-Feira 13, tive a oportunidade de entrevistar Adrienne King, atriz dos dois primeiros filmes; Tom Savini, que fez os efeitos do primeiro e do quarto filme; a atriz Melanie Kinnaman, do quinto filme; além de Tom McLoughlin, diretor de Jason Lives, Thom Mathews (o protagonista) e Adam Marcus, o diretor que mandou Jason para o inferno no nono filme. 

Como nasceu "Never Hike Alone", considerado por muitos o melhor fan film já feito? E como surgiram as participações de grandes nomes da franquia original?

V.D.: "Never Hike Alone" começou como um projeto pessoal, movido pela paixão. A ideia surgiu durante uma trilha que fiz em 2012, em Big Bear, na Califórnia, quando encontrei algumas cabanas estranhas, meio escondidas, à beira da estrada. Brinquei comigo mesmo, imaginando o Jason Voorhees escondido em uma delas, e essa ideia ficou na minha cabeça.

Alguns anos depois, comecei a desenvolver esse conceito em um curta-metragem com alguns amigos do cinema independente. A ideia inicial era que tivesse apenas de 5 a 10 minutos, mas, quando encontramos um acampamento abandonado nas proximidades, isso abriu a possibilidade de fazer algo muito maior.

Enfrentamos muitos obstáculos, incluindo uma campanha frustrada no Kickstarter e o desafio de filmar apenas nos finais de semana. Mas fomos construindo tudo aos poucos, muitas vezes voltando para refilmar cenas que achávamos que podiam ficar melhores. Eventualmente, montamos um trailer que nos ajudou a conseguir financiamento por meio de apoiadores privados e da plataforma Indiegogo. Assim que conseguimos, pedi demissão do meu emprego fixo e mergulhei de cabeça no projeto.

Um desses apoiadores, Barry Jay, tinha contato direto com Thom Mathews. No começo, Thom não se interessava por fan films, mas, quando viu nosso trailer, topou conversar e o resto é história. A participação surpresa dele no final do primeiro filme deixou os fãs enlouquecidos e abriu caminho para que outros nomes da franquia se envolvessem também.

Até hoje, a série "Never Hike Alone" é um verdadeiro trabalho de amor. É feita por fãs, para fãs, porque, para muitos de nós, faz muito tempo que a franquia deixou de parecer algo que realmente pertencesse aos fãs. Esta série é a minha maneira de fazer os filmes de Sexta-Feira 13 que eu sempre quis ver.

6) Fazer cinema envolve muitas variáveis. Esforço, investimento, paixão, talento... E a sinergia destes elementos faz o resultado. Qual trabalho em sua carreira tem maior orgulho?

V.D.: Nada supera a sensação de sair da primeira exibição de "Never Hike Alone", no Telluride Horror Show. Eu tinha acabado de ver quase dois anos da minha vida passarem diante dos meus olhos na tela, e a recompensa foi uma enxurrada de elogios e reconhecimento. Ouvir as reações das pessoas, ler as críticas, ver os números de visualizações subindo minuto a minuto... foi surreal.

Sendo um fan film de Sexta-Feira 13, nós já enfrentávamos muitos preconceitos e expectativas baixas, o que tornou aquele momento ainda mais significativo. Até hoje, os fãs me contam onde estavam quando assistiram pela primeira vez ou como reagiram quando Thom Mathews apareceu; essas histórias nunca ficam velhas. Aquela exibição foi um divisor de águas na minha vida.

M.V.: Algum arrependimento?

V.D.: Não tenho arrependimentos, mas essa jornada veio acompanhada de sacrifícios. Abandonei uma carreira bem remunerada para me dedicar a "Never Hike Alone" e até recusei a chance de transformar o filme em uma história original para uma grande produtora. Mas meu objetivo de vida sempre foi trabalhar em um filme de Sexta-Feira 13. E, em certo momento, percebi que talvez essa fosse minha única chance de contar a história de Sexta-Feira 13 que eu sempre quis ver. 

Olhando para trás, não mudaria absolutamente nada.

7) Para finalizar, deixe uma frase ou pensamento envolvendo o cinema que representa você.

V. D.: “Não importa o quanto você bate. O que importa é o quanto você aguenta apanhar e continuar seguindo em frente.” Rocky Balboa

M.V.: Obrigado amigo, foi um grande prazer. Sucesso para você.

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