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WOLVERINE: IMORTAL (2013) - FILM REVIEW

 

🔷 Wolverine: Imortal (2013)

Cinema é uma arte que tem um efeito curioso em nós. Por exemplo, como pode eu lembrar tudo de um filme ruim como o primeiro Wolverine e ter zero lembrança deste, que eu não tenho recordações negativas, apenas não lembro de nada? Nem uma cena. 

A história inicia em um ponto cego. Em 1945, Logan, o Wolverine, é mantido em um campo de prisioneiros japoneses perto de Nagasaki. Durante o bombardeio atômico de Nagasaki, Logan resgata um oficial chamado Yashida e o protege da explosão. Logan é incinerado durante a explosão, mas sua mutação o faz sobreviver.

Em 2011, após matar Jean Grey (Famke Janssen) para salvar a humanidade por ela não conseguir controlar os poderes da Fênix, Logan (Hugh Jackman) decidiu abandonar de vez a vida de herói e passou a viver na selva, como um ermitão. Deprimido, ele é encontrado em um bar pela jovem Yukio (Rila Fukushima). Ela foi enviada a mando de seu pai adotivo, Yashida (Hal Yamanouchi), que foi salvo por Logan em Nagasaki, no Japão, na época em que a bomba atômica foi detonada. 

Yashima deseja reencontrar Logan para fazer-lhe uma proposta: transferir seu fator de cura para ele, de forma que Logan possa, enfim, se tornar mortal e levar uma vida como uma pessoa qualquer. Ele recusa o convite, mas acaba infectado por Víbora (Svetlana Khodchenkova), uma mutante especializada em biologia que é também imune a venenos de todo tipo. Fragilizado, Logan precisa encontrar meios para proteger Mariko (Tao Okamoto), a neta de Yashida, que é alvo tanto de seu pai, Shingen (Hiroyuki Sanada), quanto da Yakuza, a máfia japonesa.

Nos bastidores, o filme passou por um desenvolvimento longo, instável e marcado por mudanças criativas significativas até encontrar sua forma final. A ideia de levar Logan ao Japão surgiu ainda em 2009, logo após o lançamento do filme anterior, quando o diretor Gavin Hood já mencionava a possibilidade de explorar essa ambientação. A própria cena pós-créditos, mostrando o personagem em um bar japonês, funcionava como uma pista clara do caminho que o estúdio pretendia seguir.

A escolha do Japão não era aleatória. Ela vinha diretamente de uma das fases mais cultuadas dos quadrinhos, escrita por Chris Claremont e ilustrada por Frank Miller, considerada por Hugh Jackman sua história favorita do personagem. Jackman, inclusive, pressionou ativamente os roteiristas para incorporar elementos dessa saga, demonstrando um envolvimento criativo contínuo com a construção de Wolverine no cinema.

O roteiro começou a tomar forma quando Christopher McQuarrie foi contratado, trazendo uma abordagem mais centrada na relação entre Logan e Mariko, filha de um poderoso chefe do crime japonês. A intenção era criar um contraste cultural e narrativo: colocar um personagem praticamente indestrutível em um ambiente em que códigos de honra, disciplina e combate corpo a corpo — com espadas, samurais e ninjas — exigiriam dele uma adaptação física e emocional. A proposta também buscava autenticidade, com a possibilidade de filmagens no Japão e maior fidelidade estética ao material original.

Inicialmente, o projeto ganhou um impulso criativo considerável com a entrada de Darren Aronofsky na direção. Sua abordagem prometia um filme muito mais autoral e fora do padrão dos blockbusters de super-heróis, algo que o próprio Jackman descreveu como “fora da caixa”. Aronofsky via o personagem como alguém aprisionado em uma existência da qual não pode escapar — um homem condenado a acumular perdas ao longo do tempo, sem a possibilidade de morrer ou esquecer completamente. Essa visão aprofundava o drama existencial de Logan, indo além da ação convencional.

No entanto, essa fase promissora foi interrompida em 2011, quando Aronofsky deixou o projeto. A decisão foi motivada por razões pessoais — o longo período de filmagens fora dos Estados Unidos o afastaria da família —, mas também coincidiu com um momento delicado: o terremoto e tsunami de Tohoku no Japão, que levou o estúdio a desacelerar a produção. Com isso, o filme perdeu seu principal diretor antes mesmo de entrar em filmagem.

A busca por um substituto incluiu diversos nomes, até que James Mangold assumiu a direção. Mangold trouxe uma abordagem mais equilibrada entre ação e introspecção, mantendo o foco no conflito interno de Logan. Para ele, o grande desafio narrativo era lidar com um protagonista praticamente invulnerável — e, portanto, encontrar maneiras de gerar tensão emocional. Sua solução foi clara: colocar em risco as pessoas ao redor de Wolverine, explorando suas relações e vulnerabilidades psicológicas em vez de apenas ameaças físicas.

A pré-produção continuou a enfrentar obstáculos. O roteiro passou por revisões adicionais, incluindo o trabalho de Mark Bomback, e houve mudanças constantes no cronograma. Filmagens que inicialmente aconteceriam no Canadá foram transferidas para a Austrália por incentivos fiscais, demonstrando como fatores econômicos influenciaram diretamente a logística da produção.

Outro aspecto interessante foi a construção do elenco japonês, com nomes como Hiroyuki Sanada e Tao Okamoto, reforçando a tentativa de autenticidade cultural. Além disso, o filme buscou fugir de clichês comuns do gênero ao desenvolver personagens femininas com motivações próprias, algo que Mangold destacou como uma prioridade criativa — evitando que fossem apenas figuras de apoio ao protagonista.

Curiosamente, outros diretores também demonstraram interesse no projeto ao longo do tempo, incluindo Guillermo del Toro. Ele revelou ter considerado assumir o filme justamente por sua afinidade com o arco japonês, embora tenha desistido por não querer se comprometer por vários anos a uma única produção.

O filme, que teve um orçamento alto (para ter lucro, ele precisaria arrecadar mais de 2,5 vezes o orçamento de 120 milhões, mas rendeu 414 milhões), contou com a melhor direção desde Bryan Singer (Mangold, inclusive, dirigiu o filme posterior, Logan, considerado o melhor filme do personagem) e uma trama que entretém; minha revisão, 13 anos depois, se provou consistente em um aspecto: o filme é realmente muito bom, mas esquecível. Nem a sequência do trem, que é ótima, eu me lembrava. 

Mas, ao vê-los em sequência, fica fácil ressaltar suas qualidades.

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