X-MEN 2 (2003) - FILM REVIEW
🔷 X-Men 2 (2003)
O filme X2, continuação direta de X-Men e também inspirado nos quadrinhos da Marvel Comics, aprofunda o conflito entre humanos e mutantes ao introduzir uma ameaça ainda mais perigosa vinda dos próprios humanos. A história se inicia com um ataque à Casa Branca realizado por um mutante controlado mentalmente, o que intensifica o medo público e leva o governo a autorizar ações militares contra todos os mutantes.
O principal antagonista dessa vez é o coronel William Stryker (Stryker), um militar que nutre profundo ódio pelos mutantes e desenvolve um plano para eliminá-los. Para isso, ele invade a escola do Professor X (Professor Xavier), capturando vários estudantes e utilizando tecnologia avançada para localizar e atacar mutantes ao redor do mundo.
Enquanto isso, Wolverine (Wolverine) começa a descobrir mais sobre seu passado, especialmente sua ligação com o próprio Stryker, que esteve envolvido nos experimentos que revestiram seu esqueleto com adamantium. Paralelamente, os X-Men, incluindo Tempestade, Ciclope e Jean Grey, precisam se reorganizar após o ataque à escola.
Diante de uma ameaça comum, os X-Men acabam formando uma aliança temporária com Magneto, que havia sido preso no filme anterior, e sua aliada Mística. Juntos, eles descobrem que Stryker pretende usar uma versão manipulada do dispositivo de localização do Professor Xavier, amplificada por sua mente, para exterminar todos os mutantes do planeta de uma só vez.
X-Men 2 traz dois dos personagens mais cativantes do grupo: Noturno e Colossus. Este último é apenas introduzido, mas o primeiro protagoniza uma das cenas mais memoráveis da história dos filmes de heróis. A sequência da Casa Branca com o Noturno ainda hoje impressiona, não só pelo uso dos poderes, mas pela forma como ela é coreografada, quase como uma dança caótica de fumaça e desaparecimentos. É o tipo de cena que te prende imediatamente e já mostra que essa continuação está em outro nível.
Rever o filme hoje dá a sensação de que ele amadureceu melhor do que o primeiro. Tudo parece mais seguro, mais bem resolvido, como se o universo já estivesse estabelecido e agora desse espaço para desenvolver melhor os personagens. O Wolverine continua sendo o centro emocional da história, mas aqui ele ganha mais camadas, principalmente com a ligação com o Stryker, que dá um peso maior à sua jornada. Não é só um cara perdido, é alguém começando a entender o próprio passado, mesmo que isso venha carregado de dor.
Ao mesmo tempo, o filme acerta muito ao não deixar o restante do grupo de lado. Tempestade, Jean Grey e Ciclope têm momentos importantes, ainda que nem todos brilhem igualmente. E tem também essa sensação constante de que o perigo está mais próximo, principalmente com a invasão da escola do Professor X, que quebra completamente aquela ideia de refúgio seguro.
Outro ponto que funciona muito bem é a presença do Magneto. Ele continua sendo um dos personagens mais envolventes da franquia, justamente porque você entende de onde vem a motivação dele, mesmo não concordando com suas atitudes. A aliança temporária com os X-Men é daquelas coisas que fazem sentido dentro da história e ainda deixam tudo mais interessante de assistir.
Os bastidores de X2 refletem uma produção mais ambiciosa e complexa do que seu antecessor, impulsionada pelo sucesso comercial e crítico do primeiro filme. Com a confiança renovada da Marvel Comics no potencial da franquia, a 20th Century Fox rapidamente encomendou uma sequência, iniciando o desenvolvimento ainda em 2000.
O diretor Bryan Singer retornou interessado em expandir o universo dos mutantes, mas com uma abordagem mais sombria e política, buscando explorar o ponto de vista humano diante do medo e do extremismo. Inspirado por narrativas clássicas dos quadrinhos, especialmente a graphic novel God Loves, Man Kills, Singer estruturou a história em torno de um antagonista humano — o coronel William Stryker —, evitando conflitos excessivamente cósmicos e mantendo o foco em temas como intolerância, militarização e manipulação.
O roteiro passou novamente por múltiplas versões e combinações de ideias. David Hayter e Zak Penn escreveram versões separadas que foram posteriormente fundidas, antes de sofrer novas reescritas por Michael Dougherty e Dan Harris. O processo foi marcado por cortes significativos: personagens como Anjo e Fera chegaram a aparecer em versões iniciais, assim como o vilão Dentes-de-Sabre, mas foram removidos por excesso de personagens e limitações narrativas.
A Sala de Perigo também chegou a ser construída fisicamente, mas acabou descartada por restrições orçamentárias. Mesmo após filmadas, diversas cenas envolvendo o desenvolvimento de Ciclope e Xavier sob controle mental foram eliminadas na edição final, decisão que gerou frustração interna, especialmente por reduzir o tempo de tela de personagens importantes.
No elenco, o filme manteve a base principal, com Hugh Jackman consolidando sua interpretação de Wolverine, agora mais aprofundada emocionalmente, especialmente em sua relação com Jean Grey e Vampira. Patrick Stewart e Ian McKellen retornaram como os polos ideológicos da narrativa, enquanto Halle Berry teve sua participação ampliada após o sucesso em A Última Ceia (Monster's Ball).
A introdução de novos personagens também trouxe desafios: Alan Cumming foi finalmente escalado como Noturno após conflitos de agenda anteriores, tendo que passar por extensas sessões de maquiagem e estudo do personagem, enquanto Brian Cox foi escolhido como Stryker devido à sua presença dramática, especialmente após sua atuação em Caçador de Assassinos. Já Kelly Hu interpretou Lady Letal, substituindo uma personagem originalmente diferente do roteiro.
As filmagens ocorreram entre junho e novembro de 2002, principalmente em Vancouver, com mais de sessenta cenários e dezenas de locações. A produção enfrentou desafios logísticos, como a falta de neve natural em algumas regiões, exigindo o uso de neve artificial em larga escala. O cronograma intenso e a escala maior da produção contribuíram para um ambiente de pressão, e relatos indicam que o comportamento de Bryan Singer voltou a gerar conflitos no set, incluindo discussões com o elenco — uma das mais notórias envolvendo Halle Berry. O ator Alan Cumming posteriormente descreveu a experiência como desafiadora, citando tensão constante durante as filmagens.
Do ponto de vista técnico, X2 representou um salto. O diretor de fotografia Newton Thomas Sigel optou por mudanças no formato de filmagem, utilizando Super 35 em vez do anamórfico do primeiro filme, aproveitando avanços tecnológicos na captação de imagem. O design de produção também evoluiu, com destaque para a base de Alkali Lake, construída em um dos maiores estúdios da América do Norte. O jato Blackbird foi redesenhado e ampliado digitalmente, reforçando a escala do universo apresentado.
Os efeitos visuais foram amplamente expandidos, passando de cerca de 500 tomadas no primeiro filme para aproximadamente 800 nesta sequência. Empresas como Rhythm & Hues e Cinesite desenvolveram novas tecnologias específicas para o filme, incluindo simulações complexas como o tornado da batalha aérea e sequências envolvendo o Cérebro. A cauda do Noturno foi majoritariamente criada por computação gráfica, embora versões práticas tenham sido usadas em algumas cenas. Miniaturas físicas, como a represa de Alkali Lake, também foram construídas em grande escala e combinadas com efeitos digitais.
A caracterização continuou sendo um elemento central dos bastidores. Rebecca Romijn conseguiu reduzir o tempo de maquiagem de Mística de nove para seis horas, ainda assim enfrentando um processo exaustivo. Já Alan Cumming passava até nove horas em preparação em determinadas cenas, especialmente quando o personagem aparecia sem camisa, com tatuagens complexas representando seus “pecados”.
Outro elemento mantido em segredo absoluto durante a produção foi o destino de Jean Grey. A decisão de sacrificar a personagem no final, preparando sua transformação futura na Fênix, foi ocultada até mesmo da atriz Famke Janssen, que só foi informada durante as filmagens. Esse cuidado demonstra o nível de planejamento da franquia, já pensando em continuidade narrativa.
Apesar das dificuldades, X2 consolidou e expandiu as bases estabelecidas pelo primeiro filme, elevando o nível técnico, aprofundando os personagens e reforçando a abordagem temática mais madura. O resultado foi um filme frequentemente comparado a O Império Contra-Ataca dentro da própria lógica da franquia — mais sombrio, mais complexo e fundamental para o desenvolvimento do universo cinematográfico dos X-Men.
E meu veredito, 26 anos depois, leva em conta nuances que senti. O desenvolvimento do personagem Noturno é notável, bem como a dinâmica entre Vampira, Homem de Gelo e Pyro, com este último, ainda jovem, mas com claras tendências homicidas. A cena inicial é ainda melhor do que eu me lembrava, mas, curiosamente, a sequência que me marcou, a da invasão, achei mais simplória e sem emoção.
A trama envolvendo Stryker e o filho também me soou frágil. A ideia que eu tinha sobre ser o melhor primeiro filme de um supergrupo se foi. No final das contas, eles parecem mais peças isoladas resolvendo problemas do que no primeiro, que se juntaram de maneira natural. Outro elemento que me chamou atenção é a música de Michael Kamen do primeiro, que nos deu o memorável tema da Vampira com o Wolverine e aqui foi substituída por John Ottman, um compositor que conseguiu a proeza de fazer temas em Superman: O Retorno (2006), mas que ninguém se lembra.
A morte da Jean também foi mal pensada. Ela é tão forte que poderia parar a água de dentro da nave ou voar, mas ela se sacrificou, de maneira estúpida, apenas para justificar o filme seguinte. E, meu Deus, ela morre… afogada? Ela poderia ter voado, nadado, boiado… Talvez minha única grande surpresa positiva tenha sido a música "Bye Bye Bye", canção de NSYNC indissociável do filme Deadpool & Wolverine (2004), e que estava escondida aqui, o tempo todo. Ela toca no rádio enquanto fogem da mansão Wolverine e os três jovens (Pyro, Vampira e Homem de Gelo).
Com um orçamento em torno de 220 milhões de dólares e a bilheteria de 407, o filme garantiu a visibilidade esperada. Aliás, como regra geral, um filme precisa arrecadar cerca de 2,5x seu orçamento de produção para atingir o "ponto de equilíbrio" e começar a gerar lucro líquido. Eu faço a conta "por baixo", colocando 2 vezes apenas.
Ou seja, nenhum dos filmes lucrou até aqui.

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