google-site-verification=21d6hN1qv4Gg7Q1Cw4ScYzSz7jRaXi6w1uq24bgnPQc

X-MEN: PRIMEIRA CLASSE (2011) - FILM REVIEW

 

🔷X-Men: Primeira Classe (2011)

Há 15 anos assisti e revi Primeira Classe, e, na época, foi não só um dos melhores filmes de heróis do cinema como também o melhor X-Men. Portanto, reavaliá-lo hoje tem um sabor diferente: apesar de confiante, será que vou encontrar o grande filme que foi ou ele envelheceu mal?

Duvido. James McAvoy, Michael Fassbender, Kevin Bacon, Jennifer Lawrence, Rose Byrne, January Jones, Nicholas Hoult, Oliver Platt, Zoë Kravitz, Caleb Landry Jones, Lucas Till, James Remar, Ray Wise, Jason Beghe, Matt Craven, Michael Ironside, Rade Šerbedžija, Brendan Fehr e Jason Flemyng foi meio que uma apelação de elenco. E iniciar o filme pela melhor sequência do primeiro X-Men foi não só um acerto, mas uma perfeita noção de onde o diretor queria partir e para onde estava indo.

O desenvolvimento foi marcado por um longo e complexo processo criativo dentro da 20th Century Fox, envolvendo múltiplas ideias, roteiristas e diretores antes de chegar à versão final. A origem do projeto remete à produção de X-Men 2, quando a produtora Lauren Shuler Donner começou a considerar um filme focado em versões mais jovens dos X-Men. Essa ideia voltou a ganhar força durante o terceiro filme, mas inicialmente seguiu por caminhos diferentes.

Um dos primeiros conceitos desenvolvidos foi um filme solo centrado em Magneto, escrito por Sheldon Turner. A proposta tinha um tom mais dramático e histórico, acompanhando o personagem desde sua sobrevivência em Auschwitz até sua transformação em um caçador de criminosos nazistas, em que conheceria um jovem Charles Xavier. O projeto chegou a envolver Ian McKellen e o diretor David S. Goyer, mas acabou sendo cancelado, em parte devido aos impactos da Greve dos Roteiristas de Hollywood de 2007–2008, que interrompeu diversos projetos da indústria.

A reformulação decisiva veio quando o produtor Simon Kinberg sugeriu adaptar elementos da série de quadrinhos X-Men: Primeira Classe, mas com uma abordagem mais original e menos fiel ao material de origem. A intenção era criar algo que funcionasse como uma renovação da franquia, introduzindo novos personagens e explorando uma dinâmica de grupo mais coesa. Nesse contexto, Bryan Singer retornou ao universo dos X-Men, inicialmente como diretor, mas acabou assumindo o papel de produtor após desenvolver uma nova visão para a história. Ele optou por ambientar o filme nos anos 1960, utilizando a Crise dos Mísseis de Cuba como pano de fundo, o que permitiu integrar elementos históricos reais à narrativa fictícia.

A direção ficou a cargo de Matthew Vaughn, que trouxe uma abordagem estilística fortemente influenciada pelos filmes de espionagem da época, especialmente os de James Bond. Vaughn buscou equilibrar o tom político e dramático com um senso de entretenimento acessível, comparando o projeto a reinicializações modernas como Batman Begins e Star Trek. Sua intenção era criar um filme que funcionasse de forma independente, ao mesmo tempo em que respeitasse certos elementos da continuidade anterior. Um dos principais focos narrativos passou a ser a relação entre Xavier e Magneto, estruturando toda a trama em torno da amizade e do conflito ideológico entre os dois personagens.

As filmagens começaram em agosto de 2010, com locações em Oxford, incluindo áreas da Universidade de Oxford, antes de se expandirem para estúdios e outras regiões como Pinewood Studios e o estado da Georgia, nos Estados Unidos. Locais como Jekyll Island foram adaptados para simular cenários tropicais, exigindo inclusive intervenções digitais para corrigir elementos naturais afetados pelo clima. A icônica mansão dos X-Men foi representada pela Englefield House. A produção também passou por Rússia e Los Angeles, refletindo o caráter internacional da narrativa.

Apesar da escala da produção, o cronograma foi extremamente apertado. Parte significativa do clímax precisou ser refeita durante filmagens adicionais, o que reduziu drasticamente o tempo disponível para a pós-produção. Segundo a equipe, restaram apenas algumas semanas para finalizar efeitos visuais e edição antes da estreia, o que tornou o processo particularmente desafiador. Mas compensou.

Mas nada seria amarrado de forma satisfatória se o roteiro não entregasse algo empolgante. E a trama de um Magneto se vingando em paralelo à formação dos mutantes na escola de Xavier, bem como as nuances dos relacionamentos pessoais influenciando posturas e caminhos que serão seguidos, é genial.

A construção dos personagens vai além da simples origem dos heróis e passa a funcionar como o ponto de partida de um conflito moral que define toda a franquia. A relação entre Charles Xavier e Magneto é o núcleo dessa abordagem: dois homens com o mesmo objetivo, mas formados por experiências completamente diferentes. Xavier acredita na convivência entre humanos e mutantes, guiado por uma visão mais idealista e controlada, enquanto Magneto carrega os traumas do passado e desenvolve uma postura mais dura, baseada na sobrevivência e na superioridade mutante.

Essa diferença de personalidade rapidamente se transforma em divergência ética. Ao longo da narrativa, o filme sugere que não existe uma resposta simples entre certo e errado, mas sim caminhos distintos diante do mesmo problema. Enquanto Xavier tenta integrar o grupo e construir uma identidade coletiva, Magneto se mantém mais isolado, agindo a partir de um código próprio. A presença de Sebastian Shaw reforça esse contraste, funcionando como um catalisador que empurra Magneto ainda mais para uma visão radicalizada.

As consequências dessas escolhas se tornam claras no desfecho, especialmente no contexto da Crise dos Mísseis de Cuba, quando os humanos passam a enxergar os mutantes como ameaça. Esse momento marca a ruptura definitiva: o que antes era apenas uma diferença de visão se transforma em divisão concreta. Xavier permanece fiel à ideia de coexistência, enquanto Magneto assume de vez sua posição de confronto.

Interessante perceber que Eric perseguiu Sebastian por anos, mas Shaw acabou se tornando referência para o molde de Magneto. Dessa forma, o filme não apenas apresenta novos personagens, mas estabelece a base moral do universo X-Men, mostrando como diferenças de personalidade evoluem para conflitos ideológicos e, inevitavelmente, para consequências que afetam todos ao redor.

Com um orçamento alto (para ter lucro, o filme teria que fazer mais de 2,5 vezes o orçamento de 160 milhões, mas ele rendeu 352 milhões), o filme não é mais importante que o primeiro X-Men, no que diz respeito ao pontapé inicial do supergrupo no cinema, mas é definitivamente o melhor filme até aqui.

Tecnologia do Blogger.