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ENTREVISTA COM O VAMPIRO (1994) - FILM REVIEW

Entrevista com o vampiro

Texto: M.V.Pacheco

Revisão: Thais A.F. Melo


A criadora: Anne Rice

Anne Rice é uma autora americana conhecida por sua ficção gótica e romances de vampiros. Ela nasceu em 4 de outubro de 1941, em Nova Orleans, Louisiana. O nome de nascimento de Rice é Howard Allen O'Brien, mas ela começou a usar o nome Anne Rice depois que seu primeiro romance foi publicado.

Rice ganhou amplo reconhecimento por sua série de romances de vampiros, conhecidos coletivamente como "The Vampire Chronicles". O primeiro livro da série, “Entrevista com o Vampiro”, foi publicado em 1976 e se tornou um best-seller. O romance segue a história de um vampiro chamado Louis de Pointe du Lac e suas experiências como vampiro em Nova Orleans.

"The Vampire Chronicles" continuou com vários outros livros, incluindo "The Vampire Lestat" (1985), "The Queen of the Damned" (1988), "The Tale of the Body Thief" (1992) e muitos outros. Os romances de vampiros de Rice eram conhecidos por sua prosa exuberante, mitologia intrincada e exploração de temas como imortalidade, moralidade e a natureza do mal.

Além de seus romances de vampiros, Rice também escreveu outras ficções góticas e sobrenaturais, incluindo “The Witching Hour” (1990), “Lasher” (1993) e “Taltos” (1994), que compõem “Lives of the Mayfair Witches''.

O estilo de escrita de Rice geralmente incorpora descrições ricas, personagens complexos e reflexões filosóficas. Suas obras foram elogiadas por seus cenários atmosféricos e pela capacidade de mergulhar nas profundezas psicológicas de seus personagens.

As contribuições de Anne Rice para os gêneros gótico e vampiro tiveram um impacto significativo na cultura popular. Seus livros foram adaptados para várias produções, incluindo a adaptação cinematográfica de 1994 de “Entrevista com o Vampiro”, estrelada por Tom Cruise e Brad Pitt.

A criatura: "Entrevista com o Vampiro"

A história começa na Nova Orleans do século XVIII, onde Louis é transformado em vampiro por Lestat de Lioncourt, um vampiro mais antigo e carismático. Louis narra sua jornada como vampiro, descrevendo sua luta com a imortalidade, a sede de sangue, a solidão e a busca por sentido em sua existência.

Ao longo da narrativa, Louis e Lestat encontram outros vampiros, como a enigmática Claudia, uma criança transformada em vampira, e Armand, um vampiro com séculos de idade. A relação complexa entre esses personagens e as reflexões sobre moralidade, imortalidade e desejo são temas centrais do livro.

"Entrevista com o Vampiro" foi um grande sucesso, estabelecendo Anne Rice como uma autora aclamada dentro do gênero de literatura vampiresca. O livro foi elogiado por seus personagens complexos e atmosfera gótica. Ele também ajudou a revitalizar o interesse popular por histórias de vampiros e influenciou a representação de vampiros na cultura popular.

O filho do monstro: "Entrevista com o Vampiro"

A história do filme segue a mesma do livro, onde um jornalista entrevista um jovem que afirma ser vampiro, narrando suas experiências dos últimos 200 anos. Em flashback, conhecemos Louis de Pointe du Lac (Brad Pitt), um homem que perdeu a mulher, morta durante o parto, e a vontade de viver. Com a ajuda de uma criatura da noite, Lestat de Lioncourt (Tom Cruise), ele se torna um vampiro e precisa aprender uma nova forma de vida.

Neil Jordan, o diretor do filme, demonstra habilidade ao equilibrar a narrativa complexa e os elementos visuais. Sua direção mantém um ritmo envolvente, alternando entre cenas de ação, momentos de suspense e reflexões mais introspectivas. Jordan cria uma atmosfera sombria e melancólica que permeia todo o filme, transportando os espectadores para o mundo dos vampiros.

Os figurinos do filme são elaborados e meticulosamente projetados para refletir a época em que a história se passa. Desde os trajes do século XVIII até as roupas modernas, cada peça de vestuário é escolhida com cuidado, adicionando autenticidade e detalhes visuais à narrativa.


Libera me, Domine, de morte aeterna...

Para interpretar os vampiros, os atores foram obrigados a ficam de cabeça para baixo por 30 minutos para fazer a maquiagem. A ideia é que os maquiadores conseguirem traçar as veias do elenco a fim de trazer uma pele mais translúcida para a maquiagem.

O livro explica que Louis fica deprimido, pois se sente culpado pela morte do próprio irmão. Há uma cena em que Louis assiste a Superman: O Filme (1978) no cinema. O livro, no entanto, foi escrito dois anos antes do lançamento do filme. O Old Coliseum Theatre em Nova Orleans, visto quando Louis vai ver Conspiração Tequila (1988) no final do filme, pegou fogo em 3 de fevereiro de 2006.

A propriedade de Louis (Brad Pitt) no começo do filme era, na verdade, uma plantação histórica de carvalho situada no rio de Mississippi, em Vacherie, Louisiana. A histórica Oak Alley Plantation é supostamente mal-assombrada. Foi relatado que os visitantes veriam objetos se movendo no ar e a aparição de uma jovem de cabelos escuros. 

Durante as filmagens do filme em Nova Orleans, Brad Pitt se apaixonou pela cidade. Nos intervalos, durante as filmagens das cenas noturnas, ele percorria a cidade e se misturava com alguns moradores locais. 


“Eu andei de bicicleta a noite toda”, afirma Pitt em entrevista à EW. Ele continua dizendo: “Fiz grandes amigos lá”. Após a destruição do furacão Katrina, Pitt investiu em arquitetura verde para reconstruir New Orleans. Ele também era dono de uma casa no French Quarter com sua então esposa Angelina Jolie, até que a propriedade foi vendida em 2016, quando o casal iniciou o processo de divórcio. 

Isto, sem contar que sua participação norteou "O Curioso Caso de Benjamin Button", que se passa também em New Orleans.

Dança das cadeiras

Uma produção tão visada, só poderia ter papéis concorridos. Christina Ricci, Dominique Swain, Julia Stiles e Evan Rachel Wood fizeram testes para a personagem Claudia. Christian Slater herdou o personagem Daniel após a morte de River Phoenix, que estava escalado para o papel. Slater deu o seu cachê de US$250 mil para duas instituições de caridade que Phoenix ajudava.

Ao escrever sobre Lestat em 1976, Anne Rice tinha Rutger Hauer em mente para dar vida ao personagem. A Paramount se manifestou para comprar os direitos autorais do livro por US$ 150,000 antes mesmo da obra ser publicada. Nesta época, John Travolta foi considerado para interpretar Lestat, mas na época em que o filme estava em produção, o ator já estava velho demais para interpretar um jovem vampiro.


Johnny Depp recebeu uma oferta para interpretar o personagem Lestat, mas estranhamente, declinou, já que o papel era "sua cara". Ao ver Tom Hanks em Filadélfia (1993), Anne Rice lhe ofereceu o papel de Lestat, mas o ator recusou a proposta para poder estrelar em Forrest Gump: O Contador de Histórias (1994).

Jeremy Irons abriu mão do papel de Lestat porque ele não queria passar horas se maquiando. O ator já teve uma experiência parecida em Casa dos Espíritos (1993). Daniel Day-Lewis chegou a ser escolhido para interpretar Lestat, mas o ator desistiu do papel semanas antes do início das filmagens.

Quando John Boorman planejava dirigir o filme, ele pretendia escalar Jon Voight como protagonista. Ainda bem que não foi, já que seu último filme de horror foi um verdadeiro, horror (O Exorcista II - O Herege, em 1977).

Incomum

Entrevista com o Vampiro é um filme incomum. Primeiro por mostrar um vampiro sendo entrevistado. Segundo, por fazer de Louis uma figura tão complexa, que mesmo buscando a morte, é um personagem que respeita a vida. E ao se tornar um vampiro, todo dilema de tirar a vida, ainda que para sua própria alimentação, vem à tona e ele precisa aprender a equilibrar sua moral com sua necessidade. 

Terceiro, pela dinâmica dos dois vampiros, que tentam, sem sucesso, mostrar, mutualmente, que suas convicções importam para sua melhor sobrevivência. Quarta, Claudia, terceiro elemento em cena que entrega mais divergências pessoais, principalmente, por ela ser uma criança com a mente adulta. E por fim, a aceitação de Louis perante seu destino e sua trajetória errante até a entrevista do título.

No final das contas, Anne Rice não só aprovou a adaptação do seu livro, como declarou no New York Times e no Vanity Fair que o filme se trata de uma obra-prima.

 

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