UM TIRA DA PESADA 3 (1994) - FILM REVIEW
🔷 Um Tira da Pesada 3 (1994)
Numa noite em Detroit, Michigan, durante uma batida policial numa oficina de desmanche de carros, o detetive Axel Foley (Eddie Murphy) vê seu chefe, o inspetor Douglas Todd (Gilbert R. Hill), ser assassinado por um homem bem-vestido. Em seu último suspiro, Todd pede a Axel que pegue o homem que atirou nele, com Axel dizendo que fará isto.
Após investigar, Axel acha o veículo do assassino em WonderWorld, um parque temático em Beverly Hills, Califórnia. Já em Beverly Hills, Axel se encontra com o amigo Billy Rosewood (Judge Reinhold), que agora ocupa um cargo importante e tem outro parceiro, Jon Flint (Hector Elizondo), pois John Taggart se aposentou. Axel investiga o WonderWorld, cujo proprietário é Dave Thornton (Alan Young), que sente que algo errado está acontecendo no lugar.
Um tira que nos dá pesadelo
Não sei exatamente o que dizer de Um Tira da Pesada 3. Nem por onde começar a enumerar seus defeitos. Talvez eu nem devesse falar nada, já que o filme fala por si. Então, acho que os próprios envolvidos podem justificar a falta de sintonia do filme.
Em uma entrevista de 2005, John Landis afirmou que Eddie Murphy trabalhou contra a comédia do filme para não ser engraçado deliberadamente. Landis sabia que o roteiro não era muito bom, mas imaginou que Murphy poderia salvá-lo com sua comicidade.
No entanto, Murphy sentiu que seu personagem Axel Foley, era um adulto agora e o interpretou com muito mais seriedade, evitando deliberadamente a comédia. Landis disse que o filme "foi uma experiência muito estranha" e "um filme estranho" foi o resultado.
Em uma entrevista ao The AV Club em 2009, Bronson Pinchot afirmou que Eddie Murphy "estava muito deprimido" na época em que o filme estava sendo filmado, alegando que Murphy estava desanimado e com baixo nível de energia. Ele estava deprimido porque a maioria de seus filmes mais recentes tiveram desempenho inferior ou foram bombardeados.
Dando vida à bomba
A produção foi temporariamente pausada para permitir que os altos escalões da Paramount tivessem a chance de captar financiamentos para o orçamento crescente do filme. Originalmente estimado em cinquenta e cinco milhões de dólares, logo ultrapassou os setenta milhões de dólares. Desse orçamento, quinze milhões de dólares eram o contracheque de Eddie Murphy.
Inicialmente, o enredo deste filme envolveria Foley, Rosewood e Taggart (John Ashton) indo a Londres resgatar o capitão Bogomil (Ronny Cox), que estava sendo mantido como refém por terroristas durante uma Convenção Internacional da Polícia. No entanto, vários problemas, como questões de roteiro e orçamento, fizeram com que a pré-produção se arrastasse a tal ponto que John Ashton e Ronny Cox tiveram que desistir, devido a obrigações com outros projetos cinematográficos pendentes. Anos mais tarde, Cox disse que leu o roteiro e sentiu que era muito ruim.
Quando John Ashton não topou voltar, seu papel foi reescrito como John Flint (Hector Elizondo) e um diálogo foi inserido para explicar que Taggart havia se aposentado e se mudado para Phoenix. Detalhe, Elizondo é muito parecido com Ashton, ou seja, foi uma escolha intencional para preencher uma lacuna.
O filme foi a terceira cooperação entre John Landis e Eddie Murphy, sendo o anterior, a obra-prima "Um Príncipe em Nova York (1988)". Os dois se tornaram amigos durante Trocando as Bolas (1983), mas logo depois se desentenderam devido à recusa de Murphy em apoiar Landis em seu julgamento pelas mortes acidentais de Vic Morrow e duas crianças durante as filmagens de No Limite da Realidade (1983).
Murphy chegou a dizer: "Trabalharei com John Landis novamente, na próxima vez que ele trabalhar com Vic Morrow" (frase que mostra uma insensibilidade criminosa). Apesar de toda essa desavença e hostilidade, os dois foram "unidos" novamente em Um Tira da Pesada 3, o que, evidentemente, foi um erro.
Aniquilador 2000
A cena em que Serge fala com Axel foi filmada sem a presença de Eddie Murphy na maior parte do tempo. Bronson Pinchot revelou, em uma entrevista anos depois, que Murphy estava tão deprimido que o diretor John Landis o dispensou das filmagens e substituiu Murphy por um dublê, fazendo um plano e contraplano para disfarçar a ausência do ator.
No programa Late Show with David Letterman, em 2011, David Letterman leu uma lista de alguns filmes da filmografia de Eddie Murphy. Quando este filme foi mencionado e o público aplaudiu (instruídos, claro), Murphy disse: "Não. Não. Não foi um filme bom do policial de Beverly Hills."
Foi péssimo, na verdade.
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