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MÁQUINA MORTÍFERA 2 (1989) - FILM REVIEW

🔷Máquina Mortífera (1989)

Máquina Mortífera 2 marcou o meu cinema de forma muito particular. Eu fui vê-lo com meus pais na estreia, no Cine Excelsior, e gostei tanto que eu queria ficar duas sessões. Eles me deixaram lá e o fato deu início a uma obrigação que me impus nos anos a seguir: ver duas sessões de todo filme.

Lembro inclusive que sofri para ver duas vezes o ótimo Nascido em 4 de julho, por ser um filme denso e longo, mas eu tinha que ficar, pois eu havia combinado de ir em um aniversário depois da segunda sessão, sendo que a pessoa ia me pegar na porta do cinema.

Na história, o policial de Los Angeles Martin Riggs e seu parceiro Roger Murtaugh recebem a tarefa de vigiar um contador corrupto prestes a testemunhar em uma comissão federal. A princípio, acham que é um trabalho de rotina, mas logo descobrem que o acusado está lavando dinheiro para o mesmo cartel de drogas sul-africano que estão tentando combater.

Intimidade

Com os caminhos aparentemente traçados dos personagens, convergindo suas histórias e afinidades, Riggs se integrou a família, demonstrando intimidade em diversas cenas, como quando ele cozinha e conta sobre o acidente fatal da sua esposa. Mas a história não se acomoda, aprofundando os personagens e justificando atos e consequências de situações passadas.

Há diversas situações emblemáticas que se completam ou se contrapõem. E vendo em sequência, podemos observar com clareza. No primeiro filme, Riggs perde a esposa. Aqui, ele descobre que ela foi assassinada, e quando finalmente se coloca disponível para um envolvimento, a sua nova namorada também é morta pelo mesmo assassino.

Tanto Riggs quanto Roger são atacados em suas casas com intenção de serem mortos. Roger leva um "abraço" de um bandido, e o mata, enquanto Riggs abraça um bandido, e também o mata. No primeiro filme, Riggs atira contra um helicóptero, enquanto neste filme, um helicóptero aparece atrás dele. 

Há um diálogo do vilão com Riggs, falando sobre bebida. Riggs diz que faz mal a saúde. Durante a produção, Richard Donner ficou chocado quando Mel Gibson confidenciou que estava bebendo cinco litros de cerveja no café da manhã. Apesar de seus problemas com o álcool, Gibson era conhecido por seu profissionalismo e pontualidade.

Ao longo de vários pontos do filme, Riggs propositalmente pronuncia erroneamente o nome de Arjen Rudd como "ariano", deliberadamente chama Pieter Vorstedt de "Adolf" e refere-se a Rudd, Vorstedt e seus associados como a "raça superior". Todas são referências a Adolf Hitler e aos nazistas, antes e durante a Segunda Guerra Mundial. "Raça Ariana" ou "Raça Mestre" foi uma forma ideológica nazista, que se tornou um conceito para a supremacia branca.

A prática sul-africana do Apartheid era também outra forma ideológica de supremacia branca, razão pela qual Riggs fez estas comparações. Além disso, o fato de Vorstedt se parecer com Adolf Hitler ajudou a manter o apelido. Além disso, quando Rika (Patsy Kensit) entrega os faxes noturnos para seu chefe, Arjen Rudd (Joss Ackland), há uma águia estilizada na parede atrás dele, uma reminiscência do Reichsadler (a águia segurando uma suástica em suas garras), um símbolo da Alemanha nazista, que por sua vez foi baseado na Áquila, a águia romana.

A cena em que Murtaugh faz o seu discurso sobre "África do Sul Livre" - a sua declaração de "Um homem, um voto" tornou-se, de fato, parte da agenda do então presidente da África do Sul, FW de Klerk, para acabar com o Apartheid e libertar Nelson Mandela da prisão. Danny Glover interpretou Mandela em um filme feito para TV a cabo da HBO, Mandela (1987), que foi filmado antes do lançamento do primeiro Máquina Mortífera.

Números

Máquina Mortífera 2 custou US$ 30 milhões e rendeu mais de 4 vezes este valor, apenas no mercado americano. O faturamento total do filme foi de US$227,853,986. Na cena do desabamento de uma luxuosa casa envidraçada foi utilizada uma casa verdadeira no valor de US$ 350 mil, cujas fundações foram cuidadosamente enfraquecidas.

Easter eggs.

Em um diálogo do chefe com a dupla, ele diz para levarem Leo Getz na Disneylandia. O discurso "ok-ok-ok" de Leo foi baseado em funcionários da Disneylândia dando instruções aos convidados da Fantasyland. Foi Leo quem apresentou a Richard Donner a ideia de deixar Leo ansioso demais em agradar, com improvisações "ok, ok, ok" . Donner riu e disse: "Faça isso! Faça isso!" 

Na cena em que o garçom assassino sai da piscina, o Nakatomi Plaza do Duro de Matar pode ser visto ao fundo e bem perto. Joel Silver produziu ambos.

Enquanto a família Murtaugh espera pelo comercial, eles assistem Contos da Cripta (1989), primeira temporada, episódio dois, And All Through the House (1989) (o episódio psicopata do Papai Noel), que foi ao ar em 10 de junho de 1989, estrelado por Mary Ellen Trainor, que interpreta a psiquiatra policial Dra. Stephanie Woods na franquia Máquina Mortífera. Alguns episódios da série foram produzidos por Richard Donner.

Multiverso

Jenette Goldstein e Mark Rolston também apareceram em Aliens, O Resgate (1986), como Vasquez e Drake, respectivamente. O ator Michael Biehn (que em Aliens faz Hicks), foi cotado para o papel de Riggs. E no primeiro Máquina Mortífera, podemos ver claramente um letreiro escrito EXTERMINADOR. O Exterminador do Futuro é dirigido por Cameron, e tem Michael Biehn no primeiro filme e Jenette Goldstein no segundo.

E para finalizar

Conforme os comentários de Richard Donner, embora eles tenham rejeitado o rascunho original do roteiro de Shane Black principalmente devido ao final em que Riggs morre, eles ainda filmaram o final do filme de uma forma que pudessem editá-lo em dois diferentes versões dele; Riggs morrendo ou Riggs sobrevivendo. 

Após uma boa resposta do público durante a exibição-teste do filme, decidiu-se manter Riggs vivo. A última cena do filme, Riggs no chão, e Murtaugh segurando-o enquanto a câmera se afasta da cena para o ar, mostrando o nascer do sol, na verdade, era para usar no final onde Riggs morre, e é por isso que ele e Murtaugh não se movem durante a filmagem, então, de certa forma, o filme termina com Riggs morrendo devido aos ferimentos. 

É a magia do cinema, mostrando como a edição é importante para dar sentido ao que foi filmado. 

Aliás, uma última observação. Comecei o post do primeiro filme dizendo que "o cinema é uma poderosa ferramente para retornarmos no tempo. Momentos marcantes da vida podemo facilmente serem associados a filmes marcantes."

Eu assisti ao filme em 1989, lembro precisamente o que meu pai disse na cena em que Riggs planeja a invasão da casa das pilastras com Roger. Riggs diz que vai dar um sinal quando estiver pronto, e meu pai me disse: "Imagina o toco da merda que ele vai fazer". Ele tinha 48 anos. Hoje estou com 49, mas tenho a memória impressa no meu DNA. 

E posso afirmar: jamais estarei velho demais para isso...

Cinema é vida.


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