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NO LIMITE DA REALIDADE (1983) - FILM REVIEW

 

Há tantas coisas para falar de "No Limite da Realidade" que o filme em si, ficará por último. Começando pelo trágico evento que norteou o filme e claro, Além da Imaginação.

A concepção de qualquer trabalho envolve riscos. Mas de forma geral, o risco não "avança o sinal". Hoje falaremos justamente da exceção. Quando algo dá muito errado, normalmente, devido à falha humana, resultando em algo trágico. A seguir, conhecerá um episódio de "Além da Imaginação"... só que real.

Além da Imaginação apresenta histórias de ficção científica, suspense, fantasia e terror, com elementos sobrenaturais e inexplicáveis, como viagens no tempo, mundos paralelos, viagens espaciais, alienígenas, fantasmas, vampiros e outras aparições misteriosas. Elas aconteciam num local chamado de "Twilight Zone". O seriado introduziu diversas personalidades que ficariam famosas na década seguinte. Além disto, a série foi a base de (quase) tudo que se viu na ficção nos anos seguintes nos cinemas.

Devido ao sucesso, foram lançadas outras temporadas e continuações da série ao longo dos anos, como a série O Novo Além da Imaginação, de 1985 até 1989, e a terceira série, The Twilight Zone, lançada entre 2002 a 2003. Além delas, foi produzido por Steven Spielberg, em 1983, o filme No Limite da Realidade (Twilight Zone: The Movie) que se trata da produção do fatídico acidente contado neste post. 

E em 2019, o diretor e produtor Jordan Peele (de "Corra" e "Nós'), começou um reboot.

No limite da realidade

O filme tem 4 episódios: No 1º Segmento: Bill Connor (Vic Morrow) é um homem racista, que sente na pele a sensação de exclusão apenas devido à sua cor, ao viajar no tempo até a Alemanha nazista. Já no 2º Segmento: o Sr. Bloom (Scatman Crothers) chega em um asilo e realiza os desejos dos moradores do local, ao transformá-los em jovens encarnações de si próprios. 

No 3º Segmento: Anthony (Jeremy Licht), um garoto de 10 anos, ganha uma carona de Helen Foley (Kathleen Quinlan) e aprisiona-a, juntamente com outras pessoas, em um universo por ele criado. E finalizando, no 4º Segmento: John Valentine (John Lithgow) está em um avião e tenta convencer outras pessoas, inutilmente, da existência de uma criatura do lado de fora da aeronave, tentando sabotá-la.

Há ainda um prólogo e um epílogo com Dan Aykroyd, dando liga à história. John Landis dirigiu o prólogo e o 1º segmento, Steven Spielberg dirigiu o 2º segmento, Joe Dante dirigiu o 3º segmento e George Miller dirigiu o 4º segmento. Todos os diretores tinham liberdade para trabalhar com suas equipes costumeiras de trabalho em seu segmento, com Steven Spielberg e John Landis sendo também produtores.

A morte pede carona

De forma bem resumida, em 23 de julho de 1982, por volta das 2h:30min., o ator Vic Morrow e as crianças Renee Chen e My-ca Dinh Le, também integrantes do elenco, morreram em um acidente nos sets de filmagens. Durante as filmagens de uma batalha na Guerra do Vietnã, destroços de uma explosão subiram 30 metros e danificaram o rotor do helicóptero, fazendo com que ele caísse bem em cima dos atores, matando-os na hora. 

Como era ilegal que crianças trabalhassem neste horário, Renee Chen e My-ca Dinh Le não constavam no elenco oficial e seus pais foram pagos em dinheiro por sua participação. O diretor John Landis, os produtores George Folsey Jr. e Dan Allingham, o piloto Dorcey Wingo e o coordenador de efeitos especiais Paul Stewart foram processados por homicídio culposo. O julgamento ocorreu em 3 de setembro de 1986, com todos sendo considerados inocentes.

Vic

Vic Morrow foi um ator americano, bastante conhecido pela antológica série "Combate". Ele tinha duas filhas, mas uma em especial se tornou muito conhecida do público, principalmente por papéis fortes, sensuais e com muita nudez: Jennifer Jason Leigh.

Como dito acima, no julgamento, a defesa afirmou que o acidente não poderia ser previsto, enquanto a promotoria alegou que Landis e sua equipe foram imprudentes e violaram as leis relativas a atores infantis, incluindo regulamentos sobre suas condições de trabalho e horários. Após o julgamento de 10 meses, um júri absolveu todos os cinco réus em 1987. As famílias das três vítimas entraram com processos contra Landis, Warner Brothers e o co-diretor e produtor Steven Spielberg, acertados por quantias não reveladas.

No episódio do filme, o personagem racista de Morrow experimenta uma mudança de atitude semelhante à de Scrooge (aquele de Charles Dickens) através da viagem no tempo. Na cena climática, ele resgata duas crianças vietnamitas do fogo de um helicóptero durante a Guerra do Vietnã. Mas o helicóptero voando sob uma carga explosiva NÃO fazia parte do roteiro. Landis deu a ordem suicida como verão abaixo. O helicóptero caiu no chão, esmagando a criança chinesa Renee Chen (de 6 anos) e decapitando Morrow e a criança vietnamita Myca Dinh Le (de 7 anos); Seis outras pessoas no helicóptero ficaram feridas.

As mortes finalmente trouxeram a atenção necessária para a questão da segurança no set de Hollywood. Como resultado direto, os chefes dos estúdios e sindicatos de trabalhadores elaboraram um conjunto codificado de padrões de segurança.

A realidade entre linhas

Enquanto Vic Morrow esperava para filmar o que seria a cena que o matou, ele teria dito a um assistente de produção: "Devo estar louco para fazer isso. Eu deveria ter pedido um dublê. O que eles podem fazer senão me matar, certo?!" Enquanto filmava Fuga Alucinada (1974), ele insistiu em ter um seguro de vida de US$ 1 milhão antes de filmar qualquer cena envolvendo o helicóptero em que viajaria. Ele foi muito insistente e, quando questionado sobre o motivo, Morrow respondeu: "Sempre tive a premonição de que morreria em um acidente de helicóptero!"

O bizarro é que a cena filmada no momento do acidente fatal de Vic foi adicionada ao roteiro na tentativa de "suavizar" seu preconceituoso personagem Bill Connor e dar-lhe alguma redenção: enquanto fugia dos ataques americanos a uma vila vietnamita, ele vê duas crianças órfãs. Bill decide salvá-los custe o que custar, então ele os carrega debaixo dos braços e atravessa o rio em segurança. 

Ele então se encontra de volta à França ocupada pelos nazistas, com as duas crianças saltando no tempo com ele. Os nazistas levam as crianças para execução e levam Bill para um trem. Devido ao acidente de helicóptero que ceifou a vida de Morrow e dos atores infantis, Renee Chen e My-ca Dinh Le, todas as cenas com as crianças foram completamente cortadas, e elas não aparecem no filme. O final originalmente planejado de Bill foi mantido, deixando a mudança de personagem de Bill praticamente sem solução.

O último filme concluído de Vic Morrow foi Os Guerreiros do Bronx (1982). Em uma cena assustadoramente presciente que parecia prenunciar sua morte trágica neste filme, o superior de Morrow diz a ele: "Se você não pegar a garota até as 11 horas de amanhã, vou cortar sua cabeça!" O personagem de Morrow respondeu: “Vamos trazê-la de helicóptero”.

Segundo John Larroquette, ele pediu para assistir às filmagens do que seria a trágica cena do helicóptero, mas seu carro foi roubado na noite anterior e ele não conseguiu chegar ao set. O segmento em questão, "Time Out", é o único original do filme. Os demais segmentos são remakes de episódios de Além da Imaginação (1959). "Time Out", no entanto, é vagamente baseado em um dos episódios clássicos, "A Quality of Mercy", de 1961, sobre um militar da Segunda Guerra Mundial trocando de lado durante a guerra.

Na sequência de abertura, Dan Aykroyd e Albert Brooks discutem Além da Imaginação (1959). Aykroyd menciona um episódio da série sobre um homem que adquire um cronômetro que tem o poder de parar o tempo. Brooks diz que o episódio de que fala é, na verdade, de outra série intitulada Quinta Dimensão (1963). Aykroyd reafirma que se trata de um episódio de The Twilight Zone (1959). Aykroyd está correto. O episódio ao qual ele se refere é A Kind of a Stopwatch (1963) de The Twilight Zone (1959).

O diretor John Landis "sobreviveu" à polêmica e aos problemas jurídicos provocados pela tragédia no set. Ele continuou fazendo filmes de sucesso em Hollywood como “Trocando as Bolas”, “Três Amigos” e “Um Príncipe em Nova York”. Mas ele admite em entrevistas que é assombrado pelo acidente e diz que não passou um dia sem que ele pensasse sobre isso.

De fato, a falta de segurança nos sets era algo além da imaginação. E os envolvidos não eram criminosos. Mas de uma maneira geral, quase ninguém acreditava nestas tragédias, até porque, quando ocorrem, são pontuais. E eles nunca levam em conta de que, se há uma exceção, é porque alguém é o sorteado do dia... 



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