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A LENDA DE CANDYMAN (2021) - FILM REVIEW

 

A Lenda de Candyman (2021

O filme reimagina a história de Candyman para o contexto atual e aborda questões sociais, raciais e culturais de maneira mais profunda. Ele se passa no mesmo cenário de Chicago, onde a lenda do Candyman se espalha novamente.

A trama segue um artista chamado Anthony McCoy (interpretado por Yahya Abdul-Mateen II) que, ao pesquisar sobre a lenda do Candyman, acaba despertando a presença do assassino sobrenatural. À medida que Candyman retorna, uma série de eventos assustadores e violentos se desenrolam, explorando temas como gentrificação, violência racial e as consequências do passado.


O filme explora as consequências do racismo e da violência racial, tanto no passado quanto no presente, desde a primeira cena. Ele examina como o legado de injustiças raciais e opressão continua a impactar as comunidades negras, e como isso pode levar a um ciclo de violência.


Eles amam o que fazemos, mas não a nós


Também aborda a gentrificação, que se trata do processo de transformação de bairros historicamente marginalizados em áreas mais valorizadas e frequentemente ocupadas por pessoas de maior poder aquisitivo. Ele destaca como a gentrificação pode deslocar comunidades de baixa renda e apagar sua história e identidade cultural.

Outro tema importante tratado no filme é da apropriação cultural, explorando como certas narrativas e símbolos são cooptados e distorcidos para atender aos interesses de pessoas de fora de uma comunidade específica, muitas vezes ignorando ou diminuindo a importância cultural e o significado original.

E por fim, uma discussão bem interessante proposta pelo filme é a responsabilidade dos contadores de histórias ao lidar com narrativas sensíveis e traumáticas. O longa levanta questões sobre quem tem o direito de contar certas histórias e como as narrativas podem ser distorcidas ou mal interpretadas. No filme, ela se mostra um gatilho, que muda radicalmente a trajetória e a vida de vários personagens.

Peele, Jordan Peele.

O nome por trás das discussões é Jordan Peele, um renomado cineasta, roteirista e produtor norte-americano. Nascido em 21 de fevereiro de 1979, em Nova York, Peele ganhou destaque inicialmente como comediante, sendo um dos criadores e protagonistas do popular programa de comédia de esquetes "Key & Peele", ao lado de Keegan-Michael Key.

No entanto, foi com sua incursão no gênero de suspense e terror que Peele conquistou reconhecimento e aclamação ainda maiores. Seu primeiro filme como diretor, "Corra!" (Get Out), lançado em 2017, foi um sucesso tanto de crítica quanto de público. O filme aborda questões de racismo e identidade racial nos Estados Unidos, usando o horror como veículo para explorar essas temáticas. "Corra!" ganhou o Oscar de Melhor Roteiro Original em 2018, e Peele foi indicado na categoria de Melhor Diretor.

Em seguida, Peele dirigiu e escreveu a obra-prima "Nós" (Us), lançado em 2019. Novamente explorando o gênero do terror, o filme aborda questões de dualidade, identidade e desigualdade social. Assim como seu trabalho anterior, "Nós" recebeu elogios da crítica e foi um sucesso comercial.

Seu trabalho tem sido elogiado por sua originalidade, perspicácia e impacto cultural. Além de dirigir, ele tem se envolvido na produção de várias obras e seu "toque" rouba a cena, direcionando todo o desenrolar dos filmes ou séries. Ele participou de produções como Além da Imaginação, Lovecraft Country, Hunters e Infiltrado na Klan. 

Além desses projetos específicos, Jordan Peele também fundou sua própria produtora chamada Monkeypaw Productions. Através dessa produtora, ele tem buscado desenvolver e apoiar projetos que abordem temas sociais relevantes e ofereçam uma perspectiva única no mundo do entretenimento.

Diga o seu nome

Jordan Peele foi originalmente contratado para dirigir Candyman, antes de assumir o papel de produtor. Nia DaCosta assumiu como diretora e mais tarde se tornou a primeira cineasta negra a ter um filme estreado em primeiro lugar de bilheteria.

A Lenda de Candyman foi o primeiro filme da série a apresentar personagens assumidamente gays e um casal gay inter-racial. O criador Clive Barker é abertamente gay e manteve um relacionamento inter-racial com o fotógrafo David Armstrong por treze anos.

Os bonecos de sombra do filme usados ​​para transmitir os horrores da violência racial têm uma forte semelhança com o trabalho da artista plástica Kara Walker e seus recortes de silhueta representam racismo e violência. Aqui vale um adendo: Charlotte "Lotte" Reiniger (2 de junho de 1899 - 19 de junho de 1981) foi uma diretora de cinema alemã e a pioneira da animação de silhuetas. 

Seus filmes mais conhecidos são As Aventuras do Príncipe Achmed, de 1926, o mais antigo longa-metragem de animação, e Papageno (1935). Reiniger também é conhecido por idealizar, de 1923 a 1926, a primeira forma de câmera multiplano, um dos dispositivos mais importantes da animação pré-digital. 

"Lotte", tão fundamental, mas por ser mulher, a história a fez menos importante. E é curiosa a história da origem da palavra silhueta. A palavra é derivada do nome de Étienne de Silhouette, um ministro das finanças francês que, em 1759, foi forçado pela crise de crédito da França durante a Guerra dos Sete Anos a impor severas exigências econômicas ao povo francês, especialmente aos ricos. 

Devido às economias austeras de Silhouette, seu nome tornou-se sinônimo de qualquer coisa feita de forma barata. Antes do advento da fotografia, perfis de silhuetas recortados em cartão preto eram a forma mais barata de registrar a aparência de uma pessoa. 


Candyman não é um indivíduo. É uma colmeia


O reflexo de Candyman aparece no lugar de Anthony várias vezes ao longo do filme à medida que ele é ainda mais corrompido pelo espírito, e embora Candyman ainda possa afetar objetos e pessoas no mundo real, ele pode ser visto somente em reflexos. 

Está implícito que isso é resultado de O Mistério de Candyman (1992): os moradores de Cabrini Green juraram manter o silêncio sobre a verdade acerca dos eventos em torno dos assassinatos pelos quais Helen Lyle foi responsabilizada, e a própria Helen foi publicamente reconhecida como a assassina em vez da entidade sobrenatural, Candyman, enfraquecido à medida que sua lenda desaparece gradualmente. 

Burke então, engana Anthony para que ele espalhasse sua lenda novamente. Isso também explica porque Candyman não fala durante seus assassinatos, exceto no clímax, quando ele é recém-capacitado e possui a carne física de Anthony.

Ele continua fraco demais para desperdiçar energia fazendo mais do que o necessário para espalhar sua lenda mais uma vez. E neste momento, o primeiro Candyman (Tony Todd rejuvenescido digitalmente), também reaparece, tornando o personagem uma variação de Pennywise, que se alimenta do medo e da crença em sua persona dualista.

Com a "morte" de Daniel Robitaille nos primeiros filmes, vemos como pessoas marginalizadas, vítimas de racismo ou brutalidade, acabam sendo incorporadas ao mito do Candyman através de uma ação do próprio Daniel. Durante os créditos, uma montagem é feita com sombras, e mostra a “origem” de diversos Candyman.

Helen se tornou uma, Sherman Fields, vítima que vemos neste filme e Anthony, sendo sobrevivente do ataque ocorrido no primeiro filme, seria o receptáculo ideal para trazer de volta o mito de Candyman. Em dado momento, um personagem explica que “Candyman não é um indivíduo. É uma colmeia“. Bom, eu diria que é uma frase que força algo muito maior do que realmente é. 

Candyman (Robitaille) é um polvo. E ao longo dos filmes, devido à sua derrota, ele usa tentáculos para ganhar vida novamente. 


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