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JURASSIC WORLD: DOMÍNIO (2022) - FILM REVIEW

 


🔷 Jurassic World: Domínio (2022)

Imagine um copo com água até a metade. Uma pessoa pode olhar para ele e dizer “o copo está meio cheio”, indicando uma visão mais positiva, focada no que existe. Outra pessoa pode olhar para o mesmo copo e dizer “o copo está meio vazio”, mostrando uma visão mais negativa, centrada no que falta.

O copo não muda, mas a forma de vê-lo, sim. Assim, a analogia ensina que a realidade pode ser interpretada de maneiras diferentes dependendo da atitude, das crenças ou do estado emocional de quem observa.


Jurassic World: Domínio pode ser visto destas duas formas. Você pode se entreter ou reclamar na mesma medida. Apontar belos momentos ou se desapontar com dinossauros lembrando galinhas (lembrei automaticamente de Chicken Park, lançado em 1994 e que parodia vários filmes, especialmente o filme Jurassic Park).

O filme é uma sequência direta do longa de 2018 Jurassic World: Reino Ameaçado, quatro anos após a destruição da Ilha Nublar, os dinossauros agora vivem e caçam ao lado de humanos em todo o mundo forçando a humanidade a enfrentar uma nova convivência com espécies outrora extintas. 


Enquanto a corporação Biosyn Genetics ergue uma reserva de dinossauros nas montanhas italianas e conduz experimentos genéticos sob a fachada de pesquisa farmacológica, Claire Dearing e Owen Grady vivem escondidos para proteger Maisie Lockwood, uma adolescente com um legado genético único que a torna alvo de grupos inescrupulosos.

Quando Maisie é sequestrada junto ao filhote de Blue, a velociraptor treinada por Owen, o casal embarca numa arriscada missão de resgate que os leva de um mercado negro de dinossauros em Malta até o coração da misteriosa instalação da Biosyn. Paralelamente, a Dra. Ellie Sattler, o Dr. Alan Grant e o Dr. Ian Malcolm unem forças para desvendar uma conspiração que ameaça colapsar o ecossistema global: um enxame de gafanhotos gigantes criados para destruir colheitas e consolidar o monopólio da Biosyn sobre o suprimento de alimentos.


Entre fugas alucinantes, embates entre predadores gigantes e traições corporativas, humanos e dinossauros mais uma vez se cruzam em uma luta pela sobrevivência. À medida que antigas alianças se renovam e novas verdades genéticas vêm à tona, resta à humanidade aprender a coexistir, ou enfrentar as consequências de brincar de Deus.

Domíno de quem?

Em 2018, a Universal Pictures oficializou o terceiro capítulo da franquia Jurassic World, prometendo o lançamento para junho de 2021. O projeto, que ainda não tinha título na época, marcou o retorno de Colin Trevorrow ao comando criativo, agora dividindo o roteiro com Emily Carmichael. A dupla trabalhou a partir de uma ideia desenvolvida por Trevorrow em parceria com Derek Connolly, colaborador frequente que ajudou a moldar os filmes anteriores.


A equipe de bastidores manteve nomes importantes da saga, com Frank Marshall e Patrick Crowley na produção e Trevorrow e Steven Spielberg como produtores executivos. Pouco depois do anúncio, Trevorrow também confirmou que assumiria novamente a direção, uma decisão impulsionada pelo trabalho de J. A. Bayona em Jurassic World: Reino Ameaçado. O próprio Spielberg o encorajou a fechar a trilogia que ele mesmo começou.

Antes de retomar os dinossauros, Trevorrow esteve à frente de Star Wars: Episódio IX, mas deixou o projeto em 2017. Para o cineasta, aquela experiência serviu como um “ensaio” para conduzir Jurassic World Domínio, planejado como o grande desfecho da nova fase da franquia. Parte da equipe de Star Wars seguiu ao lado de Trevorrow na aventura com dinossauros.


Diferentemente dos filmes anteriores, Dominio não contou com o cofinanciamento da Legendary Entertainment, já que o acordo entre o estúdio e a Universal expirou no mesmo ano do anúncio. Ainda assim, a produção seguiu grandiosa, prometendo encerrar a trilogia com a mesma força que deu início ao renascimento do parque jurássico nas telonas.

O DNA por trás de Jurassic World

A parceria entre Colin Trevorrow e Emily Carmichael começou em 2015, quando Trevorrow conheceu o trabalho de Carmichael depois de assistir a um curta dirigido por ela. Impressionado pela criatividade da roteirista em projetos como Círculo de Fogo: A Revolta e no roteiro de um remake de O Abismo Negro, Trevorrow a escolheu para ajudá-lo a construir o roteiro do terceiro Jurassic World. 


Em abril de 2018, os dois já trabalhavam juntos no texto que, segundo Trevorrow, deveria resgatar o espírito do Jurassic Park original, de 1993, em um tom de “thriller científico”. Para o cineasta, foi preciso rodar dois filmes antes de chegar à história que ele sempre sonhou ver na tela: dinossauros integrados ao mundo moderno, mas de forma plausível.

A ideia de mostrar dinossauros espalhados pelo planeta começou ainda em Jurassic World: Reino Ameaçado, lançado em 2018. Durante o desenvolvimento do filme anterior, Trevorrow imaginou uma trama onde a clonagem de dinossauros se tornaria uma tecnologia de “código aberto”, permitindo que empresas e governos ao redor do mundo criassem suas próprias criaturas para fins variados. 


Muitas dessas cenas foram removidas do segundo longa para que fossem exploradas com mais profundidade no terceiro capítulo. O próprio J. A. Bayona, diretor de Reino Ameaçado, contou que mantinha conversas frequentes com Trevorrow para definir o que seria aproveitado no futuro.

No entanto, Trevorrow sempre se mostrou contrário à ideia de mostrar dinossauros destruindo grandes centros urbanos, algo que ele considerava irreal dentro do legado de Michael Crichton, autor dos livros que deram origem à franquia. Em vez de uma guerra aberta entre humanos e répteis gigantes, o diretor queria retratar encontros inesperados, como um dinossauro cruzando uma estrada no interior ou invadindo um acampamento à noite. 


Sua meta era criar um mundo onde dinossauros existissem de forma imprevisível, mas possível, como tubarões ou ursos selvagens, mantendo o suspense e o fascínio pela coexistência. Para tornar essa proposta crível, Trevorrow mergulhou em documentários como Planeta Terra e buscou inspiração em filmes de invasão alienígena com abordagem realista. 

Em entrevistas, ele sempre destacou que os dinossauros não deveriam aparecer em todo lugar o tempo todo. Assim como tigres, que existem mas raramente são vistos nas ruas, os dinossauros precisavam ser uma ameaça plausível, mas não onipresente. A construção do roteiro contou ainda com contribuições de Carmichael e do elenco. Bryce Dallas Howard, intérprete de Claire, manteve durante as filmagens uma lista de ideias para o desfecho da trilogia, como a presença de um filhote de velociraptor e a criação de um mercado negro de dinossauros em Malta. 


Ambos os elementos foram incorporados na versão final do filme. Para Trevorrow, o mercado clandestino seria mais coerente com o universo da história do que o leilão de dinossauros mostrado em Reino Ameaçado. Na parte científica, Trevorrow consultou especialistas para criar uma ameaça global que justificasse a intervenção de uma paleobotânica, a Dra. Ellie Sattler, personagem clássica da trilogia original. 

Foi daí que surgiu a trama dos gafanhotos geneticamente modificados, inspirada em pesquisas reais como o programa Insect Allies, da DARPA, em que insetos são usados para espalhar pesticidas. Trevorrow e Carmichael ainda contaram com o apoio de roteiristas renomados como Michael Arndt, Krysty Wilson-Cairns e David Koepp, que revisitaram diálogos e ajustaram detalhes da história.


Outra decisão importante foi dar mais espaço para a Biosyn, corporação citada nos livros de Crichton, mas pouco explorada nos filmes. O estúdio também trouxe de volta Lewis Dodgson, personagem que teve uma breve participação em Jurassic Park. Aqui ele é interpretado por outro ator, mas para quem não se lembra, é o cara que entrega o recipiente para o DNA dos dinossauros ser acondicionado quando roubado pelo nerd Dennis Nedry.

Além dele, retornaram rostos icônicos como Alan Grant e Ian Malcolm, juntando forças com Ellie em um trio que dividiria o protagonismo com os personagens mais novos. Trevorrow admitiu que equilibrar o tempo de tela entre veteranos e novatos foi um dos maiores desafios do roteiro, que passou por várias revisões até chegar ao ponto de reunir todas as pontas soltas.


Figuras conhecidas, como o Dr. Henry Wu (o cientista que não define de que lado está), também ganham destaque no desfecho, enquanto personagens como Lex, Tim Murphy e Kelly Curtis chegaram a ser cogitados, mas acabaram de fora para não sobrecarregar a trama. 

Steven Spielberg acompanhou de perto o processo e aconselhou Trevorrow a nunca perder de vista o lado humano dos personagens, lembrando que, por trás do espetáculo dos dinossauros, há sempre pessoas comuns lidando com situações extraordinárias.


Com isso, Jurassic World Dominion buscou encerrar a saga celebrando tudo o que tornou o universo jurássico tão marcante para o público: aventura, ciência fora de controle e a eterna tensão entre humanidade e natureza.

Pandemia

Em fevereiro de 2020, Jurassic World começou a ser filmado no Canadá, com cenas aéreas captadas por drones em Cathedral Grove. Pouco depois, a equipe seguiu para a Inglaterra, usando os estúdios Pinewood como base principal. Malta também entrou no roteiro como locação internacional.


Com orçamento altíssimo, o filme trouxe de volta John Schwartzman como diretor de fotografia, que combinou película tradicional com captação digital para facilitar o trabalho de efeitos visuais. Trevorrow optou por um estilo de filmagem que priorizava tomadas longas, evitando o uso de múltiplas câmeras.

A pandemia de COVID-19 interrompeu as gravações em março, mas a equipe aproveitou o tempo para adiantar a pós-produção. Em julho, as filmagens foram retomadas sob rígidos protocolos de segurança. A Universal alugou um hotel para isolar elenco e equipe, que conviveram em “bolha” durante meses, com testes constantes e medidas sanitárias rigorosas.


Mesmo assim, a produção precisou se adaptar: cenas foram reescritas, locações alteradas e alguns atores não conseguiram participar por restrições de viagem. Apesar dos contratempos e de paralisações por novos casos de COVID-19, o time conseguiu completar as gravações em novembro de 2020.

Jurassic World Domínio se tornou um exemplo de como Hollywood reinventou a logística de filmagens em tempos de pandemia, equilibrando efeitos grandiosos e protocolos de segurança sem abrir mão da escala épica que marcou toda a franquia.


Custando em torno de 265 milhões, a bilheteria foi de 1,004 bilhão, abrindo portas para o fim ser um novo começo.

Meio copo.

Não é um filme perfeito. Na realidade, é mediano. Dos Jurassic World até aqui, talvez seja o quarto. Há diversos problemas evidentes de edição, música tema fora de lugar, trilho sonora barulhenta em diversos momentos, personagens que somem sem rastros, vilão com perfil mal delineado e dinossauros que se vingam dele só por que ele é... vilão. 


Isto sem contar das interações forçadas de velociraptores com humanos (não estou julgando como real uma relação que nem ocorreu, mas nem um bando de cachorros bravos são tão respeitosos).

Enfim, se você se divertiu e ignorou os defeitos, você é da turma do meio copo cheio. Mas o pessoal do meio copo vazio tem razões de sobra para pensar assim.








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