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SEXTA-FEIRA 13 (1980) - FILM REVIEW


🔷Sexta-feira 13 (1980) 


Existe uma expressão, que nasceu do voleibol, que diz "que o jogador levantou para o outro cortar". Um lance comum no esporte, mas que, como tantas frases, ganhou o mundo para uso mais abrangente. No nosso dia a dia, quando a escutamos, quer dizer que alguém preparou o terreno para a outra finalizar, marcar o ponto. No Slasher aconteceu exatamente assim. O levantador foi Mario Bava e quem cortou foi John Carpenter. Já explico...

O Slasher é um subgênero do horror que, basicamente, é definido por um psicopata perseguindo e matando um grupo de pessoas, geralmente usando ferramentas com lâmina. Simples assim. O cinema cria as regras e ele mesmo as destrói. De toda forma, há características bem marcantes na estrutura dos filmes. Costumeiramente, são de baixo orçamento, diretores ora inventivos, ora picaretas (que se dispõem apenas a copiar os antecessores), geralmente com atores medianos, belas (e nuas) atrizes, roteiro limitado e, claro, sangue.


O vilão, por exemplo, em quase 100% dos casos é humano (mesmo com força sobre-humana ou habilidades extraordinárias). Explicando melhor, ele não será um Thanos, Predador ou um Alien. Será uma pessoa, mesmo que morra e volte, assassine nos sonhos ou leve 258 mil tiros e não morra. Outra característica comum é a contagem de corpos. Sempre tem uma turminha aleatória que falece no filme, para conferir credibilidade ao vilão.

As origens são óbvias: estão no próprio cinema. Uma parte aqui, outra ali, aos poucos o Slasher foi tomando forma. Filmes como Museu de Cera (1953), Psicose (1960), A Tortura do Medo (1960), algumas produções da Hammer (Maníaco, de 1963, Fanatismo Macabro, 1965), os Giallos dos anos 60 são alguns dos exemplos de produções com elementos Slasher. 


Mas foi com "Banho de Sangue" (1971), dirigido por Mario Bava, que o Slasher tomou forma. Para quem não lembra, há cenas idênticas em Sexta-Feira 13 - Parte 2. Mario Bava plantou a ideia, mas quem regou foi John Carpenter, em 1978, com Halloween. Na trama, Michael Myers (Tony Moran) é um psicopata que vive em uma instituição há 15 anos, desde quando matou sua própria irmã. Porém, ele consegue fugir de seu cativeiro e retorna à sua cidade natal para continuar seus crimes na localidade que, aterrorizada, ainda se lembra dele.

Halloween - A Noite do Terror foi rodado em 21 dias com um custo de apenas 325 mil dólares. Rendeu 70 milhões. Desta forma, nascia verdadeiramente o Slasher, que, no coração dos oitentistas, marcou época com nomes como Jason Voorhees, Freddy Krueger, Michael Myers e muitos outros que faziam a "alegria" da garotada, sempre ávida em ver corpos nus e/ou despedaçados.


O significado da palavra vem de "golpear", que remete ao ato cometido pelo serial killer. Há algumas características comuns. Os assassinos são normalmente deformados e/ou usam máscaras. Tem um passado conturbado, geralmente com problemas familiares. Eles matam costumeiramente a esmo, sem um número ou pessoa específica. Uma das cenas mais comuns em filmes do tipo é a de uma pessoa (normalmente mulher) correndo no mato, tropeçando 666 vezes enquanto o assassino anda, num passo pouco apressado, atrás da futura vítima. Jason, em Sexta-Feira 13 (parte 2 em diante), praticou isto à exaustão.

Os filmes também costumam ter muitas continuações, elevando consideravelmente a contagem de corpos. E, não incomum, o serial killer é morto em cada filme, para então reviver milagrosamente no filme seguinte. Como podemos ver, os conceitos de horror se confundem e se misturam. Um filme "B" pode ser "Trash". Um "Slasher" pode ser "Gore"...


O auge foi até meados dos anos 80, com inúmeros filmes famosos produzidos na época. A onda foi tão forte, quase um "slasher exploitation", que o subgênero se desgastou. Os filmes passaram a ser muito iguais, com uma ou outra "invenção de roteirista" para dar um "ar" de ineditismo, como Sexta-Feira 13 - Parte 7: A Matança Continua (1988), em que Jason enfrenta uma paranormal (e cadeirante ainda por cima), ou em Halloween III - A Noite das Bruxas (1982), filme em que a história nada tem a ver com as sequências. 

E, como era de se esperar, veio a queda. Mas, antes de terminar, um nome merece uma menção à parte: Wes Craven. O diretor pontuou os Slasher em vários momentos. Foi dele um dos mais marcantes personagens da história deste cinema: A Hora do Pesadelo. Curiosamente, ele fez Shocker: 100 Mil Volts de Terror, filme feito na época em que o subgênero caminhava para o fundo do poço. Horace Pinker (Mitch Pileggi) era para ser o novo Freddy Krueger, mas não funcionou como o esperado. Ou seja, Craven fez parte do início e do fim.


Em 1994, com "O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger", Craven fez o que ninguém esperava: revigorar os slashers com um filme antológico, que está bem no topo dos melhores da série. O filme mostrou Freddy atacando os atores dos filmes passados. Uma sacada genial, mostrando como o cinema é uma obra que transcende, que se reinventa e recomeça. Dois anos depois, Craven arrebentou o lacre dos Slashers para a nova geração com Pânico, filme que não só apresentava um icônico personagem que marcou o subgênero, como fez uma obra bem sacada, que satiriza o horror e, de certa forma, evolui.

Com o filme, veio um novo enxame. "Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado", "Lenda Urbana", "Medo em Cherry Falls", "Dia do Terror" e muitos outros, além das óbvias continuações. Deram as caras também novas versões de filmes antigos como Halloween e Chucky. Seguiram remakes e até crossovers (que sempre representaram um ponto negativo em franquias de terror/ficção). Atualmente, com a onda do "pós-horror", que significa algo como horror com inteligência, os slashers andam meio adormecidos. Mas não se engane, são como vampiros. Uma hora destas, acordam para um novo ataque.


Dando vida à Sexta-feira 13.

Se Jason Voorhees morreu afogado por conta do descuido de monitores no acampamento Crystal Lake, como ele reaparece adulto no segundo filme? A completa falta de lógica pode ser respondida da maneira mais descomplicada possível: quando o filme foi concebido, não pensaram que o sucesso do filme seria tamanho a ponto de impulsionar continuações. Algo semelhante ocorreu com Halloween, outra franquia Slasher que começou poucos anos antes. Sexta-Feira 13 é sobre uma mãe vingativa. Jason Voorhees aparece apenas como uma alucinação, que se assemelha a uma ponta solta que não ganhou continuidade. Na história do filme, um acampamento de verão, que ficou fechado por duas décadas após assassinatos ocorridos no local, é preparado para ser reaberto. A partir deste momento, uma onda de mortes brutais vai dizimando os frequentadores, um por um. 


No outono de 1979, um grupo de atores desconhecidos, um diretor ansioso por um sucesso e um pioneiro em efeitos especiais se reuniram nas florestas de Nova Jersey para criar algo que se tornaria lendário. Sexta-Feira 13 foi inicialmente concebido como um trabalho sem grande relevância, em que todos cumpririam as obrigações contratuais e iriam para o próximo projeto. Não foi planejado para o que se tornou: um marco divisor na produção de filmes de terror, inspirando inúmeros imitadores e quase uma dúzia de sequências. O diretor Sean Cunningham começou sua carreira na indústria dirigindo filmes pornôs leves e, depois, fez a transição para o terror com o também aficionado por pornografia Wes Craven, com quem produziu o clássico de terror de 1972, Aniversário Macabro ("The Fireworks Woman" é o filme seguinte de Craven, e é uma produção de sexo explícito).

Sean S. Cunningham e Victor Miller se conheceram em 1977, enquanto faziam um remake de baixo orçamento de Garotos em Ponto de Bala (1976) chamado Here Come the Tigers (1978), dirigido por Cunningham e escrito por Miller... A essa altura, Cunningham não tinha tido sucesso desde Aniversário Macabro (1972), e Miller era um ex-romancista e dramaturgo apenas começando a escrever roteiros. Eis que veio Halloween - A Noite do Terror (1978), de John Carpenter, e Victor e Sean quiseram aproveitar o sucesso do filme e fazer algo no mesmo sentido (inclusive um dos pensamentos iniciais foi que a personagem Alice Hardy fosse fixa, como Laurie Strode).


O diretor Sean S. Cunningham chegou a abordar o produtor de Halloween, Irwin Yablans, para produzir o filme, mas ele recusou, pois não estava interessado em fazer outro filme de terror. Ao dar vida ao roteiro, Miller fez, inconscientemente, uma inversão da fórmula Psicose (1960), com mãe e filho trocando os papéis. Ao escolher o elenco para o filme, Cunningham disse que não estava procurando "grandes atores". Ele só queria qualquer um que tivesse boa aparência, parecesse simpático, lesse os diálogos razoavelmente bem e trabalhasse de forma barata.

A única que realmente tinha uma carreira era Betsy Palmer, que atuava desde os anos 50, trabalhando em filmes como Mister Roberts (1955) e O Homem dos Olhos Frios (1957). Ela entrou na produção com as filmagens já iniciadas (Shelley Winters foi sua primeira escolha e Estelle Parsons chegou a negociar o papel) e revelou que, se não estivesse tão necessitada de um carro novo na época, ela jamais teria aceitado interpretar o papel de Pamela Voorhees. De fato, após ler o roteiro inicial, ela não simpatizou com a história. Com o passar dos anos, entretanto, Palmer mudou sua opinião radicalmente, já que seu papel se tornou o único em que ela é popularmente lembrada. 


Tom Savini foi um dos primeiros membros da equipe a bordo do filme porque os produtores idolatravam seus efeitos de maquiagem em Despertar dos Mortos (1978). Enquanto a maioria do elenco e da equipe ficou em hotéis locais durante as filmagens, alguns dos mais dedicados, incluindo Tom Savini e Taso N. Stavrakis ficaram no local do acampamento. Eles tinham o videocassete Betamax de Savini e apenas alguns filmes, como Barbarella (1968) e Maratona da Morte (1976), em fita de vídeo para se entreterem e assistirem a um a cada noite. Até hoje Savini diz que sabe recitar esses filmes de cor. A maior parte do local e do set já estava lá. A equipe só teve que construir o banheiro. 

Existe um município chamado Voorhees, em New Jersey, que fica a cerca de treze quilômetros de Haddonfield, também em New Jersey, cidade onde foi realizado o filme Halloween: A Noite do Terror (1978). O documentário Halloween: 25 Years of Terror (2006) mostra a imagem de uma placa de trânsito que lista Voorhees logo abaixo de Haddonfield. O município recebeu o nome de Foster McGowan Voorhees, governador de Nova Jersey de 1899 a 1902. O sobrenome "Voorhees" é de herança holandesa e também é uma família comum em Nova Jersey. Estes elementos foram vitais para a concepção do roteiro de Sexta-Feira 13.


A história de Jason Voorhees, como dito, não foi planejada. Ela foi acontecendo. O sucesso do primeiro filme, que custou aproximadamente 500 mil dólares e rendeu em torno de 40 milhões apenas nos EUA (para efeito comparativo, o filme Madame Teia fez quase o mesmo valor em 2024!), além de render outros 20 milhões ao redor do mundo. Gerou uma franquia que, curiosamente, foi mais coesa que o próprio Halloween (faça uma maratona de ambas e perceberá a diferença). Jason atacou em Sexta-Feira 13 - Parte II (1981), Sexta-Feira 13 - Parte III (1982), Sexta-Feira 13 - O Capítulo Final (1984), Sexta-Feira 13 - Parte V: Um Novo Começo (1985), Sexta-Feira 13 - Parte VI: Jason Vive (1986), Sexta-Feira 13 - Parte VII: A Matança Continua (1988), Sexta-Feira 13 - Parte VIII: Jason Ataca em Nova York (1989), Jason Vai Para o Inferno - A Última Sexta-Feira (1993), Jason X (2001) e Sexta-Feira 13 (2009). 

Além destes, Jason aparece também em Freddy vs. Jason (2003) e no remake. Faz tempo que ele não comete novas atrocidades, mas, enquanto isto não acontece, nós, os fãs, vamos mantendo sua história bem viva para as novas gerações.

"Eles foram avisados... Eles estão condenados... E na sexta-feira 13, nada os salvará."


13 Regras para sobreviver em um Slasher (ou tutorial para morrer em um)

Não quero me candidatar a coach de sobrevivência em filmes de terror, até porque não há ciência exata em um roteiro que, muitas vezes, quer subverter padrões, mas, se eu tivesse que seguir um tutorial para tentar sobreviver em um filme Slasher, seria este:

1) Regra de ouro: os assassinos de um Slasher são puritanos. Se você faz sexo, você morre. É a única hora em que um casal é assassinado, já que ele sempre faz suas vítimas, uma a uma.

2) Quando ouvir um barulho estranho, jamais saia para investigar ou diga que “já volto”. Procure manter o grupo unido.

3) Porões e sótãos não são lugares para sobreviventes, portanto, fique longe, principalmente se escutou algum barulho vindo de lá.


4) Caso encontre o assassino cara a cara, você deve correr, jamais o enfrentar; portanto, preocupe-se com sua forma física, frequente academia, pratique cardio com frequência. Vai precisar de fôlego, já que, mesmo você correndo, ele consegue te perseguir apenas andando.

5) Esta regra está intimamente relacionada à anterior: sempre preste atenção por onde corre, pois é quase certo que tropece e ele te alcance.

6) Se alguém te alertar para ficar longe do local por conta de histórias macabras ocorridas lá, escute. Vá embora e o informe que, ao avisar, se tornou potencial vítima.

7) Não beba. Não use drogas. É uma dica para a vida, mas nos filmes slasher é sua sentença de morte.


8) Em um filme Slasher (diria até no cinema de horror em geral), nunca espere algo da polícia, pois são praticamente inúteis. Nem perca tempo ligando para eles, você só vai se atrasar. O auge da utilidade policial é chegar no final do filme, e para nada, já que são os paramédicos que recolhem os corpos.

9) Escute a criança que fizer um alerta. É quase certo que ela te dê um direcionamento correto do que fazer. 

10) Fique longe dos arquétipos e estereótipos: nerd (aquele tradicional, com óculos, gago...), loira líder de torcida, o piadista que faz bullying, o atleta (que também costuma ser o corajoso/valentão). Assassinos também são gordofóbicos, portanto, ficar perto de algum deles é um risco, já que, provavelmente, vão todos morrer.


11) Sempre presuma que o assassino ainda está vivo. É quase certo que ele não morra, nem mesmo no fim do filme, mas é certo que você morra se ignorar esta regra.

12) Ser mulher em filme Slasher é uma vantagem competitiva. Ser mulher e virgem, então, você praticamente se garante viva para a continuação. Mas ser mulher, virgem e loira te faz uma final girl com toda certeza...

13) Por fim, uma regra geral, mas que é muito útil: evite casas misteriosas; não espere sinal de um celular; ao correr, prepare-se para obstáculos invisíveis que farão você cair; prepare o coração para "jump scares", especialmente, com gatos inoportunos jogados em cima de você.
Espero que você sobreviva, ou morra tentando...


13 curiosidades incríveis sobre Sexta-feira 13 (1980)

Sexta-feira 13 se tornou um marco improvável e trouxe consigo diversas curiosidades ao longo de sua história. Conheça 13 curiosidades sobre o clássico do terror Slasher.

1) O compositor Harry Manfredini disse que, ao contrário da crença popular, o famoso "Chi, chi, chi, ha, ha, ha" na trilha sonora do filme é, na verdade, "Ki, ki, ki, ma, ma, ma". A intenção é que ele se assemelhe à voz de Jason dizendo "Mate, mate, mate, mamãe, mamãe, mamãe" na mente da Sra. Voorhees. 

Ele foi inspirado na cena em que Pamela Voorhees grita: "Pegue ela, mamãe! Mate ela!" Manfredini criou o efeito falando as sílabas "ki" e "ma" em um microfone, passando por um efeito de delay.

E curiosamente, era um spoiler sutil de quem seria a assassina no final do filme.


2) Victor Miller disse que Jason é a combinação dos nomes de seus filhos, Josh e Ian, e, segundo o escritor, foi uma forma de homenageá-los. Pode ser bizarro, mas tenha certeza de que ninguém vai se esquecer desse nome tão cedo. E outro detalhe: antes de Jason, a opção era... Josh. Ainda bem que ele tinha dois filhos... Já o sobrenome "Voorhees" era de uma garota com quem Miller estudou.

3) No roteiro original de Miller, o personagem Jason Voorhees era, basicamente, apenas um garoto que acidentalmente se afogou em Crystal Lake. Mas o financista Philip Scuderi queria algo mais e trouxe o roteirista Ron Kurz para algumas reescritas. Uma das contribuições mais importantes de Kurz para o filme foi transformar o garoto trágico na criança deformada que vemos no filme final. Isto ocorreu por conta do envolvimento do maquiador Tom Savini na história.


4) O pai de Jason nunca é mencionado nos filmes. No entanto, em quadrinhos e novelizações, ele foi introduzido como sendo um homem chamado Elias Voorhees, que era muito cruel e abusivo com Jason. Um roteiro não utilizado do crossover de Jason e Freddy do início dos anos 1990, escrito por Lewis Abernathy, apresentava uma breve cena com Elias que terminava com Pamela o assassinando.

5) A assassina é chamada apenas de Sra. Voorhees. Seu primeiro nome não é revelado como "Pamela" até que uma cena de sua lápide seja mostrada na Parte 4, O Capítulo Final.

6) Crystal Lake é, na verdade, o acampamento No-Be-Bo-Sco, que é totalmente operacional e ao qual o elenco e a equipe tiveram acesso depois que os campistas partiram para o verão em 1979. Ele continua em uso hoje.


7) O filme se passa tanto em uma Sexta-Feira 13, tanto em 1958 quanto no presente. Curiosamente, o filme estreou em 9 de maio de 1980 nos EUA, mas no dia 13 de junho de 1980, quando o filme ainda estava nos cinemas, caiu em uma sexta-feira. 

Apenas três filmes se passam na Sexta-Feira 13. Em toda a franquia, apenas a Parte I (1980), a Parte II (1981) e o remake de Sexta-Feira 13 (2009) mencionam que as ocorrências no filme acontecem na Sexta-Feira 13. A Parte III acontece no sábado, dia 14, por exemplo. A Parte IV acontece no domingo e na segunda-feira. Depois disso, parece que os produtores da série abandonaram a data, afinal, qual era a sua importância, não é?

Cinco filmes tiveram datas de lançamento na Sexta-Feira 13. Eles foram à Parte III (1982), O Capítulo Final (1984), Parte VII (1988), A Sexta-Feira Final (1993) e o remake de Sexta-Feira 13 (2009).

8) Quando a garganta de Annie (Robbi Morgan) é cortada no início do filme, o assistente de efeitos especiais Taso Stavrakis é quem empunha a faca porque a atriz, para interpretar a Sra. Voorhees ainda não tinha sido contratada. Ou seja, a "vítima" nem chegou a conhecer Betsy Palmer.


9) Depois de o filme se tornar um sucesso, Adrienne King foi assediada por um fã obcecado. Sentindo-se aterrorizada, ela solicitou que seu papel na Parte 2 fosse minimizado ao máximo. Por quase duas décadas após o lançamento, ela se afastou de outros papéis e evitou participar de convenções.

10) Há uma série de TV lançada em 1987 chamada Sexta-Feira 13 - O Legado, dos mesmos produtores do filme, porém sem qualquer relação com a franquia. Muitos confundiram na época, chegando a alugar VHS de episódios da série, lançados da mesma forma que Amazing Stories: pela CIC Video, em fitas contendo apenas dois episódios (só que, no caso do Amazing, eram 3). 

11) A primeira vítima do filme foi Willie Adams. Ele era assistente de produção e passou a maior parte do tempo trabalhando atrás das câmeras.


12) Ao contrário da crença popular, o título original sempre foi "Friday the 13th". Era parte da concepção original, conforme previsto pelo diretor e criador do filme, Sean Cunningham. "Long Night at Camp Blood" era apenas um título provisório que a produção estava usando para manter o filme em segredo do público em geral enquanto eles estavam filmando. 

13) O bom cinema copia e é copiado. É interessante observar que, após a cena inicial, há uma sequência em que uma mochileira entra em um bar perguntando sobre o acampamento do Crystal Lake. Toda a construção da cena é refeita em "Um Lobisomem Americano em Londres" (1981), quando os dois mochileiros (David Kessler e Jack Goodman) entram no bar chamado "The Slaughtered Lamb". Curioso traçar um paralelo entre a vítima da Pamela e o nome do bar, que, traduzindo, fica algo como "cordeiro massacrado".

O diretor de Sexta-Feira 13 faz uma homenagem à Psicose, colocando uma atriz, que imaginamos ser a principal, sendo morta com menos de meia hora de projeção. E o final, com Jason saindo da água, é copiado de Carrie - A Estranha, adaptação de Stephen King que Brian de Palma dirigiu.

Detalhe: a cena ficou muito mais parecida com o final de Amargo Pesadelo (1972), que foi a inspiração de Brian de Palma para o final de Carrie.


Jason, uma vítima incompreendida.

A vida de Jason não foi fácil. Começou nascendo em uma Sexta-Feira 13 e com uma deformidade física que causou rejeição paterna. O pai era abusivo e a mãe ficou com sérios problemas emocionais devido à sua morte.

Jason se afogou quando monitores deveriam tê-lo ajudado. A mãe passou décadas revoltada com o acontecido e, quando resolveu se vingar, foi decapitada. Como você se sentiria num cenário destes? E ainda por cima, não ser protagonista do próprio filme?

Ninguém sabia o que fazer com Jason. Nem seus criadores. Jason foi tão judiado que morreu criança e voltou como um zumbi adulto que cultuava a mãe (e sua cabeça decapitada), porém com saco cobrindo suas cicatrizes por conta de evitar bullying. A vida foi cruel com ele. Roubaram sua história, mas deram uma identidade (que, no final, ainda era um amálgama do nome de três pessoas, ou seja, nem era uma identidade própria).


Após descobrir sua grande companheira, a máscara de hóquei, aconteceu de tudo com ele: foi metralhado, teve o pescoço cortado, foi explodido, afogado, enganado, enterrado, eletrocutado... uma maldade. Ele só queria brincar no lago e tudo isto acabou acontecendo.

Faltou empatia com Jason. Faltou um acompanhamento de uma assistente social. Um bom psicólogo, psiquiatra... Faltou carinho de uma sociedade que o rejeitou.

Até Tommy Jarvis foi alvo de maior atenção, passando por um caminho que o próprio Jason deveria ter seguido. E olha que Tommy passou por um caminho muito menos tortuoso, já que viu apenas alguns assassinatos, teve um pequeno surto psicótico, raspou o cabelo, esfaqueou Jason e foi mandado para um centro de tratamento mental em Pinehurst, nas proximidades de Crystal Lake. E aparentemente se recuperou.


Jason foi negligenciado e resolveu se vingar. Mas seu caminho, como dito, foi cruel. Vítimas? Houveram, não dá para negar. Mas, entre 10 mortes aqui e 15 mortes ali (pessoas fúteis e dispensáveis, evidentemente), ele foi para o espaço e para o inferno. Até para Nova York, saindo de um acampamento para uma metrópole. Imagine todos os sentimentos que passaram pela sua cabeça. Pense na pressão com todo aquele movimento. E ainda termina a noite sendo dissolvido no esgoto. 

A sua luta foi tão dura que até Freddy Krueger ele enfrentou. Mal sabiam eles que foi tirado tudo de Jason, até seu direito de sonhar.

E, quando não sabiam mais o que fazer com ele, deram reset na sua história.

Pura maldade.




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