O PRIMEIRO HOMEM (2018) - FILM REVIEW
O primeiro homem.
Damien Chazelle é um daqueles achados que aparecem de tempos em tempos, fazendo dois, três, até quatro filmes em sequência, que conquistam o público, vão para o Oscar e fazem história.
Chazelle é um músico, diretor e roteirista formado em Harvard que estreou no cinema em 2009 com um musical inspirado no jazz chamado "Guy and Madeline on a Park Bench". Ele cresceu em Princeton, Nova Jersey, e passou a frequentar a escola secundária local, onde era um baterista de jazz habilidoso na banda da escola. Mais tarde, ele foi para a Universidade de Harvard, optando por se concentrar em filmes e dirigir projetos para o Departamento de Estudos Visuais e Ambientais da instituição. Chazelle se formou em 2007.
Depois do seu primeiro filme e do curta chamado... Whiplash, ele dirigiu o longa homônimo em 2014. O filme foi um sucesso de crítica e recebeu cinco indicações ao Oscar, vencendo três, incluindo um Oscar de ator coadjuvante para Simmons.
A seguir, veio outro mega sucesso: La La Land. O filme recebeu um recorde de 14 indicações ao Oscar, empatando com os filmes A Malvada (1950) e Titanic (1997). Chazelle ganhou o Oscar de Melhor Diretor, tornando-o o mais jovem cineasta a receber o prêmio aos 32 anos, superando o diretor Norman Taurog, da década de 1930, por alguns meses. O filme ganhou 7 Globos de Ouro, o que também foi outro feito.
Agora sua empreitada foi bem menos espetacular. Não que o filme não seja um espetáculo. Pelo contrário, ele é. Mas aqui não há espaço para as explosões de Fletcher (J.K. Simmons) ou os números musicais majestosos de La La Land. Aqui, a direção segue um novo rumo, o que é prova do talento do diretor.
Há cenas muito particulares que ilustram tudo o que o diretor quer dizer sobre o personagem. Há, por exemplo, uma coletiva de imprensa, em que Neil pouco diz, dando respostas evasivas e óbvias. Minutos depois, ele está em casa, jantando com a família, e, quando começam a perguntar coisas sobre a viagem... ele responde como se fosse uma coletiva de imprensa!!! Genial.
Incrível a abordagem utilizada para mostrar a agonia do personagem. A edição primorosa de Tom Cross (que fez inclusive La La Land e Whiplash), juntamente com a equipe de som, prioriza elementos de cena para internalizar a magnitude da viagem, assim como Neil faz com seus sentimentos. Na decolagem, por exemplo, o filme foge do lugar-comum de mostrar a grandiosidade da decolagem, bem como o espaço ou mesmo a Lua. Tudo que você vê são pregos balançando, coisas sacudindo, capacete tremendo. Assim como o personagem está por dentro, tal como ele, não conseguimos ver a beleza exterior. A trilha de Justin Hurwitz, que só trabalhou até agora com Damien Chazelle, é perfeita na proposta do filme.
Neil é de uma apatia agonizante. A cada perda, ele parece mais introspectivo, mais sofrido. Há uma cena em questão, em que o protagonista chora compulsivamente, e a câmera apenas documenta o momento, sem músicas tocantes ou grande impacto. Apenas o close no sofrimento do personagem, que parece não aguentar mais sofrimento.
Ele parece viver numa redoma, uma espécie de zona de segurança, onde ele pode implodir com segurança, sem afetar o dia a dia dos demais. Porém, descobre que isto não é possível ao longo dos anos, já que o peso nunca se torna mais leve. Pelo contrário, a perda de grandes amigos em função da profissão é um duro golpe, que ele assimila de forma contida. Principalmente de um membro da família, que causa uma dor irreparável, como veremos até o final da projeção.
Ao ir para a Lua, evento que deixaria qualquer pessoa no mundo em extrema excitação, Neil parece sempre quieto, quase sem expressão. Ao chegar lá, ele... chora... É um daqueles momentos antológicos do cinema. O cara está em outro planeta, e só o que vem à cabeça é a insuperável morte de um familiar.
No final, Neil, mesmo voltado para a Terra, continua com uma barreira com o mundo (efeito da quarentena). E o filme termina assim, mostrando que pouca coisa mudou com sua ida à Lua.
A grande viagem, afinal, não era para o único satélite natural da Terra. Ele foi o primeiro homem a pisar na Lua, mas, enquanto todos viam o momento histórico pela TV, o único que parecia não se importar era Armstrong.
O filme, de certa forma, exige entendimento do que o personagem passa, para apreciarmos mais o resultado. E se você se identificar com o tipo de reação internalizada que ele tem durante todo o tempo, então "O Primeiro Homem" é uma viagem para um lugar que certamente já sentiu desejo de ir: para bem longe, para tentar aliviar sua dor.
Aliás, como sempre faço, vou contextualizar o período do filme:
O filme começa com os EUA passando vergonha em rede nacional. Até Neil ir para a Lua, a União Soviética havia vencido todos os Oscars (quer dizer, todos os lances da corrida espacial). Do Sputnik à cadela Laika, passando por Yuri Gagarin e Valentina Tereshkova.
A derrota foi tão avassaladora que uma teoria de conspiração foi formulada, baseada na ideia de que Stanley Kubrick havia dirigido toda a ação em estúdio, para parecer que o homem havia ido à Lua e os EUA não ficarem tão por baixo. Besteira? Bom... pode ser, mas não coloco a mão no fogo por nada que os EUA fazem. Sua história é repleta de lances assim…
Continuando... Neil Armstrong foi o primeiro civil a ser enviado para o espaço. Antes dele, todos os outros astronautas utilizados pela NASA eram militares. Mas, por conta da experiência de anos como piloto de testes da NASA, Armstrong foi o primeiro civil a ser escolhido pela agência para suas missões espaciais.
Antes de fazer parte da missão que os levou à Lua, Armstrong participou da Gemini 8, a primeira a conseguir acoplar duas espaçonaves com ambas em órbita, que era uma ação necessária para tornar a ida possível. Mas, ainda que tenha funcionado, algo deu errado durante o processo e quase terminou em tragédia devido a um problema técnico.
Em 19 de julho de 1969, Armstrong finalmente partiu em uma missão de oito dias em direção à Lua. "Este é um pequeno passo para o homem, e um salto gigantesco para a humanidade." Neil faleceu em Cincinnati, Ohio, dia 25 de agosto de 2012, com 82 anos. O astronauta teve complicações numa cirurgia que havia feito no coração poucos dias antes. Para muitos, ele é considerado um dos maiores heróis americanos.
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