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SEXTA-FEIRA 13: PARTE 2 (1981) - FILM REVIEW

A primeira impressão é a que fica.

A vida cinéfila de um apaixonado por cinema nos anos 80 não era fácil. Por exemplo, meu primeiro contato com Star Wars foi em 1988, na estreia da Tela Quente, com O Retorno de Jedi, ou seja, comecei pelo fim... Em se tratando da saga de Darth Vader, perdi momentos antológicos, como a revelação do segundo filme.

 Não foi muito diferente com Sexta-Feira 13. Em dezembro de 1988, a Tela Quente passou Sexta-Feira 13 - Parte III, e nele conheci Jason, com sua antológica máscara. No meio do ano seguinte, a Tela Quente exibiu o primeiro Sexta-Feira 13, e custei a acreditar que Jason não era o assassino. Três meses depois foi a vez de passarem Sexta-Feira 13: Parte 4 e, logo após, a Parte 5 (que não é o Jason assassinando novamente), e fiquei sem entender nada.

Mas, afinal, onde estava Sexta-Feira 13 - Parte II? No meio de tudo isso, não era...

Não sei quanto tempo depois consegui ver e adorei. A história do assassino com saco me cativou, revelando minha paixão pelo slasher. E, por anos, eu disse que os dois filmes preferidos eram o segundo e o sexto (e tendo o oitavo como guilty pleasure). Porém, quando finalmente revi para esta edição, deixei a paixão de lado. Minha percepção mudou bastante. Na trama do filme, que se passa cinco anos após o massacre no acampamento Cristal Lake, novos instrutores se instalam num acampamento próximo. Um a um, os jovens do grupo são atacados e brutalmente mortos, revivendo a lenda de Jason.


 A segunda impressão não conta: paixão versus razão.

Com total influência do filme Halloween, esta segunda parte já começa com uma referência explícita ao clima do filme dirigido por Carpenter. Aliás, esta sequência, que mescla cenas da personagem sobrevivente do filme anterior com lembranças traumáticas do ocorrido, se estende por bastante tempo, principalmente se considerarmos a curta duração da produção. São quase 7 minutos dedicados a ela, e os créditos do filme só aparecem depois de 12 minutos.

Já Jason, em suas cenas, está vestido de forma bem similar ao assassino encapuzado de Assassino Invisível (1976). A única diferença é que o saco de estopa que ele usa tem apenas um orifício para o olho, e sua camisa apresenta um design xadrez ligeiramente diferente.

Mas é justamente na transformação de Jason em assassino que começam alguns dos problemas mais evidentes do filme. O enredo desta segunda parte chocou a maioria das pessoas associadas ao filme original. Betsy Palmer, Tom Savini e Sean Cunningham fizeram comentários públicos sobre o quão estúpida era a ideia de Jason estar vivo o tempo todo. Afinal, se ele estava vivo, por que simplesmente não procurou a mãe e contou o que havia acontecido? Isso teria evitado todos os assassinatos do primeiro filme.

De fato, não faz o menor sentido. Para dar alguma verossimilhança à história, Jason deveria continuar sendo uma criança, já que morreu ainda muito jovem. Quando aparece no final do primeiro filme, sendo um sonho ou não, ele preserva justamente a idade que tinha quando se acidentou e morreu afogado.

Os autores levaram em consideração apenas o tempo decorrido. Mas, se ele teve uma “vida” durante aqueles anos, como sua mãe não saberia? Por que Jason ficou tanto tempo sem aparecer? E por que decidiu voltar somente depois da morte dela? São questionamentos que poderiam ter sido facilmente contornados com uma explicação um pouco melhor.

E existe ainda outro problema. A trama se passa cinco anos depois dos acontecimentos do primeiro filme e, depois de tudo o que viveu, Alice provavelmente não escolheria morar justamente nas proximidades de Crystal Lake. Então, como Jason conseguiu encontrá-la? E, mais estranho ainda, como conseguiu descobrir onde ela estava e levar consigo a cabeça da própria mãe?

Imagine a cena: Jason, com um saco na cabeça, carregando a cabeça da mãe, provavelmente dentro de outro saco, andando pela estrada afora e procurando informações sobre onde poderia estar a mulher que ele nem sabe o nome, sobrevivente do massacre que ele próprio nunca deveria ter cometido. É risível, para não dizer ridículo.

Apesar desses problemas, é preciso lembrar que a continuação começou a ser produzida muito rapidamente. Em setembro de 1980, poucos meses após o lançamento do primeiro Sexta-Feira 13, o segundo filme já estava em andamento. A maior parte da equipe retornou, mas Sean S. Cunningham optou por não voltar à cadeira de diretor. Quem assumiu foi Steve Miner, produtor associado do filme original, que também dirigiria o terceiro capítulo.

Tom Savini não pôde se comprometer com a produção, já que tinha firmado acordo para trabalhar em outro slasher, Chamas da Morte. No lugar de Savini, iria entrar ninguém menos que Stan Winston, de O Exterminador do Futuro e Jurassic Park. Winston também precisou declinar pelo mesmo motivo, mas ainda assim chegou a fazer alguns dos efeitos de maquiagem do filme, sem receber crédito por isso.

E as mudanças não ficaram restritas aos efeitos especiais. Algumas cenas também foram alteradas ou simplesmente retiradas do corte final. Originalmente, por exemplo, a cena de sexo entre Sandra e Jeff era mais longa e incluía nudez da atriz Marta Kober. Quando a Paramount descobriu que ela tinha apenas 16 anos, a sequência foi editada. Durante muito tempo, acreditou-se que esse material havia sido destruído, conforme os próprios produtores afirmavam. Anos depois, porém, as filmagens foram redescobertas, juntamente com outras cenas cortadas, para a alegria dos curiosos de plantão.

Voltando ao filme, a sequência final também merece atenção. De certa forma, ela remete diretamente ao encerramento do primeiro Sexta-Feira 13, retomando aquela mistura entre realidade, trauma e pesadelo que já fazia parte da identidade da franquia. Segundo o próprio Steve Miner, porém, desta vez não se trata de um sonho. Isso deixa uma pequena questão em aberto: afinal, o que aconteceu depois com Paul e Muffin, o cachorro?

Curiosamente, enquanto a história apresenta tantas dificuldades para justificar a existência de Jason, é justamente este filme que começa a transformar o personagem na figura que conhecemos hoje. A aparência ainda está longe da imagem definitiva que ele teria a partir do terceiro filme, mas o conceito do assassino silencioso, escondido sob uma identidade visual marcante, começa a tomar forma.


Sexta-Feira 13 - Parte II também foi produzido com um orçamento relativamente baixo e conseguiu novamente um retorno financeiro significativo. O resultado ajudou a consolidar a franquia e mostrou à Paramount que havia muito dinheiro a ser explorado naquele acampamento de Crystal Lake. A partir dali, a existência de novas continuações deixou de ser uma possibilidade e passou a ser praticamente uma certeza.

É curioso perceber, portanto, que Sexta-Feira 13 - Parte II funciona melhor quando simplesmente abraça aquilo que pretende ser. Como slasher, ele entrega mortes, tensão, perseguições e um novo assassino para ocupar o lugar deixado por Pamela Voorhees. Como continuação, preocupada em construir uma mitologia coerente, porém, começa a tropeçar em praticamente todos os momentos em que precisa explicar quem é Jason e como ele chegou até ali.


Talvez seja justamente por isso que minha relação com o filme tenha mudado tanto. Durante anos, eu o coloquei entre os meus favoritos da série. A imagem daquele Jason usando o saco de estopa, a atmosfera do acampamento, algumas mortes e, principalmente, a nostalgia de ter descoberto o filme depois de tantos outros capítulos criaram uma memória afetiva muito forte.

Na revisão, porém, a paixão precisou dividir espaço com a razão. E, quando começo a pensar demais sobre a história, são muitas perguntas para um filme que simplesmente poderia ter encontrado soluções melhores.


Ainda assim, gosto de pensar que existe uma certa justiça nisso tudo. Sexta-Feira 13 - Parte II pode ter uma mitologia cheia de furos, mas foi justamente essa bagunça que ajudou a criar o Jason, que se tornaria um dos maiores ícones do cinema de terror.

Pela paixão, prefiro vê-lo como um belo novo início. Pela razão, sei que os roteiristas poderiam ter se esforçado um pouco mais.

Ainda bem que a primeira impressão é a que fica...




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