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SEXTA-FEIRA 13: PARTE 3 (1982) - FILM REVIEW


O celeiro e a máscara.

Cada cinéfilo tem suas preferências. E há várias franquias de horror para serem admiradas pelos mais variados motivos. A mais pessoal e revisitada na minha vida de amante da sétima arte é "Sexta-Feira 13". Mas adorá-la não me faz cego aos defeitos dos filmes. Apenas garante que, mesmo vendo-os repetidas vezes, as produções não percam o brilho e a importância.

Neste terceiro filme, a trama segue Jason retornando para tocar o terror na vida de um grupo de jovens que passa um fim de semana acampando. Ou seja, mais do mesmo. Este filme começa, na realidade, no dia seguinte aos acontecimentos de "Sexta-Feira 13 - Parte II" (1981), ou seja, sábado, dia 14, quando o dono da loja e sua esposa são mortos. A maior parte da história se passa no dia seguinte, tornando-se domingo, dia 15.


Mortes em 3D

Tal como no filme anterior, este também começa com uma recapitulação. Desta vez, com 6 minutos de duração. Nesta sequência, vemos algumas breves cenas deixadas de fora do segundo. 

Curioso este ser lançado em 3D, principalmente pelo fato de que as aberturas do primeiro e do segundo já flertavam com o formato, com o logo dos filmes se aproximando rapidamente da tela, emulando aquele efeito tridimensional que faria a alegria do público alguns anos depois.

Esta Parte III foi o primeiro da Paramount Pictures produzido em 3-D desde *Ulysses*, de 1954. E o interessante é que várias cenas são realmente imersivas, com objetos pontiagudos sendo lançados em direção à tela o tempo todo. Devido à novidade das lentes das câmeras 3-D, o processo de filmagem foi bastante trabalhoso. A equipe às vezes demorava horas para montar uma sequência, enquanto o elenco precisava realizar várias tomadas da mesma cena para que o diretor de fotografia conseguisse capturar adequadamente os efeitos tridimensionais.


E o 3D não foi a única particularidade técnica desta continuação. Este é o único filme da série original rodado em widescreen anamórfico 2.39:1, em oposição ao 1.85:1 dos outros capítulos. Isso aconteceu principalmente devido ao sistema 3D utilizado na época, que exigia lentes anamórficas especiais. O formato seria revisitado muitos anos depois em "Freddy vs. Jason" (2003) e no remake de "Sexta-Feira 13" (2009). Mas, enquanto a produção se preocupava em fazer Jason saltar da tela, o roteiro ainda precisava resolver algumas questões deixadas pelo filme anterior.

Há um debate popular na internet sobre o destino de Paul. Na cena de abertura da Parte III, há a sugestão de que ele realmente sobreviveu aos eventos da Parte II. Durante essa sequência, um noticiário afirma que foram oito vítimas. Agora, supondo que todos os corpos foram realmente encontrados, houve oito mortes na tela na Parte II: Terry, Crazy Ralph, Sandra, Mark, Jeff, Vickie, Scott e o policial. Isso implicaria que Paul sobreviveu. Alice, do filme original, não é assassinada no acampamento e, portanto, não seria incluída na contagem de corpos do noticiário. É uma daquelas pequenas pistas que alimentam discussões entre os fãs até hoje.


E Paul poderia ter sido apenas uma das maneiras de continuar a história. Um dos primeiros rascunhos do roteiro para esta Parte III apresentava Ginny, interpretada por Amy Steel, sendo levada a um hospital psiquiátrico e ficando confinada no local, sofrendo com as lembranças dos acontecimentos da Parte II. Ela finalmente descobriria que Jason Voorhees havia sobrevivido ao ferimento que ela lhe causara e que ele a seguira até o hospital, assassinando funcionários e outros pacientes.

Na época, Amy Steel recusou o papel devido ao seu envolvimento em outros projetos, o que resultou em mudanças significativas no roteiro. Sem Ginny, os produtores precisaram encontrar outra maneira de seguir adiante, e foi aí que a Parte III começou a estabelecer de vez alguns dos elementos que definiriam Jason.


Aliás, este é mais um filme com referências explícitas a *Halloween*. A influência de *Halloween 2 - O Pesadelo Continua* é particularmente evidente, já que a trama daquele filme também acompanha uma sobrevivente traumatizada enquanto Michael Myers continua sua perseguição. A estrutura acabou sendo reaproveitada aqui de outra maneira. Só que havia uma mudança muito mais importante esperando por Jason.

Depois de usar um saco de estopa na cabeça durante a Parte II, o roteiro indicava que ele finalmente passaria a utilizar uma máscara para esconder o rosto. O que ninguém imaginava na época era que o objeto escolhido se tornaria uma das marcas mais reconhecíveis do personagem e, posteriormente, um dos maiores símbolos do cinema de terror.


Entre cicatrizes e hóquei

Stan Winston foi contratado para criar e esculpir o rosto de Jason. A máscara criada por Winston nunca foi utilizada no corte principal do filme, mas pode ser vista no final alternativo em que Jason decapita Chris. Já Martin Jay Sadoff, supervisor dos efeitos 3-D do filme, foi o responsável por encontrar a famosa máscara de hóquei.

Sadoff sempre mantinha uma sacola cheia de equipamentos de hóquei no set, porque era um grande fã do esporte. Enquanto testava possíveis máscaras para Jason, puxou uma máscara de goleiro do Detroit Red Wings. O diretor Steve Miner gostou imediatamente do visual e, depois de algumas modificações, decidiu utilizá-la. E foi assim, quase por acaso, que nasceu a imagem definitiva de Jason Voorhees.


É curioso pensar que um personagem que havia aparecido rapidamente no final do primeiro filme e usado um saco na cabeça no segundo capítulo encontrou sua identidade visual justamente aqui. A máscara transformou Jason em algo muito maior do que o assassino de uma série de filmes. Ela passou a representar o próprio "Sexta-Feira 13".

E, mesmo depois de ganhar sua máscara, o filme ainda brinca com a possibilidade de que tudo aquilo possa ser apenas mais um pesadelo. Assim como os capítulos anteriores, a Parte III termina deixando uma dúvida sobre o que realmente aconteceu. O último ataque pode ser interpretado como um sonho, mantendo aquela tradição da franquia de nunca deixar o espectador completamente seguro de onde termina a realidade e começa o trauma.


"Sexta-Feira 13 - Parte III" é, como vários filmes da série, construído sobre uma base frágil, porém cheia de elementos promissores. A história continua repetindo a fórmula, Jason continua matando jovens em um lugar isolado e o roteiro não parece muito preocupado em responder todas as perguntas deixadas pelo capítulo anterior.

Mas, para quem é fã, os defeitos não são realmente importantes. Porque é aqui que Jason ganha a máscara. É aqui que o personagem começa a se tornar aquele Jason que permaneceria na memória de toda uma geração. E, no fim das contas, é isso que importa: a quantidade de corpos que Jason consegue empilhar. 

E quanto mais criativas forem as mortes, melhor.




 
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