google-site-verification=21d6hN1qv4Gg7Q1Cw4ScYzSz7jRaXi6w1uq24bgnPQc

X-MEN: FÊNIX NEGRA (2019) - FILM REVIEW

🔷 X-Men: Fênix Negra (2019)

Como pode um filme dar sequência a X-Men: Apocalipse, com o mesmo elenco, e ainda assim parecer um retrocesso em praticamente todos os aspectos? X-Men: Fênix Negra não apenas falha em honrar o arco icônico que tenta adaptar, como também expõe, de forma quase constrangedora, as fragilidades acumuladas da franquia naquele momento. O que deveria ser uma narrativa intensa sobre poder, identidade e corrupção interna se transforma em um espetáculo apático, em que efeitos visuais genéricos substituem impacto dramático, atuações oscilam entre o automático e o desinteressado, e o roteiro parece incapaz de sustentar qualquer peso emocional real. 

E essa sensação de superficialidade não se limita aos grandes problemas estruturais — ela se infiltra nos detalhes mais básicos de produção. Em X-Men: Fênix Negra, até elementos que normalmente ajudam a construir identidade e verossimilhança parecem negligenciados. A maquiagem raramente contribui para a caracterização dos personagens, os penteados soam artificiais ou genéricos, e o figurino, que em outros capítulos ajudava a reforçar personalidade e evolução, aqui parece cumprir apenas uma função protocolar. Tudo transmite a impressão de algo feito sem refinamento, quase apressado.

Esse descuido estético acompanha críticas recorrentes ao filme: a condução da história é apressada e, ao mesmo tempo, estranhamente vazia. Momentos que deveriam ter grande carga emocional — especialmente envolvendo Jean Grey — não encontram sustentação dramática suficiente, em parte porque o desenvolvimento da personagem é raso e inconsistente. A própria “Força Fênix”, que deveria ser o centro temático da narrativa, surge mais como um dispositivo de roteiro do que como uma presença significativa.

Outro ponto amplamente criticado é a utilização dos personagens secundários. Figuras importantes dos X-Men são reduzidas a papéis quase decorativos, com pouco ou nenhum impacto real na trama. Isso enfraquece o senso de equipe, que sempre foi essencial para a franquia. Soma-se a isso um antagonismo pouco inspirado — vilões genéricos, sem motivação clara ou carisma — e o resultado é um conflito que nunca parece urgente ou memorável.

E o que dizer dos alienígenas? Eles lembram aqueles do filme Sinais (2002), porém forçando parentesco com o Vecna. O filme é uma experiência morna, tecnicamente irregular e emocionalmente desconectada, que deixa a impressão de que havia potencial — mas faltou direção, cuidado e, principalmente, propósito.

Na história, os X-Men são considerados heróis nacionais e o professor Charles Xavier (James McAvoy) agora dispõe de contato direto com o presidente dos Estados Unidos. Quando uma missão espacial enfrenta problemas, o governo convoca a equipe mutante para ajudá-lo. Liderados por Mística (Jennifer Lawrence), os X-Men partem rumo ao espaço em uma equipe composta por Fera (Nicholas Hoult), Jean Grey (Sophie Turner), Ciclope (Tye Sheridan), Tempestade (Alexandra Shipp), Mercúrio (Evan Peters) e Noturno (Kodi Smit-McPhee). 

Ao tentar resgatar o comandante da missão, Jean Grey fica presa no ônibus espacial e é atingida por uma poderosa força cósmica, que acaba absorvida em seu corpo. Após ser resgatada e retornar à Terra, aos poucos ela percebe que há algo bem estranho dentro de si, o que desperta lembranças de um passado sombrio e, também, o interesse de seres extraterrestres.

O caminho até X-Men: Fênix Negra já nasceu problemático — e isso ajuda a explicar por que o resultado final soa tão inconsistente. Desde X2, o roteirista Zak Penn já defendia que adaptar a clássica saga “Fênix Negra” naquele momento seria precipitado, argumentando que a franquia ainda não tinha base emocional nem escala para sustentar uma história tão densa e cósmica. A ideia inicial era introduzir Jean Grey de forma sutil e deixar o arco completo para depois — algo que acabou sendo atropelado em X-Men: O Confronto Final, dirigido por Brett Ratner, em que a saga foi comprimida como apenas uma entre várias tramas paralelas. O resultado desagradou público e crítica, inclusive seus próprios roteiristas, como Simon Kinberg.

Anos depois, com a linha do tempo reorganizada por X-Men: Dias de um Futuro Esquecido, surgiu a oportunidade de “corrigir” essa adaptação. A nova geração apresentada em X-Men: Apocalipse — com versões jovens de personagens clássicos — serviria como base para recontar a saga de forma mais fiel e desenvolvida. A proposta inicial era ambiciosa: um arco dividido em dois filmes, sendo o primeiro focado na ascensão de Jean como Fênix e o segundo explorando sua queda como Fênix Negra. Segundo o roteirista dos quadrinhos, Chris Claremont, a intenção era clara: fazer o público se apaixonar pela personagem antes de destruí-la emocionalmente.

Mas, como quase tudo nesse projeto, os planos mudaram no meio do caminho. O estúdio recuou após a recepção morna de Apocalipse e decidiu condensar tudo em um único filme, eliminando a estrutura planejada. Elementos importantes foram descartados ou alterados: o Clube do Inferno deu lugar a antagonistas alienígenas genéricos, que ainda seriam substituídos novamente durante refilmagens. Ideias como a presença da raça Shi’ar ou personagens centrais da mitologia original nunca se concretizaram. Nem mesmo o elenco tinha clareza — Jessica Chastain chegou a admitir que não sabia exatamente quem estava interpretando até ver o filme finalizado.

O próprio Kinberg assumiu o roteiro e a direção, apostando em uma abordagem mais “intimista” e centrada no psicológico de Jean Grey, incluindo temas como trauma e instabilidade mental. Em teoria, isso poderia diferenciar o filme. Na prática, acabou gerando um desequilíbrio: o longa tenta ser ao mesmo tempo um drama pessoal contido e um blockbuster de escala global — sem conseguir sustentar nenhum dos dois com consistência.

A produção também passou por múltiplos ajustes: mudanças de roteiro, refilmagens focadas principalmente no terceiro ato, atrasos estratégicos de lançamento e até interferências externas, como a reorganização da 20th Century Fox antes da aquisição pela The Walt Disney Company, que acabou enterrando qualquer plano de continuação. Ideias maiores — como um crossover com os Novos Mutantes baseado na saga “Inferno” — foram simplesmente abandonadas.

No fim, o que se vê na tela é reflexo direto desse processo conturbado: um filme que tenta funcionar como origem, clímax e encerramento ao mesmo tempo. Como o próprio Claremont observou, histórias desse calibre exigem tempo, construção e espaço para amadurecer — algo mais próximo de sagas longas como Harry Potter ou Game of Thrones. Com pouco mais de 90 minutos e decisões criativas constantemente revistas, Fênix Negra não tinha como alcançar esse nível de impacto. O resultado é uma narrativa comprimida, emocionalmente subdesenvolvida e incapaz de fazer jus ao peso do material original que tenta adaptar.

Para ter lucro, o filme teria que fazer mais de 2,5 vezes o orçamento. X-Men: Fênix Negra custou 200 milhões, mas ele rendeu 252 milhões, ou seja, oficialmente, é o primeiro filme da franquia a dar um prejuízo catastrófico. O orçamento do filme foi definido para ser muito menor do que o filme anterior, devido ao baixo desempenho de bilheteria de X-Men: Apocalipse (2016), e os executivos chegaram a planejar inicialmente lançar o filme diretamente em vídeo doméstico e streaming. 

Mas se aventuraram.

Para ter uma ideia da bomba, até a Mística de Jennifer Lawrence morre, sendo que ela está nos filmes posteriores... Mas, como tudo nesta franquia, nada se explica, e, quando tentam, não sabem o que dizer.

Tecnologia do Blogger.