MÁQUINA MORTÍFERA 4 (1998) - FILM REVIEW
🔷Máquina Mortífera 4 (1998)
Máquina Mortífera sempre foi um filme sobre a desconstrução dos passados de pessoas que convergem e formam uma família. Na história deste quarto episódio, a polícia de Los Angeles descobre uma quadrilha que promove a entrada de chineses nos Estados Unidos e que serão vendidos como escravos.
Por trás desta operação está "Tio Benny", o chefão de uma grande quadrilha em Chinatown, com tudo isto estando ligado uma trama de falsificação da moeda chinesa em grande escala, para libertar quatro grandes criminosos.
E já em sua cena inicial, uma desastrosa abordagem a um criminoso, tem o único propósito de informar ao público que Riggs vai ser pai e Roger avô. E não muito tempo depois, o barco de Roger também é destruído (e posteriormente, a casa), um sutil recado do perigo intenso que passarão em diversos momentos e, ao mesmo tempo, um conforto de que todas as perdas serão materiais.
Ao contrário dos demais vilões, Jet Li dá a vida a um personagem cruel, letal, e no auge da sua forma física, enquanto Roger e Riggs estão perdendo terreno para a idade que avança. Este não foi apenas o primeiro filme produzido nos Estados Unidos de Jet Li, mas também a primeira vez que ele interpretou um vilão.
Richard Donner pediu a Jet Li que diminuísse a velocidade durante as sequências de ação, porque ele estava se movendo mais rápido que a velocidade do obturador da câmera e não estava sendo registrado no filme. Jackie Chan foi cogitado para o papel de Wah Sing Ku, mas recusou, pois optou por nunca interpretar o vilão em um filme.
O roteirista Channing Gibson estava com três quartos de seu último rascunho, quando Chris Rock foi contratado. Butters foi originalmente escrito para ser um detetive policial gay, mas assim que as filmagens começaram, todos os envolvidos perceberam como a decisão de torná-lo gay não funcionou, então seu personagem foi reescrito novamente, para ser o marido da filha de Roger, Rianne. Mesmo assim, mantiveram uma piada sobre a sexualidade de Butters.
Apesar de Butters (Chris Rock) e Rianne (Traci Wolfe) serem um casal, com um bebê a caminho, eles nunca trocam uma palavra em voz alta. Isso porque seus personagens não foram originalmente escritos como um casal secreto, mas devido às muitas reescritas do roteiro.
A Warner Bros só tomou a decisão de dar luz verde do filme no final de 1997, percebendo que não tinha grandes lançamentos agendados para o verão de 1998. Na verdade, a produção do filme começou em janeiro de 1998, enquanto o terço final do filme nem havia sido escrito.
A tecnologia de telefonia celular evoluiu consideravelmente ao longo dos onze anos da série (1987-1998), como é mostrado durante a cena em que Butters e Leo Getz discutem telefones celulares e golpes de empresas de telefonia celular. Butters menciona que os celulares são cada vez menores, para que as pessoas tenham maior probabilidade de perdê-los. O celular que Butters tinha era bem menor e podia ser facilmente guardado nos bolsos, quando comparado ao celular original apresentado em 1987, que era grande demais para caberem nos bolsos ou no coldre de cinto.
Quando Riggs está lutando contra Wah/Jet Li, Wah usa um chute de escorpião para derrubá-lo. Um ano depois, este se tornaria o movimento característico de Trinity, em Matrix (1999). A atriz de Trinity, Carrie-Anne Moss, não tinha flexibilidade e força para fazer isso, então eles usaram uma perna falsa. Curiosamente, o papel de Seraph em Matrix Reloaded foi escrito para Jet Li.
Easter eggs
Assim como no segundo filme, neste também aparece o prédio usado em Duro de Matar, durante a cena em que Leo segue Roger, Riggs e Butters, em torno de 40 minutos.
Quando Riggs e Lorna estavam discutindo sobre ela ter ouvido um boato de que Murtaugh estava "preso". Riggs disse brincando: "Tentei convencê-lo a aceitar dinheiro". Em Máquina Mortífera 2 (1989), quando os dois estavam presos em um contêiner cheio de dinheiro dos traficantes, Riggs tentou convencê-lo a pegar parte do dinheiro e fazer algo de bom com ele.
Caótico.
Para finalizar... o fim...
O nascimento do filho de Riggs é tão caótico quanto a trajetória do personagem. E durante a sequência ainda se casam da forma mais alucinada possível. Mas a cena representa a essência dos personagens, e com Leo em cena, finalmente fazendo parte da família.
O alívio cômico das situações reforçam a ideia que o filme todo passou: havia muito em jogo. Havia muito a perder. Ao término do filme, várias fotos de integrantes do elenco aparecem em cena, formando um grande álbum. Podem ainda ser vistas fotos de todos os quatro filmes da série Máquina Mortífera, incluindo fotos dos bastidores de cada um dos filmes.
E assim se encerra uma das mais divertidas e bem produzidas franquias de ação do cinema. E este post é dedicado ao gigante Richard Donner, que partiu em 5 de julho de 2021, mas deixou alguns dos filmes da minha vida: Superman: O Filme, A Profecia, O Feitiço de Áquila, Goonies, os Máquinas Mortífera, além de produzir Garotos Perdidos e X-Men (filme que iniciou a estrada para os filmes de heróis de hoje).
Obrigado Donner. Você me ensinou que o homem podia voar, que o demônio teria o 666 sob os cabelos, que o amor pode ser separado pela inveja, mas sempre "arruma" um modo de se encontrar novamente, que os heróis podem fazer parte do nosso universo e finalmente, o que é uma verdadeira família.
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