HANNIBAL (2001) - FILM REVIEW
Hannibal
Inegavelmente, Hannibal foi um personagem bem dirigido no cinema, até este momento. Foram Michael Mann Jonathan Demme e Ridley Scott Neste novo episódio, sete anos se passaram desde que o Dr. Hannibal Lecter (Anthony Hopkins) escapou da prisão. O múltiplo homicida agora trabalha na biblioteca de uma família nobre de Florença e transita livremente pela Europa.
A agente do FBI Clarice Sterling (Julianne Moore), que entrevistou o Dr. Lecter antes que ele fugisse do hospital de segurança máxima para criminosos insanos, nunca esqueceu o assassino, cuja voz ainda atormenta seus sonhos. Mas também Mason Verger (Gary Oldman) não se esqueceu de Hannibal. Vítima que conseguiu sobreviver ao ataque do psicopata e ficou terrivelmente desfigurado, Verger se torna um obcecado pela vingança e percebe que, para fazer com que o Dr. Lecter seja descoberto, terá que usar como isca a própria Clarice Sterling.
Novos rumos
A primeira pergunta a ser respondida: Jodie Foster, que interpretou Clarice Sterling no primeiro filme, decidiu não participar desta sequência por não concordar com os rumos tomados por sua personagem. A segunda pergunta a ser respondida: Jonathan Demme, diretor de O Silêncio dos Inocentes, preferiu se afastar desta continuação por considerar a história muito violenta.
Anthony Hopkins ficou furioso e com o coração partido quando Jodie Foster decidiu que não voltaria no papel de Clarice Starling; ele também ficou desapontado porque Jonathan Demme não voltaria a dirigir.
Jodie emitiu um comunicado na época dizendo: "Me ofereceram mais dinheiro do que nunca em toda a minha carreira para fazer este filme. Mas quem se importa se isso trai Clarice?"
Embora Anthony Hopkins não tivesse uma palavra oficial sobre quem interpretaria Clarice, o produtor e diretor Ridley Scott o consultou sobre as atrizes que ele estava considerando. Hopkins recomendou Julianne Moore, com quem havia trabalhado em Os Amores de Picasso (1996).
O papel de Mason Verger foi originalmente oferecido a Christopher Reeve. Não tendo lido o romance, Reeve mostrou interesse inicial no papel, mas acabou recusando ao perceber que Verger era um estuprador de crianças tetraplégico e com rosto desfigurado.
Os direitos de filmagem de "Hannibal", livro lançado em 1999 pelo escritor Thomas Harris, foram vendidos a Dino de Laurentiis por US$ 10 milhões, o mais alto valor já pago até então por um produtor para adaptar um livro para o cinema. O final do filme diferiu do final do livro que, conforme o diretor Ridley Scott, era ''infilmável''. O escritor Thomas Harris concordou com a mudança.
O filme teve um orçamento de US$ 80 milhões e só nas duas primeiras semanas nos cinemas obteve mais de US$ 100 milhões, apenas nos Estados Unidos. A receita total do filme foi de US$ 351 milhões. Comparando, o primeiro filme rendeu US$ 272 milhões, porém custou US$ 19 milhões. Mesmo com a diferença de custo, Hannibal ainda rendeu mais, mesmo sendo um filme com defeitos mais aparentes.
Coincidências
Quando o inspetor Rinaldo Pazzi (Giancarlo Giannini) pesquisa a lista dos dez mais procurados do FBI no banco de dados do computador, uma das fotos mostradas é a de Osama bin Laden. Este filme foi lançado aproximadamente nove meses antes dos ataques de 11 de setembro, os quais Bin Laden está associado. Naquela época, porém, seu nome não era tão conhecido pelo público americano e, portanto, passou despercebido pelos espectadores.
Existem vários produtos Gucci apresentados e promovidos ao longo deste filme. Isto se deve à amizade entre Julianne Moore e o designer Tom Ford, que era o diretor criativo da Gucci na época em que o filme estava sendo filmado. Em 2021, Ridley Scott lançou o filme Casa Gucci.
A cena em que Hannibal corta intencionalmente a mão é uma referência à peça de William Shakespeare, Titus Andronicus, que voluntariamente tem a mão decepada para salvar o filho (o personagem posteriormente mata dois homens e os assa em uma torta). Anthony Hopkins interpretou Titus em uma adaptação cinematográfica dois anos antes.
David Fincher estava escalado para dirigir, mas desistiu. Teria sido um ótimo filme. Curiosamente, na época ele foi para outro projeto, "O Quarto do Pânico", filme mais impopular do diretor e a atriz principal é justamente Jodie Foster.
Cena marcante
A ideia de comer o cérebro de uma pessoa viva como punição é uma referência ao Inferno de Dante Alighieri, onde o Conde Ugolino faz isso com o Arcebispo Ruggieri no Inferno. Isso faz sentido, porque o Dr. Hannibal Lecter é retratado como um especialista em Dante Alighieri neste filme.
No final do romance, Clarice Starling se junta ao Dr. Hannibal Lecter para jantar e aceita seu desejo de que eles se tornem amantes. O romance também revela que o canibalismo do lituano Hannibal decorre de seu trauma de infância ao ver sua irmã assassinada e devorada por soldados famintos. O diretor Ridley Scott admitiu que não gostou da explicação psicológica das ações de Hannibal e a rejeitou do roteiro. As experiências de infância de Hannibal se tornaram a base para Hannibal: A Origem do Mal (2007).
Ponto divergente
A estética elegante do diretor Ridley Scott foge bastante da abordagem anterior. E o fato de Jodie não ter feito o filme (mesmo que Moore seja melhor atriz), distanciou muitos fãs do filme de 1991. Curioso pensarmos que seu irmão, Tony Scott viveu uma situação parecida em Um Tira da Pesada 2, onde sua abordagem estética também propôs um resultado muito diferente do original.
Hannibal tem um elenco formidável, um diretor magistral, mas tem um único grande problema: O Silêncio dos Inocentes. A imagem deixada por ele é tão forte, que toda abordagem diferente nos causa estranheza.
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