PLANETA DOS MACACOS: A ORIGEM (2011) - FILM REVIEW
Revendo tudo em sequência, fica fácil constatar que a saga ape foi errática. Cada filme veio como uma avalanche, acontecendo sem planejamento, atropelando conceitos estabelecidos e reescrevendo a história conforme o orçamento convinha. A série animada foi problemática, a série live action, mal vendida, o filme de Burton, péssimo, enfim...
Em 2011, entenderam que era melhor reinicializar tudo, culminando com o brilhante filme de 2017, o terceiro de uma trilogia (que se tornaria quadrilogia em 2024). Mas falarei disto à frente.
Agora é...
🔷 Planeta dos Macacos: A Origem (2011)
San Francisco. Will Rodman (James Franco) é um cientista que trabalha em um laboratório onde são realizadas experiências com macacos. Ele está interessado em descobrir novos medicamentos para a cura do mal de Alzheimer, já que seu pai, Charles (John Lithgow), sofre da doença.
Após um dos macacos escapar e provocar vários estragos, sua pesquisa é cancelada. Will não desiste e leva para casa algumas amostras do medicamento, aplicando-as no próprio pai, e também um filhote de macaco de uma das cobaias do laboratório. Logo Charles não apenas se recupera como tem a memória melhorada, graças ao medicamento. Já o filhote, que recebe o nome de César, demonstra ter inteligência fora do comum, já que recebeu geneticamente os medicamentos aplicados na mãe.
O trio leva uma vida tranquila, até que, anos mais tarde, o remédio para de funcionar em Charles e, em uma tentativa de defendê-lo, César ataca um vizinho. O macaco é então engaiolado, onde passa a ter contato com outros símios e, cada vez mais, se revolta com a situação.
Planeta
A história de O Planeta dos Macacos: A Origem se passa antes à exibida em O Planeta dos Macacos (1968) e em sua refilmagem, Planeta dos Macacos (2001). O filme abre com uma cena memorável, demonstrando que estaremos diante da perspectiva do macaco. Da sua captura, ao olhar no cativeiro, que aliás, é chamada de Olhos Brilhantes, apelido que Zira dá Taylor em Planeta dos Macacos (1968). Mas em um golpe no telespectador, o chipamzé que parecia o principal, é morto.
Considerando o seu apelido, estamos diante do primeiro ponto importante: fica claro que este novo filme é sobre outro ponto de vista. Curioso o paralelo entre a criação do chipamzé mais hábil (César) e o fim iminente de Charles Rodman (John Lithgow). Ele representendando a humanidade, doente, enquanto César, no passo seguinte da evolução.
Inclusive, o recado óbvio sobre a necessidade de coexistência, já que havia a associação da cura do Alzheimer com o desenvolvimento do chipamzé. Mas um ponto é inegável: César aprendeu de tudo na vida, inclusive a violência. E seu primeiro ato importante no filme, é de proteção, porém, ao proteger Charles, ele usa violência, a ponto de sentir-se envergonhado no final da briga.
Isto porque César era o Einstein dos macacos. Ele sabia que precisa ser melhor que isto para chegar além, como em certo momento em que ele usa um feixe de gravetos para explicar a Maurice (uma referência a Maurice Evans, que interpretou "Dr. Zaius" no filme original "Planeta dos Macacos") como um macaco sozinho é fraco, mas os macacos juntos são fortes. O feixe de gravetos, era um símbolo de autoridade na Roma antiga, origem do nome de César.
O carisma de César também lembra o de Benito Mussolini, que adotou o feixe como símbolo de seu Partido Fascista Italiano. O conceito também é usado em diversos símbolos na arquitetura da Casa Branca e do Capitólio dos Estados Unidos, e é tema da fábula "O feixe de gravetos", sobre um pai demonstrando aos filhos como eles deveriam trabalhar juntos.
Macaco é cultura
Em uma cena sob a abóbada, César está fazendo a pose de O Pensador, do escultor francês Auguste Rodin .Inclusive, a aparência da cúpula por onde os macacos escapam baseia-se na aparência da jaula onde os humanos estão enjaulados em O Planeta dos Macacos (1968).
Charlton Heston (o Taylor do clássico) pode ser visto, na televisão no abrigo dos macacos, no papel de Michelangelo de Agonia e Êxtase (1965) neste filme, que reflete a ideia da Criação, porém, o homem sendo o Deus da nova espécie.
Esta é a quinta “aparição” de Charlton Heston na franquia de filmes Planeta dos Macacos. 1) Estrelou O Planeta dos Macacos (1968); 2) desempenhou um papel menor em De Volta ao Planeta dos Macacos (1970); 3) foi vista em imagens de arquivo (beijando Zira em flashback amarelo sépia) em Fuga do Planeta dos Macacos (1971); 4) fez uma participação especial como Zaius em O Planeta dos Macacos (2001), de Tim Burton.
"Koba" era o apelido de Iosif Stalin durante seu tempo como revolucionário na Geórgia. Koba é o primeiro e único bonobo conhecido a aparecer no filme "Planeta dos Macacos". Sua primeira aparição foi neste filme. Apesar disso, Koba se parece pouco com um bonobo típico. Os bonobos têm pernas mais longas, corpo menos atarracado e rosto mais escuro que o dos chimpanzés. Koba, no entanto, parece ter apenas o rosto mais escuro.
Suas pernas e corpo parecem iguais aos dos outros chimpanzés que aparecem no filme. Embora os bonobos sejam normalmente pacíficos e nunca recorram à violência, Koba é extremamente agressivo; ele é indiscutivelmente o macaco mais violento do reino de César. Isto provavelmente se deve aos seus muitos anos de testes experimentais como tortura.
Quando os chimpanzés estão sendo testados com um quebra-cabeça, ele é chamado de "Torre de Lucas", que é um dos nomes do quebra-cabeça mais conhecido como "Torre de Hanói", inventado em 1883 pelo matemático francês Edouard Lucas.
"Dodge Landon" é uma referência aos personagens Dodge e Landon, colegas astronautas de Taylor em O Planeta dos Macacos (1968), interpretados por Jeff Burton e Robert Gunner, respectivamente; ao citar diretamente o diálogo de Taylor, como "É um hospício! e "Tire suas patas fedorentas de mim, seu maldito macaco sujo", Dodge Landon é um amálgama dos três personagens astronautas.
Aliás, o diretor Rupert Wyatt homenageia vários filmes. A cena de César caminhando pelo túnel até a área cheia de macacos pela primeira vez foi um aceno para Maximus entrando na arena em Gladiador (2000). Dodge e seu amigo trazendo meninas para as instalações à noite é uma homenagem a McMurphy que levou sua namorada e sua amiga para o hospital em Um Estranho no Ninho (1975). Ouvir apenas os gritos dos macacos através da neblina na ponte Golden Gate é uma homenagem ao exército em Zulu (1964) que apenas ouve as vozes do inimigo. Já a cena, na mesma ponte, onde Koba empurra o helicoptero, é uma homenagem a um filme de James Bond, com Roger Moore, chamado 007 - Somente para Seus Olhos, de 1981.
Charlton Heston, de O Planeta dos Macacos (1968), também foi diagnosticado com doença de Alzheimer vários anos antes de sua morte fazendo de Charles, uma homenagem, afinal, como Rupert é fã do filme e do ator, seria natural "imaginar" uma cura para o ator. O nome de Franklin é uma homenagem a Franklin J. Schaffner, diretor de O Planeta de 1968.
Will é semelhante em vários aspectos à Dra. Susan McAlester do Fundo do Mar (1999). Ambos são cientistas dedicados que trabalham desesperadamente para alcançar um milagre para a doença de Alzheimer, e são inspirados e fortemente motivados por causa de familiares doentes; ambos usam animais para alcançar um fim na tentativa de curar o Alzheimer, mas fazem com que os animais se tornem super inteligentes e os façam se revoltar contra seus criadores (no caso da Dra. McAlester, ela usou tubarões Mako geneticamente modificados, em vez do que uma droga milagrosa já existente); ambos tiveram pais com estágios avançados de Alzheimer que eventualmente ceifaram suas vidas.
No final original (que foi filmado), Will morre na tela. Na versão final do filme, Will tenta fazer com que César vá com ele dizendo-lhe para voltar para casa, César responde "César está em casa" e Will o deixa ir. Por causa do gráfico mostrado antes dos créditos finais mostrando a rápida propagação do vírus em todo o mundo, presume-se que Will (junto com a maior parte da raça humana) eventualmente morra.
No final original, César e Will estão na floresta onde Will tenta convencê-lo a voltar para casa. Eles são interrompidos por soldados e César está prestes a levar um tiro, mas Will o protege das balas e é morto. Um mês antes do lançamento do filme, resolveram refilmar, então James Franco e Andy Serkis voaram no fim de semana de 4 de julho para filmar o final que permaneceu no filme.
Já a cena original pós-créditos mostrava Koba descobrindo a espingarda de John Landon na floresta e aprendendo a atirar.
Entrelinhas
Quando Caroline diz que é apropriado ter medo de chimpanzés, César zomba da ideia pulando em cima de Will e imitando socos nele, enquanto todos riem. Mais tarde, César faz quase exatamente a mesma coisa com Hunsiker, exceto que na verdade ele o está espancando muito. Durante a primeira noite de César nas jaulas, ele desenha um símbolo que lembra a janela do sótão da casa de Will para se confortar. Mais tarde, durante a violência dos macacos em São Francisco, o mesmo símbolo aparece novamente rabiscado em uma placa de trânsito, aparentemente para marcar território.
No famoso grito de "NÃO" de César, é mostrado quando ele agarra o braço de Dodge enquanto ataca, Dodge parece estar de quatro, enquanto César está completamente ereto. Isso mostra a mudança na dinâmica de poder do macaco e do humano para a do mestre e do escravo.
Os abusos sofridos por César no cativeiro também espelham os sofridos por George Taylor em O Planeta dos Macacos (1968). Ambos escapam e atacam um tratador, sendo presos pelas autoridades, sob protesto dos seus donos, que sabem que são inteligentes. Ambos são atacados por um de seus "semelhantes", o que resulta em uma briga, e posteriormente são trancados em uma cela individual. Ambos são atacados com mangueiras de incêndio presas nas barras de sua cela quando se tornam beligerantes.
E por fim, quando os macacos sobem na árvore para escapar da cúpula, eles formam uma dupla hélice, o formato do DNA e o logotipo da Gen-Sys e ainda, uma referência de que o grupo é a gênese do planeta dos macacos.
Líder
A função do filme é estabelecer a liderança de Cézar, mostrar que soldado morre pelo líder, e que no meio dos macacos, há o sábio e o que se rebelará contra a própria espécie. Apésar de ser o primeiro, ele é uma ponte para os conflitos que se seguirão, como bem mostra o título orginal: a Ascenção.
.png)
.png)
.png)
.png)

.png)
.png)
.png)
.png)
.png)
.png)
.png)
.png)




