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MAD MAX (1979) - FILM REVIEW

Na época que as sessões de cinema na TV eram limitadas, as estreias da Tela Quente e do Cinema em Casa, em 1988, foram marcantes. Tudo era bom de acompanhar, até mesmo as chamadas. Neste período, num belo dia, passou no mesmo horário, Platoon e Mad Max. Um na Globo e outro no SBT. E eu precisava ver os dois, não é? Então, pedi meu pai para pegar uma TV e colocar do lado da minha. Lembro até que os filmes começaram com um pequeno intervalo de diferença. Eu priorizei o áudio do Mad Max e assisti os dois, simultaneamente.


Eu fiz até uma busca pela internet, para tentar descobrir qual data foi, mas como há muita desinformação, não puder ter certeza do ano, mas acredito que foi entre 1989 e 1990, e um dos filmes não era inédito. Como cheguei na informação que Platoon passou pela primeira vez em 1989 e Mad Max em 1990, creio que Platoon passou novamente em 90, em algum "Cinema Especial" da época.

De toda forma, esta experiência louca me roubou o prazer de apreciar melhor dois dos filmes que marcaram minha vida. E hoje vou fazer algo, pela primeira vez, que, curiosamente, jamais fiz: ver os 5 filmes em sequência: os 3 clássicos, o remake/reboot/continuação, adorado pelo meio mundo e o prequel, nos cinemas. 

Testemunhem:

🔷Mad Max (1979)

Num futuro próximo, o combustível que alimenta os motores dos carros é também motivo para crimes perpetrados por violentas gangues. Max é um jovem policial e junto com seus companheiros, patrulha as estradas a fim de impedir a ação daqueles que insistem em perturbar a paz. A morte de um membro pelas mãos de Max dá início a uma série de crimes cruéis cometidos contra sua família e o melhor amigo. Assim, Max só tem uma escolha: vingança.

👉O Menino e seu Cachorro

Quando traçamos um paralelo entre a jornada de Max e a da história de Harlan Ellison, publicada em 1969, a qual o próprio diretor George Miller diz ter se baseado, podemos perceber que a saga do personagem principal se tornou uma história sobre perda de identidade. Ele começa como um menino, cheio de ilusões, e tem sua vida repentinamente destruída. 

Rockatansky é obrigado então a amadurecer. Ao testemunhar a brutalização da sua família e a decadência da sociedade, ele fica cada vez mais desiludido e desapegado. Esta perda de identidade levanta questões filosóficas sobre a natureza do eu e o impacto das experiências traumáticas no sentido de identidade de alguém.

Porém, esta trama ganha contornos épicos quando analisamos os 5 filmes, como a desconstrução do próprio homem, que vai se tornando obsoleto. E não digo somente a humanidade, mas o comportamento patriarcal e misógino.

Na sociedade patriarcal, prevalecem as relações de poder e domínio dos homens sobre as mulheres e todos os demais sujeitos que não se encaixam com o padrão considerado normativo de raça, gênero e orientação sexual.

Em "O Menino e seu Cachorro", a trajetória de Vic pelo deserto levanta questões sobre o significado da sobrevivência e a busca por um propósito em um mundo desprovido de civilização. Já Max, como vemos em sua primeira aparição, é um observador do caos ao seu redor. Quando atingido pela inevitável violência, ele não se torna um vingador, um vigilante, ele apenas vai se transformando, se desfigurando, sofrendo uma erosão provocada pelo tempo.

Ele não busca um propósito. Na realidade, Max vai sendo desconfigurado até não mais existir, enquanto acompanhamos o colapso da sociedade. A saga “Mad Max” explora a fragilidade e maleabilidade da identidade diante de circunstâncias extremas e levanta questões sobre a natureza da identidade, como esta pode ser moldada ou desgastada e o potencial dos indivíduos para se redefinirem no meio do caos.

Há uma cena em particular, após o atendado à sua mulher, em que ele veste a roupa de policial, entra na garagem para pegar o carro, mas some antes de entrar nele. Minutos antes, ele distorce uma máscara de um rosto. Esta parte, em particular, ilustra tudo o que eu disse acima sobre o processo que vemos o personagem passar.

Produção disfuncional

Ainda antes do início das filmagens, era intenção dos produtores que o intérprete de Max Rockatansky fosse um ator com aspecto bruto e desconcertado. Um dia antes de sua audição para o filme, Mel Gibson cortou o rosto em uma briga de bar, o que acabou ajudando-o a conseguir o personagem.

Aproximadamente 20% das cenas inicialmente previstas no roteiro não chegaram a ser rodadas, devido a dificuldades com o orçamento. A cena van que seria destruída logo no início do filme foi em parte gravada com o veículo pertencente ao próprio diretor George Miller, que a utilizou em cena devido ao enxuto orçamento.

Para ter uma ideia, a maioria dos extras utilizados no filme foram pagos em cerveja. Até 1998, Mad Max estava no Guinness Book como o filme de maior custo/retorno na história do cinema, até ser superado por A Bruxa de Blair (1999). Isto porque o filme custara cerca de US$ 300 mil aos seus produtores e arrecadou mais de US$ 100 milhões nas bilheterias mundiais. 

O "cartão para sair da prisão" que Goose entrega foi uma piada no set. Devido ao orçamento limitado, a gangue de motoqueiros era uma verdadeira gangue de motoqueiros (os Vigilantes pilotavam suas próprias motocicletas), e eles tinham que ir ao set todos os dias com os figurinos; muitas vezes com suas armas auxiliares exibidas. 

Como a produtora esperava que fossem parados pela polícia local, cada um recebeu uma carta explicando os requisitos peculiares do filme e pedindo a compreensão e cooperação das autoridades.

George Miller arrecadou dinheiro para Mad Max (1979) trabalhando como médico de emergência. Ele teve a ideia de fazer este filme ao ver pacientes sofrerem muitos acidentes de motocicleta e automóveis enquanto trabalhava. A maioria dos ferimentos que ele viu foram colocados no filme. 

Ele descreveu toda a experiência na direção como "cinema de guerrilha", onde a equipe fechava estradas sem autorização de filmagem, não usava walkie-talkies porque sua frequência coincidia com a do rádio da polícia e, após o término das filmagens, Miller e Byron Kennedy até varriam estradas. Mesmo assim, à medida que as filmagens avançavam, a Polícia de Victoria se interessou pela produção, ajudando a equipe fechando estradas e escoltando os veículos.

Muitas das acrobacias neste filme foram ilegais e feitas rapidamente, antes que as autoridades pudessem descobrir. Sheila Florance fraturou o joelho ao tropeçar enquanto corria com a espingarda antiga. Ela voltou para completar suas cenas com a perna e o quadril engessados.

Originalmente, as filmagens estavam programadas para durar dez semanas - seis semanas na primeira unidade e quatro semanas nas sequências de acrobacias e perseguições. No entanto, quatro dias após o início das filmagens, Rosie Bailey, que foi originalmente escalada como Jessie, ficou ferida em um acidente de bicicleta. A produção foi interrompida, e Bailey foi substituído por Joanne Samuel, causando um atraso de duas semanas.

Max Rockatansky recebeu o nome do médico Carl von Rokitansky, um patologista pioneiro no procedimento de Rokitansky, um método para remover órgãos em uma autópsia.

Quando as filmagens terminaram, George Miller estava convencido de que o filme era um fracasso, até que países ao redor do mundo começaram a adquirir os direitos de distribuição. Ele afirmou: "Foi exibido no Japão, e eles disseram, 'ah, você fez um filme de samurai', então na Escandinávia, ouvimos dizer que eles pensaram que era um filme Viking dos dias modernos. Na França, eles disseram, 'é um faroeste sobre rodas.' De repente, percebi que o que eu pensava ser uma história bem australiana, explorava todos os tipos de arquétipos e temas universais."

E na realidade, é o que acontece com filmes que nasceram para entrarem para história. O criador Hideo Kojima disse certa vez: "Desde que vi o primeiro filme [Mad Max], quando tinha 16 anos, George Miller me salvou, me encorajou e mudou meu modo de vida inúmeras vezes. Ele é meu Deus e a SAGA que ele conta é minha Bíblia."

Amém

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