MÁQUINA MORTÍFERA (1987) - FILM REVIEW
Quando fui pegar o filme para assistir, ela havia alugado dois outros, Máquina Mortífera e Jogo Bruto. E foi aí meu primeiro contato com esta obra-prima de ação, impecável em todos os sentidos.
🔷Máquina Mortífera (1987)
Na trama, Martin Riggs (Mel Gibson) é um tira ensandecido que está sempre vivendo no limite. Por outro lado, o policial Roger Murtaugh (Danny Glover) é um homem tranquilo, que espera apenas a sua aposentadoria chegar. Apesar das diferenças, eles tornam-se parceiros para lutar contra uma quadrilha de traficantes de drogas, composta por ex-militares da guerra do Vietnã.
Este primeiro Máquina Mortífera foi um filme que assisti 56 vezes num só ano. E continuei revendo ao longo da vida, fazendo dele um dos que mais revi. E de certa forma, me encontrei num ponto da minha vida que ecoou algumas atitudes do personagem Martin Riggs. Eu perdi uma pessoa em um acidente (como ele) e uma namorada de câncer, me proporcionando momentos de completa loucura, com atitudes no limite, tal como o personagem.
Em uma cena, Riggs pula de um prédio com um suicida. Eu pulei de um prédio de 3 andares, porém por um motivo sem menor importância (em uma daquelas brincadeiras de pega-pega, eu era o último, que poderia "salvar todos"). Parece uma comparação boba, mas situações que mexem com nosso emocional podem te levar a situações extremas.
Mas no meu caso, como sempre dava certo, eu era mais admirado pela coragem do que analisado como um caso em que se rompeu algo, como o personagem Riggs.
Insanidade
Máquina Mortifera é basicamente uma história de uma família grande aceitando em sua intimidade, um lunático. Algo como Do Mundo Nada Se Leva, de Frank Capra, só que no clássico de 1938, é o inverso, a família que é lunática.
Com o passar dos filmes, novos elementos vão sendo inclusos, e a cena final é justamente uma foto de família. Ou seja, o roteiro, de maneira genial, descontroi o personagem de Riggs, tira Roger de sua zona de conforto, e mostra como a vida é melhor se for compartilhada.
Estou velho demais para isso.
Mel Gibson e Bruce Willis foram considerados para os papéis um do outro em Máquina Mortífera (1987) e Duro de Matar (1988) , e ambos os filmes foram produzidos por Joel Silver, com música de Michael Kamen. Foi oferecido a Willis o papel de Martin Riggs, mas recusou, e um ano depois ele fez Duro de Matar (1988). Gibson foi considerado para interpretar John McClane, junto com seus co-estrelas de Os Mercenários 3 (2014), Harrison Ford , Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger, mas todos recusaram. Coincidentemente, o roteiro de Duro de Matar 3: A Vingança (1995) foi planejado para ser uma sequência de Máquina Mortifera.
Na cena em que Riggs está pensando em suicídio, há uma bala real na câmara que Mel Gibson estava apontando para sua cabeça, pensando que isso permitiria uma maior sensação de retratar a cena de forma realista e dramática. Embora as balas de festim não disparem tiros reais, a ejeção de ar e detritos do cano da arma pode (e tem) ferido fatalmente pessoas de muito perto.
O personagem de Danny Glover (Sargento Roger Murtaugh) tem 50 anos no filme, mas Glover tinha apenas 40 anos em 1986. Roger Murtaugh não foi escrito pensando em nenhuma etnia. Danny Glover foi sugerido por Marion Dougherty após vê-lo em A Cor Púrpura (1985).
Já Mel Gibson tinha apenas 30 anos quando o filme foi filmado, embora seu personagem Riggs devesse ter 38. Durante a pré-produção, Mel Gibson e Danny Glover acompanharam os policiais do Departamento de Polícia de Los Angeles, e Richard Donner consultou o Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles para garantir um retrato autêntico da força policial.
Família
O filme busca a humanização dos personagens de muitas formas. E todas nunca vistas em um filme de ação como este. Como na cena em que Riggs espera as roupas secarem e ouve o pedido de desculpas de Roger. Ou quando Trish (esposa de Roger), deixa um ovo cair no chão. Ou ainda quando discutem sobre como a comida de Trish é ruim.
E se consideramos que John McClane em Duro de Matar foi ovacionado por ser um herói que tem medo, sangra e quase morre várias vezes, fazer filmes de ação com personagens demonstrando traços reais, era o que o público queria na época.
Shane Black, recém-formado pela UCLA, escreveu o roteiro em meados de 1985. Seu agente enviou para o produtor Joel Silver, que adorou a história, e trabalhou com Black para desenvolver ainda mais o roteiro. Black atuou em Predador (1987), pouco tempo depois (curiosamente, Danny Glover atuou novamente com Gary Busey em O Predador 2: A Caçada Continua (1990), onde Glover voltou a interpretar um policial, e Gary Busey a interpretar um ex-soldado das forças especiais).
Nos primeiros rascunhos do roteiro, Riggs e Murtaugh eram personagens muito mais sombrios, com histórias sombrias. Ambos tiveram flashbacks de seu tempo no Vietnã, com Murtaugh, em um ponto, lembrando como ele acidentalmente matou um jovem soldado com as próprias mãos durante intenso treinamento militar, mesmo antes de ir para a guerra, e Riggs lembrando como ele era realmente uma arma letal, e quantas pessoas ele matou trabalhando como assassino para a CIA, razão pela qual os soldados dos EUA e VC o consideravam uma lenda.
Richard Donner percebeu que não importava quantos rascunhos ele escrevesse, o roteiro original ainda era sombrio demais, então ele trouxe o roteirista Jeffrey Boam, a fim de adicionar cenas de humor.
Donner, o diretor a frente do seu tempo...
Um dos exemplos mais sutis pelos quais o filme sugere diferenças entre os dois personagens principais é a maneira como Murtaugh (Danny Glover) usa um relógio no pulso esquerdo e Riggs (Mel Gibson) usa um relógio no direito. Mel Gibson é destro e normalmente usaria um relógio no pulso esquerdo.
O telefone usado por Murtaugh no apartamento de Amanda Hunsaker é um Portable Radio Shack Modelo 17-1003, lançado em 1986. Este é o primeiro filme a mostrar um celular moderno na história.
Até hoje, o cinema de ação aprende (mas não pratica) com a forma que o diretor executa as cenas de ação. Há dezenas de pequenos detalhes que formam o todo de sucesso, como a cena em que em Riggs toma o tiro na rua, com cortes que fazem a sequência do impacto da bala e subsequente caída no chão do personagem mais extensa e dinâmica. Noutro momento, quando Joshua mata Michael Hunsaker, Riggs inicia uma sequência de tiros, com um simples apoio de mão na árvore, porém nunca visto em filmes anteriores.
O próprio plano sequência inicial, que culmina com a cena dentro do edifício, é um belo cartão de visitas para o que estaria por vir. Os atores foram treinados em artes marciais. A coreografia de luta foi testada pela primeira vez nos dublês Mic Rogers e Shane Dixon. A sequência de ação final do filme, envolvendo a briga entre Martin Riggs e Joshua, foi filmada durante quatro noites completas, filmando do anoitecer ao amanhecer.
Desde os estágios iniciais de pré-produção, Richard Donner queria que a sequência final da luta fosse única, mas também que fizesse uma declaração forte sobre os personagens envolvidos. Coincidentemente, o assistente de direção Willie Simmons tinha um grande interesse em formas incomuns de artes marciais e convidou vários praticantes para o set para fazerem demonstrações para Donner.
O resultado foi a contratação de três assessores técnicos, cada um mestre em um determinado estilo de artes marciais. Cedric Adams foi o primeiro especialista contratado. "Adams achou que a melhor maneira possível de mostrar o quão letal Riggs realmente é - é mostrar seu domínio de uma forma de artes marciais nunca antes vista na tela", disse Donner. Adams ensinou aos atores os movimentos da Capoeira.
Um segundo consultor técnico, Dennis Newsome, trouxe o jailhouse rock para a sequência da luta. O terceiro assessor técnico foi Rorion Gracie, especializado em Jiu-Jitsu brasileiro.
Easter eggs:
Enquanto comem cachorro-quente numa esquina, antes do chamado do suicida, Riggs e Roger andam em direção ao carro. Ao fundo, podemos ver que em um cinema está passando Os Garotos Perdidos, filme lançado naquele ano e produzido por Donner.
Um clipe de Contos de Natal (1951) é exibido na casa de Murtaugh. O próximo filme do diretor Richard Donner foi a releitura moderna Os Fantasmas Contra Atacam (1988) com Bill Murray.
O personagem de Mitchell Ryan se chama Peter McAllister. O pai de Kevin McCallister (Macaulay Culkin) em Esqueceram de Mim (1990), interpretado por John Heard, chama-se Peter McCallister. Joe Pesci, que interpreta Harry, o ladrão em Esqueceram de Mim 1 e 2, interpretou Leo Getz em Máquina Mortífera 2, 3 e 4.
Murgaugh pergunta ao garoto se ele gosta de GoBots. Esta foi uma série de brinquedos parecidos com Transformers, seguidos por uma série de desenhos animados. Roger saberia disso pelo que seus filhos assistiam na televisão.
A posição de Amanda Hunsacker no carro após cometer suicídio é baseada nas fotos conhecidas como The Most Beautiful Suicide: em 1º de maio de 1947, a contadora Evelyn McHale, de 23 anos, pulou do 86º andar do Empire State Building. O aspirante a fotógrafo Robert Wiles tirou quatro fotos do cadáver, que se tornaram icônicas após serem publicadas em 12 de maio daquele ano na capa da revista Life com o título, “O suicídio mais bonito”. A causa do suicídio nunca foi descoberta.
O assassinato de Michael Hunsaker, caracterizado por um tiro em uma caixa de gemada, é inspirado no assassinato do senador Jordan em Sob o Domínio do Mal (1962): um tiro em uma caixa de leite.
Murtaugh conta a Riggs que Hunsaker salvou sua vida no Vale Ia Drang em 1965. Mel Gibson mais tarde interpretaria o Coronel Hal Moore em Fomos Heróis (2002) , que é uma adaptação dessa batalha.
Multiverso: Michael Hunsaker revela que trabalhou para a Air America durante a Guerra do Vietnã. Mel Gibson estrelou um filme intitulado Air America: Loucos Pelo Perigo (1990), que é baseado nesta conversa. O filme também tem Robert Downey Jr, que fez mais tarde Beijos e Tiros, dirigido por Shane Black, roteirista de Máquina Mortífera.
O lendário dublê Dar Robinson morreu em um acidente de motocicleta logo após o término da filmagem principal. O diretor Richard Donner dedicou o filme a ele.
E para finalizar.
A relação dos personagens ensaia uma "entrada nos trilhos" no final. A cena mais representativa está no tiro que ambos dão em Joshua, ao mesmo tempo, demonstrando que a sintonia perfeita em que eles entraram, ainda que sejam figuras imperfeitas naquele contexto.
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